Mãos
santas
Aos
96 anos, Tia Maria ainda benze
todos
os que a procuraram

Tia Maria ao lado das sobrinhas Conceição Aparecida e
Maria Isabel,
que a adoram
Chegar
quase aos 100 anos com lucidez saúde, rodeada, todo dia, do carinho
e atenção dos parentes e amigos, é privilégio
reservado a poucos. Maria Coltro Zoppi, de 96 anos, está entre
as escolhidas que se fizeram merecedora dessa graça. Apesar da
idade, reside sozinha. Somente durante a noite, a amiga Matilde lhe
faz companhia. Às 7 horas, já está em pé.
Toma seu banho, prepara o café, arruma a casa, faz o almoço,
lava e passa a própria roupa e prepara o jantar. Quando não
está ocupada com os afazeres domésticos, senta-se em sua
cadeira de balanço e aguarda. Já foi uma grande mestra
do crochê, principalmente das sobrinhas, porém, em razão
da miopia, que também não a deixa ler, não pode
mais se dedicar a essa verdadeira arte, não sem antes presentear
netas e sobrinhas com mimosos vestidinhos e casaquinhos. Foi também
uma exímia costureira, atividade com a qual ajudava o marido
no sustento do lar. “Coisa que Deus não me deu foi medo
e preguiça. Não tenho medo de nada. Na roça, eu
trabalhava como homem!”, afirma convicta.
É difícil passar um dia sem que alguém a procure
para benzer lombriga, mau jeito, nervo fora do lugar, tirar quebrando
e mau olhado (inveja). Benze com as mãos e com as orações
que aprendeu há muito e muitos anos com sua comadre Drosiana.
Há casos em que é obrigada a se agachar para benzer, mesmo
que a posição lhe cause alguma dificuldade, pois só
consegue se mover com a ajuda de uma bengala. “Nunca eu disse
não a ninguém”, conta, com humildade. E muitos foram
os que se livraram de dores terríveis e inchaços, depois
de seus passes. De fato, há inúmeros casos de cura que
dão o que pensar, até mesmo para profissionais da saúde.
Não é à toa que suas mãos são consideradas
santas. “Benzo, faço a doação da energia,
e nunca me senti mal”, revela.

Com simpatias que
aprendeu com a comadre
há muitos anos atrás,
Tia Maria, ao lado da neta Angélica Zoppi de Jesus, ainda é
muito procurada
para benzer
Cura Embora tenha sido criada no catolicismo, foi no Centro Espírita
Apóstolos do Bem, quando seus filhos eram pequenos, que se curou
de uma doença desconhecida que a estava matando. Desde então,
passou a freqüentar o local, trazendo também o marido, Vitório
Zoppi, um dos primeiros construtores de Indaiatuba, falecido em 1979,
aos 70 anos, que se firmou na doutrina espírita. Posteriormente,
juntamente com Lutarto Mazzoni, Vitório escreveu um livro psicografado
por espíritos da floresta, recebido por eles nas matas então
existentes nas cercanias de Indaiatuba. Hoje, Tia Maria é mais
eclética. Quando tem companhia, participa de variados cultos.
Na morte e no lugar para onde irá no pós-vida, nem pensa,
pois tem a certeza de estar com a consciência tranqüila.
“Estou pronta; que Ele me leve para onde eu tiver merecimento”,
propõe. Ela gostaria muito de chegar aos 100 anos, “desde
que não esteja esclerosada”, pondera. A respeito do mundo,
depois de todos esses anos de vida, avalia que, infelizmente, “não
tem conserto.”
Com Vitório, de quem sente muita saudade e sempre se encontra
nos sonhos, Maria teve quatro filhos: Edson e Norma, já falecidos,
e Benedito e César. Tem 10 netos e 16 bisnetos. Nasceu em Monte
Mor, mas desde 1911 reside em Indaiatuba. É tia do ex-prefeito
de Salto, Eugênio Col tro. Sua mãe era membro da tradicional
família Ferrarezi. Sua maior alegria, seu maior presente, é
receber a visita dos parentes, a quem faz sempre questão de servir
um cafezinho.
Tia Maria é um exemplo de amor, honestidade, fé, bom humor,
caridade e dedicação, além de ser extremamente
simpática, bonita e carinhosa. Que bom seria poder chegar a essa
idade com todo esse pique e carisma, e, principalmente, benzendo, porque,
bênçãos de pessoas como ela, é que este planeta
precisa em doses cada vez maiores.
|