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VALFRIDO
MIGUEL CAROTTI
Secretário Municipal da Fazenda
Até
1970 Indaiatuba não passava de uma cidade pequena onde todos
conheciam todos, a vida era pacata e sem muitas novidades. A cidade
crescia, porém a passos pequenos. A partir de 1975 tivemos uma
revolução na indústria da região. Campinas
instalava o seu distrito Industrial onde se destacava a Mercedes-Benz,
que na oportunidade criava em Indaiatuba um bairro que com o tempo levaria
o seu nome - Vila Mercedes hoje Bairro Sol Sol, onde moravam os trabalhadores
que atuavam naquela indústria. A fama de Eldorado Industrial
atravessou as fronteiras do estado e atingiu o Paraná que naquele
período passava por uma crise da cultura do algodão e
do café no norte do estado. A busca pelas novas oportunidades
fez com que houvesse uma grande migração de paranaenses
que na expectativa por trabalho vieram para nossa cidade ocupando casas
de parentes ou amigos no Bairro Santa Cruz e Jardim Califórnia.
Foi nessa data, já no governo Clain Ferrari (1976-1982), que
foi implantado um grande loteamento (cerca de 8.000 lotes) na zona sul
da cidade, hoje Bairro Morada do Sol. Nos primeiros anos seguintes ficou
clara a falta de infra-estrutura no bairro para atender a grande demanda
necessária para atender aquela população migrante
e crescente. Faltava atendimento na área da saúde, da
educação, da habitação, criando então,
um grande desequilíbrio na oferta de serviços públicos
à população. A necessidade de eliminar esses problemas
sociais obrigava o município a planejar pesados investimentos
no referido bairro porém, a falta de rendas públicas compatíveis
com a necessidade do município comprometeria sobremaneira a qualidade
de vida daqueles moradores. Começaram a aparecer sérios
problemas de segurança em detrimento a grande quantidade de pessoas
que ocupavam desregradamente os espaços no bairro, a maioria
delas, iludidas pela esperança de emprego, sentiram a realidade
ou seja, a oferta de mão-de-obra era muito superior a demanda
de serviços, daí as frustrações.
Vários governos municipais se passaram, todos comprometidos em
resolver os problemas do desequilíbrio provocado pela ocupação
não planejada. Problemas com água, principalmente, foram
os mais sacrificantes.
A
ERA REINALDO NOGUEIRA
Estamos
em 1996, mais precisamente em dezembro de 1996, é iniciado o
chamado governo de transição. A Equipe econômica
da Fazenda, naquela oportunidade, da tive a grata satisfação
de ocupar o cargo de Secetário Municipal, era formada por José
Antônio Jacomino (Juca), Agostinho de Mello Gonçalves,
Waldiney Peres, Naquela ocasião concluídos os trabalhos
da transição, deparamos com uma situação
verdadeiramente caótica com referência à área
financeira, orçamentária e econômica do município.
O descontrole e a total falta de condições de liquidez
deixavam o governo municipal sem caminhos para retornar aos trilhos
do equilíbrio fiscal .
O primeiro desafio foi a folha de pagamento (R$2.000.000,00) que nos
primeiros dias de janeiro devia ser paga aos funcionários públicos,
porém o saldo disponível de caixa não permitia
(R$6.000,00). Não vamos falar dos outros desafios que foram desfilando
um a um no primeiro ano do Governo Reinaldo Nogueira mas sim, da recuperação
dos controles da capacitação de funcionários nas
novas funções, da recuperação da credibilidade,
da normalização do fluxo de caixa que ao final desses
oito anos de governo colocaram Indaiatuba no seu verdadeiro lugar, destacando-se
como modelo para outros municípios.
A Lei de responsabilidade Fiscal, em vigor desde maio de 2000, obrigou
a uma modificação completa nas administrações
públicas. Indaiatuba não deixou por menos, se adaptou
às exigências legais e hoje está perfeitamente integrada
à excelência administrativa imposta pela LRF, estando os
técnicos da fazenda capacitados à atender a todos os quesitos
dessa nova legislação que regula a gestão pública.
