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Em 2006, professor de natação
de Indaiatuba enfrentanovamente o desafio de chegar
ao cume do Aconcágua
Adelson
Carneiro Rodrigues, 43, professor de educação física
e técnico de corridas no Parque Ecológico, que reside
em Indaiatuba desde 1994, participou em dezembro passado de uma expedição
desafiadora: tentar chegar ao cume do Monte Aconcágua, de 6.962
metros de altitude, localizado na Província de Mendoza-Argentina,
na Cordilheira dos Andes. Em janeiro deste ano, o Aconcágua –
a mais alta montanha das Américas – ficou bastante conhecido
no Brasil, em razão da morte de mais um brasileiro que ousou
escalá-la: o dentista Eduardo Alvarenga, 40, de Sorocaba, que
em companhia de sua mulher, a jornalista Rita Bragatto, 34, conseguiu
chegar até seu cume e enfrentaram problemas na descida. Eduardo
não resistiu à chegada da noite e a queda da temperatura,
cerca de 30 graus negativos. Nem o helicóptero da equipe de resgate
teve condições de ir até o local onde o dentista
faleceu.

Adelson escalou a montanha
em companhia de
Rodrigo de Campos Salles, 36,
também professor de educação física,
e de Venâncio Mendonça Lessa, 30,
engenheiro mecânico, residentes
em Indaiatuba e São Paulo.
A
aproximação (subida) do Aconcágua teve início
dia 14 de dezembro. Os três começaram a escalada no sopé
da montanha, a uma altitude de 2.400 metros, e levaram três dias
para percorrer 70 quilômetros até chegar ao Campo Base,
a 4.200 metros de altitude, conhecido como Plaza Argentina. Nele, normalmente,
cerca de 200 pessoas estão acampadas se preparando para a grande
escalada, pois na maior parte do ano, há gente subindo e descendo
a montanha. No Campo Base, a equipe de montanhistas indaiatubana chegou
às 15h30. Ali passaram a noite e o dia seguinte descansando.
Depois, iniciaram a escalada até o Campo1, a 5.500 metros de
altitude. “Ao chegar nesse campo é obrigatório o
retorno ao Campo Base, para novo descanso. Dessa forma, o organismo
(tanto físico quanto mental) se adapta as novas condições
do meio. O lema do montanhista é – ‘Escale alto e
durma baixo’ –”, esclarece Adelson.
Imensa
Entre as várias vias de acesso ao topo, eles optaram por uma
das mais dificéis desse trecho: a Via Falsa Polacos, na face
leste da imensa montanha. “Vocês não podem nem imaginar
o tamanho dela!”, relata Adelson. “Nessa altitude, durante
o dia, a temperatura é de 6 graus positivos, e à noite
faz 7, 8 graus negativos.”, complementa.
“Do
Campo 1 para cima é só gelo e rocha, com a temperatura
sempre declinando. Durante o dia, 3 graus positivos e à noite,
15 graus negativos. Para beber ou cozinhar, só aquecendo a neve
para transformá-la em água. Nesta altura, tudo se congela
e o ar é rarefeito, com 50% a menos de oxigênio, o que
faz com que o montanhista tenha dificuldade em respirar. O ritmo cardíaco,
normalmente de 60 batidas por minuto (bpm), aumenta para 85 bpm e o
corpo desidrata com facilidade. É necessário tomar 5 litros
de água por dia. Somando a tudo isso o esforço físico
da escalada, o resultado é um extremo cansaço. No Campo
2, a 6.200 metros, faltando ‘apenas’ 762 metros para o cume
do Aconcágua, é ainda mais frio. Durante o dia a temperatura
é de zero grau e à noite cai para 25 graus negativos”,
relata Adelson.
Bom
senso De volta ao Campo Base, depois de atingir o Campo 1, Adelson passou
a sentir forte dor de cabeça, muita náusea e extrema irritação
psicológica. Chegou até a ter pressentimentos para que
não subisse até o cume. No dia seguinte, como não
se sentia recuperado, decidiu não mais voltar ao Campo 1 e retornar
à cidade de Mendoza, de onde saíra. Inicialmente, pensou
que teria que caminhar novamente durante três dias, mas teve a
sorte do mecânico de vôo do helicóptero da equipe
de resgate, assim como o próprio aparelho, serem brasileiros,
conquistando então uma carona. “Normalmente eles não
levam ninguém”.
Seus companheiros, Rodrigo e Venâncio, porém, subiram novamente
para o Campo 1, para ali ficar uma noite, depois prosseguir para o Campo
2 e, de lá, como se diz na linguagem montanhista, “atacar
o cume”. Em razão também de fortes dores de cabeça
(“incuráveis, que não passam mesmo tomando remédio
apropriados”) eles permaneceram por três noites no Campo
1. “Percebendo que não melhoravam, imperou o bom senso
e eles decidiram por bem descer a montanha. Depois que a gente desce,
todos os sintomas negativos desaparecem. O trecho de acesso ao cume
é o mais difícil e perigoso. Lá em cima quase não
há oxigênio e é preciso estar muito bem psicologicamente,
até mais que fisicamente, para realizar a parte final de toda
a escalada. Já estou preparando a expedição para
ir novamente em 2006. A montanha continua lá à minha espera.
A primeira tentativa foi fantástica. A segunda será ainda
melhor. A paisagem é belíssima, inconfundível,
impressionante! E os desafios da escalada nos torna mais aptos a enfrentar
e resolver problemas do dia-a-dia. Método que tem sido utilizado
por empresários e executivos para obtenção de melhor
desempenho no trabalho. A Cordilheira dos Andes é maravilhosa.
Conhece-se outros costumes. No Campo Base encontrei pessoas dos USA,
Inglaterra, África do Sul, Argentina e Chile.
Quem tiver interessado em se preparar para participar da expedição,
entrar em contato: (19) 9755-8006 ou pelo e-mail acradelson@ig.com.br.
Veja
mais fotos tiradas por Adelson,
em sua ida ao Aconcágua
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“Ataque”
ao cume fora de hora
Na
avaliação de Adelson, o casal de Sorocaba deveria ter
saído do Campo 2, para atacar o cume, no máximo
às 2 horas da madrugada, para lá chegar entre 10
e meio-dia e retornar, para chegar ao Campo 2, no máximo,
por volta das 18h, pois
a temperatura lá no alto chega até a 30 graus negativos.
O trecho é de apenas 762 metros, mas o terreno é
totalmente íngreme. “Pelas informações
que recebi o casal se dirigiu ao topo da montanha pela manhã,
lá chegando depois das 17h – segundo reportagem publicada
no jornal Folha de São Paulo, de 12/01/05. Acredito que
por volta das 19/20h é que iniciaram a descida. Rita sentia
forte dores de cabeça e na perna e sinais de congelamento.
Somente por volta das 19h é que fizeram o primeiro contato
de pedido de socorro à equipe de resgate, que pediu que
descessem um pouco, pois era impossível chegar até
eles, mesmo de helicóptero. Quando começou a anoitecer,
o corpo dele congelou, e aí, infelizmente, já não
havia mais nada a fazer”. O casal foi encontrado pelo guia
norueguês Lars Olso, que conduzia um grupo ao cume, às
7h15, que comunicou imediatamente ao campo base por via rádio
e prestou os primeiros socorros. |