TRÊS DIPLOMAS UNIVERSITÁRIOS
Wanderley
Peres casou-se em 21 de dezembro de 1970, com sua ex-aluna, a professora
Maria Bernadete Angarten Peres, 52, com quem teve dois filhos, o engenheiro
Alexandre Carlos Peres, 33, e a advogada Adriana Jerusa Peres Ambiel,
27. A cerimônia foi realizada na Igreja Matriz Nossa Senhora da
Candelária, por padre Álvaro Ambiel, 68.
Nascido em 14 de maio de 1940, em Monte Mor (SP), ele e sua família
vieram para Indaiatuba em 1952. De origem humilde —seu pai, Gervídio
Peres, funcionário da Estrada de Ferro Sorocabana— seu
sonho, desde menino, de ser engenheiro civil, foi realizado em 1977,
aos 37 anos, quando, depois de muita luta, obteve o diploma de engenheiro
civil, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), de
Campinas.
Prova de seu Q.I. elevado, aos 21 anos, em 1961, após alguns
meses de freqüência no curso Anglo-Latino, em São
Paulo, foi aprovado no vestibular da Faculdade de Engenharia da Universidade
Federal de Curitiba (PR), que, por exigir período integral, abandonou
após seis meses, por não poder arcar com os custos de
manutenção e moradia. Se concluísse o curso, seria
o primeiro em Indaiatuba a se graduar na profissão.
Mesmo sem curso superior, em 1962, por ter sido admitido na Universidade,
o pároco o convocou para dar aulas de desenho geométrico
e matemática, na Escola de Comércio Nossa Senhora da Candelária.
Em 1957, já havia sido homenageado pelo Rotary Clube de Indaiatuba
por ser o primeiro aluno da oitava série do Grupo Escolar Randolfo
Moreira Fernandes.
PROFESSOR EMÉRITO
DO DOM JOSÉ
Em 1964, ainda sem diploma universitário,
iniciou sua brilhante carreira como professor no Colégio Dom
José Camargo Barros, onde se aposentaria 20 anos depois. Trabalhando
durante o dia, e estudando à noite, em 1969, formou-se em Ciências
Físicas e Biológicas, pela Faculdade Nossa Senhora do
Patrocínio, em Itu, e, em 1975, em Matemática, em Guaxupé
(MG). Em seu permanente esforço para ampliar seu conhecimento,
cursou duas faculdades concomitantemente: Engenharia e Matemática.
ACERVO - 1.200 LPs
Seu
filho, o também engenheiro Alexandre Peres, 33, seu fã
número um, zela com dedicação o acervo deixado
pelo pai, que era um colecionador nato. Além de inúmeros,
caprichados e bem organizados álbuns fotográficos de família,
são cerca de 1.200 long-play, 1.000 livros (história,
religião, literatura, etc.), 400 filmes, 300 fitas cassetes e
11 pastas com centenas de artigos seus publicados na imprensa local,
sobre os mais variados temas, grande parte deles no jornal Tribuna de
Indaiá, além de cópias de mais de mil plantas de
imóveis projetados pelo pai.
Justifica-se, plenamente, portanto, o batismo do futuro Centro Cultural
com o nome de Wanderley Peres.
Assim como ele, o prédio onde durante tantos anos funcionou o
Grupo Escolar Randolfo Moreira Fernandes, freqüentado por ele,
também é uma grata referência de educação
e cultura de Indaiatuba.
UMA LENDA CHAMADA WANDERLEY PERES
Wanderley foi o primeiro filho, de um total de
seis irmãos, de Gervídio Peres, falecido em 1991 e Nair
Borges Peres, 82. Seu pai era funcionário da Estrada de Ferro
Sorocabana. “Ele afirmava que nunca lhe faltou o que vestir e
comer”, relata Alexandre. Em razão das constantes transferências
de estação, a partir dos 12 anos, Wanderley passou a residir
em Indaiatuba com seus avós paternos, Anastácio e Inácia
Peres, (a quem tinha grande apreço), para poder concluir o curso
ginasial. Estudar sempre foi sua grande paixão, desenvolvendo
até a época de seu falecimento o salutar hábito
da leitura, nas mais variadas áreas de conhecimento.
Além de mais de 1.000 livros do acervo que se encontram com Alexandre,
doou vários livros à Biblioteca do Centro Espírita
Apóstolos do Bem. “Meu pai era uma pessoa completa; além
de bom em Matemática, era também um mestre em Português”,
relembra Alexandre.
FORMAÇÃO
ACADÊMICA
Da 5a. à 8a séries cursou no Grupo Escolar Randolfo Moreira
Fernandes. O primeiro ano do Científico cursou no Colégio
Culto a Ciências, em Campinas, e os dois restantes (1959 e 1960)
em Itu, no Colégio Regente Feijó, realizados conjuntamente
com o serviço militar, prestado por decisão própria,
no quartel de Jundiaí, onde adquiriu a patente de cabo.
