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Indaiatuba e a
indústria da construção

Engenheiro Civil
JOSÉ CARLOS TONIN
Prefeito de Indaiatuba de 1983 a 1988

A nossa cidade acaba de comemorar 174 anos da sua elevação à categoria de Freguesia em função de decreto do imperador D. Pedro II. Não há que se confundir a data do referido diploma legal, 09 de dezembro de 1.830, com o dia de fundação da cidade que certamente ocorreu algumas décadas antes, em função da paragem de tropeiros vindos de Sorocaba, especialmente, e que demandavam o interior do Brasil. O 9 de dezembro de 1.830 também não é a data da emancipação política do município que somente ocorreria em 24 de março de 1.859, há cerca de 145 anos, quando fomos elevados à categoria de vila.
Não se sabe a data de fundação, mas dá para supor que o dia seja o 2 de fevereiro, dia consagrado pela Igreja Católica a Nossa Senhora da Candelária e em função de José da Costa, tido como o fundador, ter erigido uma pequena capela às margens do ribeirão Caldeira, provavelmente no início do século 17. Portanto, a data mais antiga oficial que se conhece é o 9 de dezembro de 1.830 e aí reside a razão de se comemorar, de certa forma, como se fosse a data oficial ou a mais significativa da cidade.
Iniciei estes escritos lembrando um pouco de datas e fatos históricos para relembrar que, embora a idade de Indaiatuba, que já teve também os nomes de Cocais e Votura, pode estar beirando os 400 anos, nossa urbe mais parece uma cidade contemporânea, uma cidade até planejada, com ruas largas e muitas avenidas. O que ocorreu é que tivemos um crescimento pequeno ao longo de décadas e décadas e nos últimos 40 anos, com a industrialização, uma urbanização crescente e prodigiosa. O bairro Cidade Nova era constituído de terras de baixa qualidade para agricultura, onde proliferavam arbustos e pequenas palmeiras, inclusive o indaiá, constituindo-se em terras devolutas ou “de ninguém”, que a própria Prefeitura acabou parcelando e vendendo em lotes. Quero lembrar que Lourenço Corsi, com sua grande habilidade para projetar obras civis, foi o maior responsável pelo bom traçado urbanístico do Cidade Nova.
Alguém que não conhece a cidade e visita-a tem a sensação de Indaiatuba é jovem e muito bem planejada. Não é bem assim, mas parece. Tivemos a partir da década de 70 o início da verticalização, com o surgimento dos primeiros edifícios que foram o “Oscar Tonin”, localizado nas esquinas da Candelária com 7 de Setembro, o “Colonial”, construído pela família Ciciliato localizado na rua 9 de Julho e o “Solar dos Indaiás”, na rua Pedro de Toledo, todos projetados por mim. Na mesma época do “Oscar Tonin” foi construído o edifício do Hotel Alvorada da família Pedrina.
O que se verifica hoje é a grande proliferação de muitos e novos loteamentos de todos os padrões e de edifícios idem. Os prédios verticalizados estão bastante espalhados e acredito, tenham contribuído em muito para a geração de milhares de empregos e de moradias, a ponto de neste momento termos habitações para as classes de média baixa para cima em excesso, havendo inúmeros imóveis desocupados, talvez em torno de 5% do total, à disposição para venda ou locação. Apesar da sobra de imóveis residenciais, especialmente, ainda hoje a construção civil é a maior geradora de empregos no município. Os novos empreendimentos, sejam edifícios ou condomínios fechados, geram não só empregos temporários durante a sua implantação, mas também permanentes a seguir, dando oportunidade a muitas pessoas de pouca qualificação profissional, o que é por demais importante para a geração de renda também.
Um capítulo à parte, no entanto, é a falta de habitação para famílias de baixa renda, que tiveram um bom apoio da Prefeitura nas décadas de 70, 80 e até meados dos anos 90, com a implantação de vários conjuntos habitacionais em parceria com a COHAB, com o extinto BNH ou com a CDHU, empresa do Governo do Estado. Há cerca de 8 anos a política habitacional do Município tem se resumido a pequenas intervenções sem nenhuma expressão e longe da demanda reprimida existente. A prova é que tivemos uma ocupação em área de risco junto aos trilhos da Ferroban e a migração de um sem número de famílias para uma ocupação em Campinas, com vários conjuntos próximos implantados em áreas particulares, da PUCC e reservadas para a ampliação do aeroporto de Viracopos. Um desses agrupamentos de moradores tem até o nome de Campituba, vez que abriga famílias de Campinas e Indaiatuba, que desesperadas e não tendo apoio dos poderes públicos dessas duas cidades, acabaram se submetendo a residir em ocupações, muitas vezes edificando inicialmente um barraco e escavando valetas, com utilização, em muitos casos, de mão de obra de mulheres, velhos e crianças, para fazerem com que a água da Sanasa chegue até suas incipientes moradias.
Para resumir: Indaiatuba é uma cidade quatrocentona com aparência de jovem, com excesso de habitações para as classes mais altas e falta para os menos favorecidos. Essa discriminação social contribui, com certeza, para o aumento dos índices de criminalidade. Precisamos sim de Rota na rua, de mais agentes na Polícia Civil e guardas municipais treinados, mas é urgente que se cuide da questão social. Nada mais contribui para a estabilidade de uma família do que ela ter a sua casa própria, do que ter o seu próprio pedaço de chão para assentar o seu futuro e os seus sonhos.


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