Uma das exigência s legais é a boa gestão das receitas
públicas que em breves comentários vamos descrevê-las:
O
IPTU
Imposto sobre Propriedade Territorial e Urbano
(receita própria)
O
IPTU é imposto baseado na propriedade imobiliária. As
alíquotas aplicadas são 2% sobre o valor venal dos terrenos
e 1% sobre o valor venal das construções. Junto com o
imposto, cobra-se também a taxa de coleta e remoção
de lixo domiciliar. Em 1997 era evidente os problemas que eram encontrados
no cadastro municipal, o número de residências clandestinas
ou seja, não apontadas no cadastro, eram muitas. Na ocasião,
através de um projeto de aerofotogrametria (na época muito
polêmico) conseguiu-se detectar cerca de 40% de imóveis
não cadastrados e por conseqüência não contribuintes
do IPTU e não pagantes também da taxa de lixo. Com a regularização
do cadastro, ao final de 4 anos, considerando também o ISS sobre
construções não pagos em época oportuna,
recuperou-se cerca de R$18.000.000,00 nos primeiros 4 anos, recursos
esses que foram importantíssimos para a recuperação
econômica, financeira do nosso município. De lá
para cá a base de cálculo do IPTU está sendo normalmente
corrigida e com isso mantida a base arrecadadora do município.
Outro fato importante foi a vitória alcançada contra a
inadimplência. Partindo-se em 2001 de uma inadimplência
de aproximadamente 35%, chegamos nos dias de hoje a 16 %, através
de incentivos aos contribuintes (Festival de prêmios do IPTU).
Hoje Indaiatuba diferencia-se de outros municípios da região
metropolitana que pautam em 45% em média na falta de recolhimentos
do IPTU. Já são muitos municípios que nos visitaram
e também adotaram os mesmos procedimentos para tentarem também
a redução dos índices de inadimplência. O
último a adotar o programa foi o município de Itatiba.
Para o orçamento de 2005 o valor total do IPTU para Indaiatuba
está na casa dos R$38.000.000,00 e representa aproximadamente
23% do orçamento da Prefeitura. Do valor recebido do IPTU, 15%
é destinado para a saúde, 25% para a Educação
e o valor da taxa de lixo é utilizado para pagamento dos serviços
de remoção e coleta domiciliar. O valor residual do IPTU
é distribuído entre todas as demais secretarias do município
bem como é utilizado para quitação de outros encargos.
A grande diferença de Indaiatuba com os demais municípios
é a manutenção da capacidade contributiva do IPTU
que faz com que tenhamos uma capacidade de renda para atender satisfatoriamente
a demanda de serviços da comunidade.
O
ICMS
Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(receita transferida pelo estado )
A
população de forma indireta colabora com o município
e o estado com o ICMS, imposto que está agregado em todas as
operações comerciais do cidadão. Todos os recolhimentos
de ICMS do município são destinados à Fazenda do
Estado que, uma vez por semana, procede as distribuições
aos municípios, utilizando-se para isso o seguinte rateio: 75%
para o Estado de São Paulo e 25% para os municípios do
estado. A distribuição para os municípios é
feita mediante aplicação de índices de participação,
onde dentro dos critérios para sua definição encontramos
o mais significativo que é o valor adicionado ou seja, o valor
econômico agregado aos produtos produzidos em Indaiatuba. Destacamos
também que as arrecadações próprias também
influenciam positivamente no cálculo dos índices. Indaiatuba
está na 37 entre as cidades do estado.
Em 1996 o índice de participação do município
era de 0,30390280 o que representava uma arrecadação anual
de R$16.745.000,00 hoje está em 0,3612 elevando-se a arrecadação
anual para R$41.068.000,00. Para 2005 estará em 0,43 cerca de
R$ 51.950.000,00 são esperados para os cofres públicos,
devendo provavelmente pelos indicadores atingir índices superior
a 0,50 para 2006 com isso, obtendo um significativo aumento nos repasses
do ICMS para o município. A evolução econômica
se deu principalmente pela política industrial adotada pelo Governo
Reinaldo Nogueira, com criação de condomínios industriais,
incentivos fiscais que proporcionaram fatores de atração
para Indaiatuba. Destaca-se a importância da evolução
fantástica da Toyota bem como da Unilever, que recentemente transferiu
toda sua produção de sabão em pó para a
fábrica de Indaiatuba. A Toyota e a Unilever em conjunto representam
cerca de mais de 40% dos valores adicionados do nosso município.
O FPM
Fundo de Participação dos Municípios
(receita transferida pela União )
Constitucionalmente
os municípios recebem também parte dos impostos federais
recolhidos. Indaiatuba recebia em 1996 R$4.042.000,00 atualmente R$18.370.000,00
anualmente. O Governo Federal vem adotando critério de criar
contribuições e não impostos com isso, não
tendo obrigações constitucionais de participação
dos municípios nessas rendas federais. É a grande discórdia
federativa atual. Também dos recursos recebidos através
do FPM, as transferências para a saúde (15%) e para a Educação
( 25%) são obrigatórias.