É dessa época o apelido Peron pelo qual foi chamado durante
toda a vida, dado pelo então colega de farda Paulo Lui, 64, em
razão da admiração de Wanderley pelo ex-presidente
argentino, Juan Domingos Perón, deposto por um golpe militar.
“Tivemos muito contato, desde a época do ginásio.
Ele era muito polêmico. Acreditava e debatia suas idéias.
Estudamos juntos em Itu, no Científico. Era também muito
sarrista e estava sempre duro. Certa vez, eu, ele e Dante Ueda, comemos
em uma lanchonete, lá em Jundiaí. Na hora de pagar a conta
ele ficou quieto, e ainda ficou com o troco. ´Estou sem dinheiro´,
disse ele, com humor. Era uma pessoa muito inteligente. Fico muito satisfeito
pelo prefeito ter dado o nome de Wanderley ao Centro Cultural da Praça
D. Pedro II”, declara Paulo Lui.
“DURÃO”
Segundo
seus ex-alunos, embora tivesse fama de “durão”, como
professor, era um dos que menos reprovava, sempre dando uma segunda
chance aos alunos. Interessado em promovê-los, e apaixonado pela
música popular brasileira, criou o coral do Colégio Dom
José de Camargo barros, promovendo a gravação,
em 1972, do compacto duplo Vozes (com duas composições
suas, e duas em parceria), pelos alunos do coral. Participou também
de festivais de música promovidos pelo tradicional Colégio.
Em
1969, musicando no intervalo das aulas, no dia do encerramento das inscrições,
poema da então colega Deise Barnabé de Moraes, obteve
o segundo lugar no II Festival Amador de Música Popular Brasileira,
promovido pelo Indaiatuba Clube, com a composição O Sorriso
e a Flor (um das quatro canções do disco Vozes). Só
não obtiveram o primeiro lugar, em razão de dificuldades
do interprete da canção, na finalíssima.
No ano seguinte, com Jogo Perdido, letra e música de sua autoria,
venceu o mesmo festival, obtendo também o prêmio de melhor
intérprete.
Em 1977, classificou-se em segundo lugar no festival de música
de São Roque, representando o Centro Espírita Apóstolos
do Bem. Compôs várias canções (letra e música),
sempre acompanhando-se ao violão, instrumento que aprendeu a
tocar com Moacir Martins, a quem considerava seu “irmão
mais velho”.
Wanderley era um autodidata de esperanto, língua universal que
aprendeu a falar no final da década de 50, e ensinou durante
mais de 10 anos. A valsa Kristnasko (que quer dizer Natal em esperanto),
composta por ele, será cantada pelo coral do Centro Espírita
Apóstolos do Bem, este ano. Um poema seu foi musicado por Nabor
Pires de Camargo, autor do hino indaiatubano.
Durante dois anos Wanderley, e seu amigo Antonio da Cunha Penna, 59,
apresentaram o programa Clube da Saudade, na Rádio Jornal, em
substituição a padre Francisco Cabral de Vasconcelos,
67, o padre Xico. Em 1995, participou do Primeiro Maio Musical, juntamente
com Penna e Moacir Martins.
ESPIRITISMO
Embora batizado, crismado e casado na Igreja Católica, posteriormente,
interessou-se pela obra de Alan Kardec e Francisco Cândido Xavier,
freqüentando o Centro Espírita Apóstolos do Bem,
por quase 20 anos. O fogo do conhecimento e o desejo de sempre saber
mais levo-o a ler integralmente, por três vezes, em épocas
distintas, os extensos e intricados volumes de a Doutrina Secreta, de
Helena P. Blavatsky. “A cada leitura ele descobria novas nuances
da obra”, esclarece Alexandre.
Nos artigos que escreveu para os jornais locais, vários têm
por objetivo divulgar o espiritismo, o esperanto, e, posteriormente,
a Eubiose.
Uma de suas maiores contribuições ao esoterismo é
seu livro Hari Mag Edom, o Armagedom do Apocalipse (edição
esgotada), onde interpreta vários capítulos desse que
é um dos mais velados textos do Novo Testamento, escrito por
São João Evangelista.
Para escrever essa versão única e extremamente profunda
do Apocalipse, Wanderley se baseou em uma tradução em
esperanto da Bíblia, do original grego. Quem teve oportunidade
de ler a obra se impressiona com os incríveis e surpreendentes
paralelos traçados por ele entre o que é descrito no Apocalipse,
os acontecimentos da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, e o advento
do anti-cristo (Hitler). “No dia do lançamento, um estudioso
do esoterismo, que já havia lido antecipadamente o livro de meu
pai afirmou: ´Esse livro contém informações
que o mundo desconhece´”, revela Alexandre, acrescentando
que seu paI. após a edição do livro, promoveu debates,
participou de programas de tv e rádio, e realizou palestras sobre
seu livro, em lojas maçônicas, no Rotary, e em departamento
da Eubiose, fora da cidade.
