Doutora
Tartaruga
Ter um filho com bronquite asmática é um dos maiores desesperos
dos pais, que assistem as crises sem que possam “respirar”
pelos filhos. Por isso, o número de simpatias feitas para as
crianças é enorme, tanto que até gerou um livro,
A Asma e Suas Simpatias. Mas será que funcionam mesmo? No caso
de Lucas Mattioni Sanches, hoje com 14 anos, parece que sim. A bronquite
apareceu quando ele tinha um ano e meio e as crises eram freqüentes.
Fernanda, a mãe, começou o tratamento médico tradicional
e também o homeopático. Mesmo assim, resolveu procurar
ajuda nas simpatias. Duas delas através de benzedores –
que faziam o trabalho na cidade de Salto.
A mais “visível”, entretanto, foi a da tartaruga,
feita quando Lucas tinha quatro anos. Consiste em adquirir uma tartaruga
de água (hoje a venda é proibida pelo Ibama) e deixar
o aquário embaixo da cama da criança. Fernanda Mattioni
resolveu comprar duas, já que o irmão de Lucas, Rafael,
hoje com 16 anos e que não tem bronquite, também quis
ter uma. “Era impressionante constatar: quando Lucas tinha as
crises a tartaruga dele se debatia, a outra não”, conta
a avó das crianças, Mercedes Aivarone. De tanto se debater,
a primeira morreu. A segunda, comprada em seguida, também durou
pouco. Com pena, Rafael cedeu a dele para o irmão. Esta sobreviveu,
também se debatendo nas crises, que foram diminuindo até
passar completamente. “Quando melhorei minha mãe pensou
até em doá-la para algum parque. Mas pensei bem e resolvi
ficar com ela, afinal, é meu talismã”, brinca Lucas.
A tartaruga, que está com dez anos, cresceu bastante e é
muito esperta. “Quando soubemos que ela na verdade era “ele”,
resolvemos dar o nome de Barrichello, só que ele corria muito
e então resolvemos chamá-lo de Tico”, conta Mercedes,
que hoje cuida do bicho com amor e carinho – come de tudo, recebe
tratamento veterinário e à noite, ao ser chamado, corre
para dormir no lugar reservado à ele.
Crendice
Para Paulo Celso Deltrégia, um dos mais renomados especialistas
em doenças pulmonares, a asma ou bronquite asmática é
um mal que pode aparecer e desaparecer – e voltar muitos anos
depois, ou não. “Os pais, desesperados, dão ouvidos
a crendices populares. A ausência de crises por um grande período,
que é natural na doença, pode coincidir com a simpatia
feita”, explica. Ele não condena, desde que o tratamento
médico seja feito concomitantemente com qualquer simpatia.
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