O
FUNDEF
Fundo Nacional de Desenvolvimento e
Valorização do Ensino Fundamental
Fundo
constituído com transferência de 15% dos créditos
do município com referência ao ICMS e FPM que posteriormente
retorna ao município proporcionalmente ao número de alunos
pertencentes ao ensino fundamental. Hoje o município tem retido
anualmente R$9.030.000,00 e recebe do fundo, pelo número de alunos
matriculados, cerca de R$11.300.000,00. Esses recursos são aplicados,
no mínimo 60% em despesas vinculadas ao pagamento de professores
do ensino fundamental e o restante aplicado nas demais despesas vinculadas
ao ensino fundamental.
O
ISSQN
Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
(Receita própria)
Após
modificações legais o ISSQN sofreu uma queda na sua arrecadação
uma vez todos os prestadores de serviços de Indaiatuba, que executam
seus serviços fora do município, devem seus impostos nos
municípios onde prestaram os serviços. Com a introdução
do sistema GISS o município está preparado para detectar
todos os problemas com o recolhimento do ISS devido, identificando irregularidades,
sonegações portanto, preparado para empreender uma ação
de recuperação do referido imposto no município.
Hoje a arrecadação de ISSQN no município atinge
a casa de R$13.000.000,00 por ano, dos quais também obrigatoriamente
temos que utilizar 25% na Educação e 15% na saúde
em atendimento a exigências constitucionais.
Outras
receitas também fazem parte da arrecadação do município
mas as principais foram discriminadas acima.
O
HOJE ...
A
recuperação do equilíbrio fiscal proporcionou um
grande número de investimentos feitos principalmente na Educação,
com criação de inúmeras creches e escolas, melhor
distribuição da merenda escolar, transporte digno para
nossos alunos e também pesados investimentos realizados na área
da saúde, com a construção de novas unidades de
atendimento, melhoria no sistema oferta e distribuição
de remédios, Hospital Dia, programas especiais tais como: Saúde
da Família, Nascer Bem, e outros.
Com o equilíbrio fiscal também criou-se condições
de melhoria na infra-estrutura do município com construções
de praças, áreas de lazer, iluminação publica,
reformas e restaurações no centro da cidade. Resgatou-se
os débitos de pavimentações por muito tempo exigidos
pelos moradores do Bairro Morada do Sol e adjacências.
Hoje com seus 160.000 habitantes a população como um todo
tem com absoluta clareza a evidência da QUALIDADE DE VIDA que
é oferecida à todos os nossos munícipes.
Com um governo sério, transparente e voltado para a solução
de todos os problemas sociais da cidade, conseguiu-se a REABILITAÇÃO
PLENA DO EQUILIBRIO FINANCEIRO, ECONOMICO E ORÇAMENTARIO do município,
eliminando-se plenamente os desajustes sociais provocados pelo crescimento
de nossa cidade. Hoje temos o SAAE podendo atender a todos os nossos
munícipes com segurança no abastecimento e qualidade de
nossa água. Hoje temos uma educação e saúde
que é modelo para toda a região metropolitana. Hoje a
cidade de Indaiatuba tem todas as suas dívidas equacionadas e
perfeitamente enquadradas em seu fluxo de caixa. Hoje temos perfeito
acompanhamento das despesas geradas balizadas na peça orçamentária
limitando-as à real capacidade de receitas do município,
evitando-se com isso a ocorrência de déficits. Hoje tem
seus precatórios absolutamente em dia afastando definitivamente
o fantasma das intervenções que rondaram o inicio de nosso
governo. Recuperou-se definitivamente a credibilidade com nossos fornecedores.
Hoje temos um sistema de previdência (SEPREV) com seus fartos
recursos dando a garantia a todos os servidores da segurança
previdenciária e assistencial, obedecendo com sobra os cálculos
atuariais. Temos uma sede de nossa prefeitura que pela sua modernidade
e imponência provoca vislumbre na maioria dos municípios
que nos visitam.
O
AMANHÃ...
Estamos
no final deste governo de sucesso (1997 – 2004) satisfeitos pelo
dever cumprido por todos os participantes do Governo Reinando Nogueira,
com destaque especial aos abnegados funcionários da Secretaria
da Fazenda que enfrentando todas as dificuldades souberam retribuir
com eficiência, a confiança que neles depositamos.. A cidade
está pronta, recuperada, saneada e preparada para o amanhã.
Novos governantes estarão à frente da administração
municipal, porém a certeza de que apoiados nos trabalhos executados,
estarão confortavelmente seguros, com os grandes problemas que
foram ultrapassados, e estarão prontos e livres para continuar
com uma política sadia, transparente e eficiente, o que certamente
oferecerá uma qualidade de vida cada vez melhor para Indaiatuba
e para nossos munícipes.
INDAIATUBA,
DEZEMBRO DE 2004
VALFRIDO MIGUEL CAROTTI
SECRETARIO MUNICIPAL DA FAZENDA
GESTÃO 1997 - 2004
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