AEAI
Em 1978, Wanderley foi um dos fundadores da Associação
dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Indaiatuba (AEAI) ocupando
a presidência por dois mandatos; 79 e 81.
ROSA CRUZ No início da década de 80, ingressou na Ordem
Rosa Cruz (Campinas) e descobriu também a ioga de auto-realização.
Foi um dos primeiros leitores em Indaiatuba do então quase desconhecido
Trigueirinho. Interessando pelos contatos do autor com extra-terrestres,
liderou um grupo de estudos sobre discos voadores em Indaiatuba.
CASARÃO
Em 1984, integrou a Comissão responsável pelo restauro
do Casarão Pau Preto, que incluía, entre outros, o pesquisador
Nilson Carvalho Cardoso.
EUBIOSE
Em 1991, ao integrar o grupo da Eubiose em Campinas, considerou ter
encontrado o conhecimento que completava toda sua busca espiritual,
fundando, em 1993, o grupo da Eubiose em Indaiatuba (Avenida Armando
Salles de Oliveira, 1361, Cidade Nova).
PAI EXEMPLAR
Segundo Alexandre Peres, Wanderley sempre foi um pai muito presente,
preocupado e interessado pelo futuro dos filhos. “Não deixou
nem a mim nem minha irmã trabalharmos antes de nos formamos.
´Estudem bem´, dizia ele. Para estimular minha irmã,
diariamente, pedia a ela que tocasse por uma hora piano para ele. Sempre
me convidava para ir junto onde quer que fosse. Me contava tudo. Me
ensinava muito. Tinha uma forte personalidade. Para ele, o mais importante
era ser honesto, íntegro. `O fundamental é ter a consciência
sempre limpa”, me dizia. Era uma pessoa correta, capaz. E era
muito responsável com as coisas que dizia. Estudava muito”,
relembra Alexandre.
CAPACIDADE
Seu filho relata outro episódio pitoresco que revela a capacidade
e a personalidade do pai. “Quando ele estudava em Minas Gerais,
no carro em que viajava, uma de suas colegas de faculdade, grávida,
entrou em trabalho de parto. Todos desceram do veículo e ajudaram
no que puderam. Depois que a criança nasceu, chegaram finalmente
à faculdade. A prova de matemática de sua classe porém,
já havia sido realizada e o professor não acreditou na
história do parto, chegando mesmo a ironizá-lo. Wanderley,
que havia estudado a matéria, desafiou o professor nos seguintes
termos: “Me faça dez questões. Se eu não
acertar todas, me dê zero!”. O professor aceitou o desafio
e ficou ainda mais surpreso com o resultado. Tudo certo! O que rendeu
ao desafiante um “dez, com louvor”.
REAPARECEU
Outro caso pitoresco, que revela a personalidade de Wanderley Peres,
diz respeito a um aluno que afirmava não ter recebido sua prova,
com as respectivas notas das questões. Wanderley sabia que era
mentira, mas não tinha como provar. Resolveu o impasse da seguinte
forma: Disse à classe que iria sair um pouco e que, quando voltasse,
gostaria que a prova do referido aluno aparecesse ou então nova
prova seria aplicada a todos. Quando voltou à classe, “misteriosamente”,
a prova do mentiroso reapareceu, e a nota zero do aluno foi mantida.
ABAIXO-ASSINADO
Mesmo participando do grupo de seresta com Wanderley, o fotógrafo
e cronista Antônio da Cunha Penna, 59, certa vez, quando era seu
aluno, disse ao homenageado que, mesmo sendo seu amigo, iria assinar
um abaixo-assinado para que fosse removido do Colégio Dom José,
por ser considerado um professor muito exigente. “O empresário
Gilberto Narezzi, 60, no entanto, não foi da mesma opinião
e fez o movimento contrário. ´Vocês querem é
moleza, dizia Narezzi aos colegas, defendendo o professor´. “Polêmico
ele sempre foi, mas é até hoje um dos professores mais
admirados e lembrados do Colégio Dom José de Camargo Barros”,
afirma com orgulho seu filho Alexandre.
Penna alega que trabalhava durante o dia inteiro, estudava à
noite, e não tinha facilidade para a Matemática. Queria
mais atenção do professor para entender a matéria.
“O estilo de ensinar de Wanderley era inflexível, o que
provocou o abaixo-assinado. Porém, no fim do ano, ele me auxiliou
me dando exercícios mais brandos que possibilitaram que eu passasse
de ano”.
“Além de ser um dos meus melhores amigos e grande companheiro
musical, de serestas, Wanderley é um exemplo de auto-superação.
