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BIXO
PARA OS BIXOS PIOLHENTOS


O trote, muitas vezes agressivo, é uma festa de integração dos alunos que entraram na faculdade com os que lá já estão. Parabéns á todos os Bixos por mais essa batalha vencida.

 

Qual é a origem do trote no vestibular?
Ele sempre foi agressivo?

A origem do trote no vestibular vem da idade média, quando os estudantes recém-admitidos eram colocados numa sala chamada vestíbulo ( de onde vem vestibular). Nesta sala os estudantes tinham seus cabelos raspados, medida usada para evitar doenças, principalmente a peste ( cuja propagação, como hoje sabemos, nada tem haver com os cabelos). Naquela época os veteranos também gostavam de fazer brincadeiras com os novatos, nem sempre agressivas.
Hoje a tradição de raspar o cabelo se mantém como um sinal de realização, mas em muitas faculdades os trotes estão mudando para uma integração construtiva dos novos integrantes da vida acadêmica, devido aos maus tratos e agressões que já resultaram em mortes.

Tomar um banho de água fria, rastejar na lama, ficar horas algemado em um poste ou ser obrigado a andar nu por aí certamente não são as comemorações que alguém tem em mente ao entrar na faculdade. Só que, em muitos casos, depois de ter enfrentado o pesadelo do vestibular, o "bixo" ainda tem de encarar esse tipo de "brincadeira", imposta por veteranos sob o disfarce de atividade de integração dos novos colegas: o trote. Felizmente as atividades realizadas com os ingressantes das universidades têm mudado, mas para chegar à grande virada foi preciso, antes, acontecer diversas tragédias (veja abaixo a cronologia dos casos mais marcantes).

Para que a brutalidade de uns não acabasse com a tradição de brincadeiras e festas _que muitos "bixos" esperam e gostam de encontrar nos primeiros dias de aula_, grupos de alunos de algumas faculdades buscaram, por iniciativa própria, práticas alternativas e inauguraram o trote solidário.

Apesar de tímida, essa iniciativa ganhou eco e muitos trotes foram substituídos por campanhas de doação de sangue e de arrecadação de alimentos e de roupas. Em 98, os trotes solidários deixaram de ser iniciativas isoladas e ganharam apoio institucional. Foi neste ano que a Fundação Educar DPaschoal deu início ao projeto Trote da Cidadania com alunos da faculdade de engenharia de alimentos da Unicamp, em Campinas e na FGV e FEA-USP, em São Paulo.

Uma pesquisa da Fundação Educar Dpaschoal realizada no ano de 2000 apontava que 54% das universidades brasileiras já praticavam o trote solidário. Neste ano, também surgiram disque-denúncia e campanhas na internet, na UNE e no metrô. A reitoria da USP encomendou uma campanha da Faculdade de Publicidade e Propaganda, que foi realizada pelos próprios alunos do curso com seguinte slogan “Veterano consciente trata o bixo como gente” em cartazes espalhados pela cidade universitária.
Todas essas frentes surgiram com um só objetivo: o de despertar veteranos e calouros para uma nova forma de integração que fosse acompanhada de consciência social e de participação ativa. O trote solidário, que promove ações voluntárias de veteranos e calouros nos primeiros dias de aula, foi então desdobrado em trote cidadão, trote social, trote cultural e trote ecológico. O que não falta é criatividade para guardar uma boa marca da entrada na universidade: desde que não seja na pele.

 A faculdade unopec Indaiatuba realiza o trote solidário. O  calouro só é dispensado do tradicional trote após fazer a sua  doação de alimentos, tendo como prazo 2 semanas. A partir  da 3° semana toda a faculdade contribui. Repassando suas  doações a entidades carentes

Saiba quais foram os trotes
violentos que ficaram na história

Alguns trotes violentos tiveram grande repercussão durante muitos anos. O último a estar em destaque na mídia foi em 99, quando o calouro da Faculdade de Medicina da USP, Edison Hsueh, foi encontrado morto na piscina da associação atlética dos alunos, no dia seguinte a um churrasco oferecido pelos veteranos.

Veja abaixo uma cronologia de outros
casos que ficaram na história:

- Março de 1980 - O calouro da Universidade de Mogi das Cruzes Carlos Alberto de Souza morre devido a socos na cabeça em um trote. Ele reagiu quando os veteranos tentavam cortar seu cabelo à força

- Março de 1990 - O estudante de direito George Araguaia Parreira Mattos, 23, tem uma parada cardíaca e morre quando tentava fugir de trote, em Rio Verde (Goiás)

- Fevereiro de 1991 - O aluno da 8ª série da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco Júlio César de Oliveira, 16, morre depois de receber três golpes de tesoura ao reagir a um trote.

- Abril de 1992 - O estudante de economia Alexandre Spencer Vasconcelos, 20, é expulso da Puccamp por ter praticado trote violento contra José Ricardo Ribeiro Pinto, 23, que sofreu fratura na mandíbula, amnésia e teve de passar por cirurgia

- Março de 1993 - O estudante Ugo Luís Boatttini Jr., 19, abandona a vaga no curso de engenharia que conquistou na Unesp de Guaratinguetá depois de passar por trote violento. Ele teve um peso de sete quilos preso aos seus órgãos genitais, entre outras agressões

- Março de 1998 - O estudante Rodrigo Favoretto Cañas Peccini, 19, foi internado no Hospital Regional de Sorocaba (SP) depois de ter sido queimado por companheiros da Faculdade de Medicina da PUC-SP durante um trote

- Fevereiro de 1999 - O calouro Edison Hsueh foi encontrado morto dentro da piscina da Associação Atlética Oswaldo Cruz, o clube dos alunos da Faculdade de Medicina da USP, na manhã seguinte ao churrasco de recepção dos aprovados no vestibular


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