Em sua juventude foi uma pessoa difícil. Com o passar do tempo,
e muita auto-reflexão, terminou a vida como uma pessoa santificada,
dedicada à leitura, às pesquisas e palestras. Acho justa
a homenagem, porém preferiria que seu nome ficasse ligado a outro
logradouro público, uma vez que o nome do professor Randolfo
é profundamente arraigado ao local”.
AUXÍLIO PROVIDENCIAL
Outro exemplo da dedicação e interesse de Wanderley por
seus alunos, apesar de ser considerado “durão”, é
um episódio envolvendo uma aluna. Ao circular pela classe e olhando
sua prova, Wanderley percebeu que a maior parte das questões
estava incorreta, o que significaria a reprovação da aluna.
Não teve dúvida. Saiu da sala, chamou um dos alunos e
disse a ele para que ajudasse a aluna, enquanto ele ficaria fora da
classe. Depois do providencial auxílio, a estudante superou as
dificuldades e foi aprovada.
JUVENTUDE
Sempre
ligado na juventude, Wanderley participou do concurso Garota Verão
/88 promovido pelo Clube 9 de Julho, escrevendo o poema Os Primeiros
Encantos, para a concorrente Sandra Regina Tavares, que venceu o concurso.
Entre os poetas convocados a enaltecer as concorrentes estavam Antônio
da Cunha Penna, Hélio Fernandes Garcia, João Batista da
Silva, João Emílio Angelieri, José Paulo Ifanger,
Marcelo Martins e Sérgio Squilanti.
FILHO DEDICADO
Depoimento
de Nair Borges Peres, 82,mãe de Wanderley
Emocionante foi o depoimento da mãe do engenheiro Wanderley
Peres, dona Nair Borges Peres, 82. Com lágrimas nos olhos, ao
lado do neto Alexandre, ela afirmou que preferia “ter ido no lugar
dele”. Relembrando o carinho e o auxílio que Wanderley
sempre prestou aos pais, e demais parentes, dona Nair conta que o filho
foi uma criança muito especial. Aos sete meses já reconhecia
perfeitamente as pessoas e aos dez anos já havia desenvolvido
o gosto pela leitura, “lendo tudo o que lhe caia nas mãos”.
“Ele era maravilhoso! Um filho muito bom. Entregava na mão
do pai, integralmente, os salários que recebia enquanto era solteiro.
Depois de formado construiu uma casa para nós morarmos, e fez
questão de nos levar a sua formatura de engenheiro. Seu sonho
era se formar em Engenharia. ´Eu quero participar de todas as
coisas difíceis´, disse-me ele quando decidiu espontaneamente
servir ao Exército e mesmo servindo foi aprovado no terceiro
Científico, em Itu. Sua paixão era estudar e estimular
outras pessoas a fazer o mesmo, como fazia com os funcionários
do Saae, onde ajudava, gratificava e valorizava os dedicados. Porém,
com os incompetentes e relapsos, era bastante severo”, relata
dona. Nair.
OS PRIMEIROS ENCANTOS
Poema de Wanderley Peres
para Sandra Regina Tavares,
vencedora do concurso
Garota Verão/88 do Clube 9 de Julho
Quando você despertou para a vida
Numa atmosfera azul
De sublime êxtase
Do seu corpo de mulher
Nasceram os primeiros encantos
De uma rosa
Nos lábios rubros
Da madrugada coberta de orvalhadas flores
Deixe que a divina rosa
Desabroche em seu coração
Ouvindo a esperança
Na eterna canção do amanhã.
DISTANTE DE AMOR
Música: Nabor Pires de Camargo
Letra: Wanderley Peres
Olhos claros que procuram no mar
Um azul de esperança
Que se perdem num espaço de tristeza
Mostram que não sei viver
Na incerteza da espera
De um amor distante
Querendo não ser
Só meu, sempre meu
Pudesse esquecer
Tudo de triste
Na lembrança de seu jeito
Quando distante pensando
Encontro seu encanto
Sempre comigo, sempre comigo
Como buscar outro olhar de ternura
Viver o carinho de seus olhos
Que harmonizam no meu canto
Rimas de amor, versos de dor
Ah! Pudesse sentir mais de você
Junto ao meu peito
Que procura encontrá-la
E no entanto
Tudo se perde
Num distante de amor
Que não se acabou
AUTOR DA HOMENAGEM
A sugestão de batizar o Centro Cultural da Praça D. Pedro
II de Wanderley Peres é da advogada Daniela Furlan Pecht, 29,
que foi proposta à Câmara pelo vereador Maurílio
Gonçalves Pinto (PDT). O corpo do engenheiro foi zelado na Câmara
Municipal, que, desta forma, lhe prestou a última homenagem.
D E P O I M E
N T O S
“SUA MORTE FOI UM
IMPACTO”
Depoimento de
Maria Bernadete Angarten Peres, 52,
esposa de Wanderley Peres.
“Wanderley sempre foi uma pessoa muito ativa
e presente. Os mais de trinta anos de convivência com ele foram
de muito aprendizado, tanto da parte dele quanto da minha. Um ensinando
o outro a desenvolver a tolerância, superando divergências,
procurando sempre melhorar, se aprimorar, crescer, pensando em nós
e em nossos filhos.
Ele tinha de fato um gênio forte. Sinto muito a falta dele. Principalmente
do um ano e meio em que ficamos só nos dois, depois do casamento
de Jerusa e de Alexandre ter ido morar em sua própria casa. Foi
um período maravilhoso. Quando já estávamos bem
mais maduros e a vida havia nos ensinado muito.
Na época em que era superintendente do Saae, ele era muito compromissado,
dedicado, esquecia até a casa. O Saae era sua grande paixão,
o emprego onde ele mais se encontrou.
Sua morte, para mim, foi um impacto. Ele pensava que ficaria para semente.
Passei por uma forte depressão. Perdi dez quilos. O que ajuda
é que acredito na vida espiritual; na vida após a morte.
Se não acreditar, a gente pira. Os ensinamentos da Eubiose muito
me fortalecem,
Em minha época de solteira, e mesmo depois, casada, ele e seu
grupo faziam-me serenatas. Era lindo! Um presente. Sempre gostei, mas
trabalhava muito como professora: das 6h da manhã às 23h,
por isso não participava muito das serenatas. Junto com ele,
fiz a minha parte. Mas ele me dizia que se eu continuasse nesse ritmo
iria ter um pirimpaque. E, infelizmente, aconteceu justamente o contrário.
Fui professora, assistente de diretor, vice-diretora, diretora substituta
estadual, diretora e supervisora municipal. Atualmente sou coordenadora
pedagógica estadual. Em 2005, completo 30 anos de carreira.
Nosso casamento foi muito construtivo. Um compromisso sério.
Uma boa parceria. Nossa meta em relação ao futuro de nossos
filhos estava cumprida. Cumprimos, ao longo de nossa vida a dois, aquilo
que juramos no dia da cerimônia. Repartir as alegrias, e também
as tristezas. Juntos, crescemos e superamos nossos defeitos. Ele, por
exemplo, se tornou uma pessoa bem mais amável, compreensiva.
Sei que onde ele estiver vai achar uma glória a homenagem que
estão lhe prestando de dar seu nome ao Centro Cultural onde funcionava
o Grupo Escolar Randolfo Moreira Fernandes. Para nós, seus familiares,
também é uma honra. a homenagem que o prefeito presta
a ele. Tudo o que ele fez na vida, fez com paixão, empenho, dedicação.
Às vezes, eu sentia até ciúmes de sua dedicação
a tantos afazeres que assumia. Mas nunca proibi nada. Nunca criei barreiras
ou empecilhos. A prova maior que acertamos está em nossos dois
filhos, dos quais, assim como ele, me orgulho pelo caráter que
possuem, pelos valores que defendem e praticam. Se não formos
bons, não conseguimos dar o bom exemplo. E meus dois filhos são
maravilhosos. Prova maior do nosso amor.”
“ELE DEVORAVA LIVROS”
Depoimento de
Moacir Martins.
No final dos anos 50, e durante toda
a década de 60, a barbearia de Moacir Martins era o foco cultural
da cidade. Com ele e outros amigos, Wanderley participava cantando e
tocando violão das Domingueiras do Clube 9 de Julho. Há
50 anos Moacir Martins, 71, é professor de violão formado
pelo Instituto Carlos Gomes, de Campinas. Há 60 anos exerce a
profissão de barbeiro.
“Wanderley nasceu filósofo. Eu o
conheci desde criança. Vivia aqui comigo, na barbearia. Tínhamos,
as mesmas afinidades, por música e literatura. Ele devorava livros,
principalmente espíritas, mas também autores famosos.
Romances, filosofia. Era uma seresteiro nato. Gostava de Ari Barroso,
Noel Rosa, Sílvio Caldas, Orlando Silva, entre outros. E também
de música clássica. Sua coleção de long-plays
é talvez a maior da cidade. |O violão aprendeu a tocar
comigo, mas apenas para acompanhamento. Quando nosso grupo de amigos
se reunia na casa dele, relembrávamos os bons tempos. A homenagem
que estão lhe prestando dando seu nome ao Centro Cultural da
Praça D. Pedro II, me deixa muito contente. Ele merece. Há
tempos venho incentivando seu filho, Alexandre, para que seu pai fosse
alvo de algum tipo de homenagem pública. A solução
encontrada foi excelente. Tem tudo a ver com ele e com o que ele fez
pois foi um homem ligado as artes, a cultura, a educação.
Era muito inteligente. Era também um espanhol bravo como um cobra.
E em sua juventude, um rebelde. Não por defender interesses próprios,
mas dos menos favorecidos. Ele pensava muito nos outros. Nós
mesmos chegamos a brigar várias vezes, mas não vivíamos
longe um do outro. Lembro-me uma vez que ele emprestou uma capa de couro
que eu tinha para, enquanto chovia, deitar com ela em um banco da praça.
Fui muito engraçado. Em outra ocasião, lembro-me que trouxe
um enorme rádio que possuía para deixar como fiança
pelo empréstimo que eu havia lhe feito para ir estudar engenharia
em Curitiba (PR). Eu me recusei terminantemente a ficar com rádio.
Ora! Onde já se viu. Éramos amigos! Lembro-me também
como chorava. Chorava de cortar o coração, quando teve
que voltar de Curitiba, por não ter dinheiro para se sustentar
enquanto estudava engenharia, pois a faculdade exigia período
integral, durante o dia.
Seu falecimento para mim foi uma surpresa. Ele não bebia, não
fumava, tinha uma vida familiar tranqüila. Acredito que possa ter
sido alguma herança genética. O pai dele sofreu um derrame.
Sempre sentirei saudades de Wanderley. Para mim era como se ele tivesse
nascido aqui dentro da minha barbearia.”
“UM GRANDE MESTRE”
Depoimento do empresário
Gilberto Narezzi.
O empresário Gilberto Narezzi,
59, confirma que liderou um movimento pela permanência de Wanderley
Peres como professor do Colégio Dom José de Camargo Barros,
e esclarece: “Naquela época (década de 60), era
muito difícil uma pessoa de origem humilde conseguir se formar
em uma faculdade. Para ser alguma coisa na vida era preciso ter muita
força de vontade, principalmente para estudar, e obter um diploma
universitário. Wanderley foi um dos primeiros a dar o exemplo.
Lecionava para custear seu próprio estudo. Chegando a cursar
duas faculdades ao mesmo tempo. Trabalhava para poder arcar com as despesas
do curso de engenharia. Era um aluno e um professor muito aplicado.
Tinha seus objetivos. Era rigoroso consigo mesmo e por essa razão
cobrava dos alunos uma postura semelhante, principalmente dos mais aplicados.
Os que não tinham interesse em estudar é que fizeram o
abaixo-assinado; mobilizaram-se para removê-lo do Colégio
Dom José de Camargo Barros, pois, nessa época ele era
contratado e não efetivo. As aulas que dava eram sua única
fonte de renda. Por todas essas razões, por admirá-lo,
por achá-lo um ótimo professor, é que encabecei
o movimento contrário, lutando por sua permanência. E ele
permaneceu. Foi uma grande vitória. Os que queriam que ele ficasse
se tornaram a maioria. Fizemos até uma votação
e vencemos. A homenagem que está recebendo é mais do que
justa. Ele merece. É um exemplo de vida para todos os que querem
vencer na vida através da dedicação, persistência,
vontade de vencer, tendo em mentes nobres objetivos.
“O ÚLTIMO
DESEJO”
Depoimento de
Nelson de Campos, 63,
amigo de Serenata
“Considero a homenagem que está
sendo prestada a Wanderley um reconhecimento a tudo de bom que ele deu
a Indaiatuba, principalmente quando foi superintendente do Saae, de
1983 a 1988. Durante esse período, tivemos a oportunidade de
uma maior convivência e aproximação, em razão
de eu exercer o cargo de Secretario Municipal de Esporte, Lazer e Turismo
(Selt), no governo municipal de José Carlos Tonin, do qual ele
também fez parte. Pude então conhecer suas maiores virtudes.
Era uma pessoa íntegra, um companheiro para todas as horas, um
parceiro. Nas reuniões semanais do secretariado, quando tomávamos
grandes decisões em conjunto com o prefeito, sua opinião
era considerada, determinante. Era um profundo conhecedor de vários
assuntos. Tinha uma opinião formada sobre os mais variados problemas.
Não tremia. Peitava de frente quem quer que seja. Era enérgico
e muito inteligente.
Era muito bom participar com ele, principalmente durante a década
de 60, das serenatas que fazíamos às colegas, professoras
e professores de escola. Naquela época, ir até onde hoje
é a Avenida Kennedy, era uma aventura, uma viagem. Hoje, as serenatas
estão completamente esquecidas. No dia em que faleceu, e vieram
me contar, eu não quis acreditar. Dois dias antes havia estado
com ele. Foi uma grande perda. No final de seu velório, realizado
na Câmara Municipal, momentos antes do caixão ser fechado,
reuni todas as minhas forças e consegui realizar seu último
desejo: cantar uma canção bonita em seu velório.
Muitos não entenderam porque, mas, mesmo assim, se emocionaram.
Um mês antes, na reunião que nosso grupo de amigos fazia
mensalmente na casa de Wanderley (composto, entre outros, por Antonio
da Cunha Penna, José Carlos Tonin, José Paulo Ifanger,
Moacir Martins), discutíamos o que cada um gostaria que acontecesse
durante o próprio velório e Wanderley manifestou o desejo
que no dele fosse cantada uma canção bonita.
Na Câmara, durante seu velório, José Carlos Tonin
me lembrou do pedido de Wanderley. Embora o clima fosse pesado, de despedida,
pedi ao Jonas para ir buscar o violão para me acompanhar. Jonas
trouxe o instrumento, mas não conseguiu tocar, o mesmo acontecendo
com João Borges. Após fazer o último discurso,
seu filho, Alexandre olhou para mim me interrogando: E agora? Fui em
frente, tomei o microfone, esclareci que era um pedido de Wanderley
e, mesmo sem acompanhamento, cantei Ave Maria, de Vicente Paiva e Jaime
Redondo, grande sucesso de Dalva de Oliveira, canção cantada
para o Papa, por Fafá de Belém, quando ele esteve no Brasil.
O plenário estava superlotado. Todos ficaram em silêncio.
Fiquei muito comovido. Bernadete, esposa de Wanderley, emocionada, me
abraçou. Deus me deu uma luz para fazer a última homenagem
de despedida a meu grande amigo. Para mim, os dois filhos de Wanderley
são como meus filhos.”
“MEU GRANDE AMIGO”
Depoimento de
Deize Barnabé de Morais, 57
“Se alguém me perguntasse:
- Você tem um amigo? Eu responderia. Meu amigo é Wanderley
Peres. Ele foi meu grande amigo desde a adolescência. Se eu precisasse
contar com alguém, contaria com ele, que foi também grande
amigo de meu marido (o engenheiro Cícero Soares de Moraes Filho,
59), além de ser meu vizinho por muitos anos. Admiro muito também
sua esposa, Bernadete, que foi nossa aluna.
Nossa participação no II Festival Amador de Música
Popular Brasileira, em 1969, de fato, foi muito especial. Ambos éramos
professores da Escola de Comércio Candelária e incentivávamos
os alunos a participarem do festival promovido pela escola e pelo Indaiatuba
Clube. No horário do intervalo das aulas, no chamado horário
do café, eu propus a Wanderley que, uma vez que os alunos estavam
participando, porque nós também não participávamos?
Ele aprovou a idéia. Sentamos então na mesa dos professores.
Fui escrevendo a letra e ele, com o violão, compondo a música.
Sugeri que fosse uma marcha-rancho, que na época estava muito
em moda. Ele novamente concordou e foi adaptando a letra ao ritmo que
eu sugeri. Quando o intervalo terminou, letra e música estavam
compostas.
Wanderley no violão, mais um grupo de alunos e eu, que formávamos
um coral, ensaiamos a canção que foi classificada nas
eliminatórias. Na finalíssima, porém, quando já
estávamos prontos para entrar no palco, o marido de uma professora,
ex-colega nossa, um grande serestereiro, em visita à cidade,
cantando, disse-nos que era apaixonado pela nossa música e que
adoraria defendê-la. A canção, de fato, havia se
tornado um sucesso. Tanto na escola quanto na cidade, muitas pessoas
sabiam a letra e a música de cor. “Berinjela”, esse
era o apelido do cantor (Deize não se lembra o nome dele), estava
bem vestido, tinha postura de palco. Ficamos entusiasmados. Decidimos
atender a seu pedido, e, em um cantinho do salão social do Indaiatuba
Clube fizemos um rápido ensaio. Porém, o desempenho do
novo não foi dos melhores. Se confundiu todo, pulou versos da
canção, e errou até na melodia. Mesmo assim, fomos
classificados em segundo lugar e ficamos todos muito felizes, inclusive
o intérprete.
Lembro-me também, com saudade, das serenatas do grupo do qual
Wanderley fazia parte, assim como Lilo Polimeni, (estudante indaiatubano
assassinado). Wanderley era uma pessoa sempre interessada em conhecer,
produzir, exercitar, e divulgar a cultura da cidade. Seu interesse cultural
era tão grande que se interessou por conhecer uma nova linguagem:
o esperanto.
Como professor do Colégio Dom José Camargo Barros foi
uma marca. Um grande exemplo para seus alunos, principalmente como professor
de Matemática e Geometria. Não era apenas um professor
dessas matérias. Transmitia seu conhecimento cultural, musical
e incentivava seus alunos a se interessar pela ciência.”
Deize Barnabé de Morais é diretora
do Departamento de Planejamento e Administração da Secretaria
Municipal de Educação.
“O MELHOR PAI DO MUNDO”
Depoimentos
da advogada
Adriana Jerusa Peres Ambiel, 27,
filha de Wanderley
“Além de ser meu pai, era
meu grande amigo e, acima de tudo, um mestre. Ele foi fundamental na
formação da minha personalidade. Me ensinou a persistir
em minhas idéias, a pesquisar, a buscar minha realização
material e espiritualmente. Tudo o que sou, devo a meu pai. Se sou uma
pessoa de idéias boas e positivas, é porque ele me proporcionou
isso.
Aprendi a tocar piano porque ele gostava de música, e acho que
ele se realizava a me ver tocar esse instrumento, aprendizado que para
ele foi inviável. Talvez, por isso, quis me dar essa oportunidade.
Achava bonito eu tocar. A música que mais apreciava me ver tocar,
que o deixava extremamente contente, orgulhoso, era a Rapsódia
Húngara número 2, de Liszt. Peça que exige muita
técnica e conhecimento musical elevado, para executá-la.
A homenagem que meu pai está recebendo é verdadeira. Muito
são elogiados por puro interesse, mesmo que pouca contribuição
tenham dado à sociedade. No caso dele não. Está
sendo homenageado pelo que de fato realizou em várias áreas,
pois era um mestre em todos os aspectos. Graças a sua excelente
didática, aprendi, e nunca esqueci, muita coisa em Matemática
e outras áreas do conhecimento.
Quando ele faleceu, eu tinha apenas 23 anos, e, para mim, foi um choque.
Ele morreu muito cedo. Infelizmente foi embora. Todos têm essa
mesma avaliação. Tinha um potencial incrível ainda
para realizar. Se vivesse até os 150 anos, sempre estaria criando.
Era muito ativo. Em tudo que fazia, sempre visava o futuro. Era um homem
excepcional.
Tinha um gênio forte, mas, ao mesmo, comigo, era extremamente
carinhoso. Se percebia que em uma repreensão havia sido enérgico
em demasia, áspero, ou rude, em questão de minutos se
retratava, sabia reconhecer seus próprios erros, fazer rapidamente
sua própria autocrítica.
Foi um homem muito justo. Odiava a corrupção. Passou esses
valores tanto para mim quanto para o meu irmão. No Saae, onde
trabalhou por tantos anos, até hoje, seu nome é uma referência
de conduta. A figura dele é muito presente, muito comentada.
Quando surgem situações de tensão, as pessoas se
perguntam como ele agiria, comparam. Em espírito ele está
sempre presente no Saae.
Mesmo antes de se casar ele já era espírita. E se casou
na igreja católica atendendo um pedido de minha mãe. Padre
Álvaro Ambiel, 68, que celebrou a união, e que era um
padre de mentalidade aberta, sabia que ele era espírita, mas
concordou com a celebração na igreja católica.
Meu pai passou por todas as iniciações, das mais simples,
às mais complexas. Na Eubiose ele se realizou. O núcleo
local da Eubiose tem a tônica dele. Carrega muitos traços
de meu pai. É um exemplo para a Eubiose de todo o mundo. Foi
ele quem formou as primeiras lideranças em Indaiatuba.
Na Eubiose acreditamos que em nossa vida iniciática, dependendo
do merecimento, a pessoa, depois da morte física, ingressa em
um local chamado por nós de Círculo de Resistência
(uma espécie de purgatório), onde se purifica para assumir
novas missões, em novas encarnações na Terra. Nesse
lugar não entra qualquer um. É lá que eu acredito
que ele esteja.
Meu pai amava a natureza, principalmente os animais, os bichos. Vem
dele essa minha paixão pelos cães. Até isso ele
me ensinou. O amor que sinto por meu pai é muito difícil
de descrever. Foi um privilégio ser filha dele.”
Em seu depoimento, Adriana revelou algo marcante, principalmente para
seus alunos na Eubiose. Um mês antes de seu falecimento, Wanderley,
misteriosamente perguntava se tinham algum esclarecimento a fazer, aproveitando
que ele ainda estava entre eles. Hoje, recordando o episódio,
sua filha considera esse fato, como uma premunição que
Wanderley tinha do que iria acontecer com ele. Fato notado não
só por ela, mas por outras pessoas próximas do saudoso
professor, principalmente, nos últimos dias que antecederam sua
morte.
“CORAÇÃO
DE OURO”
Depoimento do artista plástico,
José Paulo Ifanger, 63
“Wanderley era um tremendo amigão.
Uma pessoa de personalidade forte, mas de coração mole.
Um coração de ouro. Nunca na vida me negou absolutamente
nada; desde uma simples conversa até coisas significativas. Só
pessoas que têm coração grande agem assim.. E não
era só comigo. De fato, era “durão” na função
dele, em sua atividade profissional, onde levava tudo muito a sério.
Era uma pessoa de uma cultura até distante da nossa. Muito evoluído.
Intelectualmente avançado. Era difícil acompanhar seus
raciocínios. Sua lógica ficava fora do alcance da gente.
A homenagem que estão lhe prestando é muito justa. Ele
está creditado para ela, principalmente por seu refinado gosto
musical, sua cultura. É plenamente merecedor desse reconhecimento
público.”