Como administrar essa via de mão dupla: a criança, que
sai de casa para entrar num ambiente estranho e, no caso da mãe,
ver seu pimpolho sendo entregue a terceiros? Será que meu filho
vai sentir falta de mim? Vai chorar? Vai ser bem tratado? São
perguntas que todas as mães fazem. Essa angústia maternal
é a que dá mais trabalho, asseguram os diretores de escolas
e pedagogos.
“A mãe muitas vezes não consegue cortar esse ‘cordão
umbilical’ e por isso fica ansiosa”, explica Ercínia
Cortassi Fangel, diretora do Recanto dos Baixinhos, que recebe “alunos”
bebês. Já as crianças de hoje encaram a ida para
o colégio como uma aventura a mais, uma brincadeira diferente,
com amigos novos, ressaltam os coordenadores escolares. As mães
ainda sentem uma espécie de culpa por voltar a trabalhar logo
depois da licença-maternidade, mas sabem que um lugar com bons
profissionais certamente é melhor do que deixar os filhos nas
mãos de babás sem capacidade pedagógica, e que
muitas vezes não são de confiança, como os noticiários
de TV têm revelado. Além disso, há outro fator a
ser levado em conta. “Os tempos mudaram, além dos pais
trabalharem, também as avós estão trabalhando”,
ressalta a psicopedagoga Leonides Curi.

Profissionais
e bebês
no berçário do Objetivo
As mães passam por sentimentos diferentes – ao mesmo tempo
em que temem “abandonar seu tesouro”, se frustram ao notar
que os filhos nem olham para trás, abrindo os braços para
esse mundo novo. “Fiquei chorando por dentro, achando que o Rafael
não ia querer ficar na escola. Que nada, ele ficou feliz da vida
ao se ver rodeado de coleguinhas”, conta Maria Aparecida Ferreira.
O sentimento de culpa dos pais é levado a sério pelas
escolas. “Como observamos esse conflito neles, passamos a disponibilizar
psicólogos para amenizar a ansiedade, principalmente nas mães”,
explica a educadora Loide Boldori, mantenedora do Colégio Objetivo
de Indaiatuba. É consenso entre pedagogos e neurologistas que
quanto mais cedo a criança for inserida em um ambiente educacional,
mais tem a ganhar no futuro. As creches, que eram vistas como locais
em que mães deixam seus filhos enquanto trabalham, são
agora preciosas aliadas na educação inicial.
Benefícios As mães devem levar em consideração
que o ingresso dos bebês nas escolas é salutar, sendo a
socialização um atrativo a mais. “A criança
aprende a dividir, a negociar, a ceder seu brinquedo para o colega e
vice-versa”, ressalta Ercínia. Com tantos colegas, os bebês
aprendem desde pequenos que devem respeitar o próximo –
o choro de um pode acabar acordando os outros. E se meu filhinho chorar,
perguntará alguma mãe aflita.
“Os bebês choram por desconforto: fralda molhada, fome ou
sede. Quando o choro é por dor, nós sabemos distinguir”,
assegura a enfermeira-padrão Adriana Monteiro Teixeira de Oliveira,
responsável pelo berçário do Colégio Objetivo.
Essa diferenciação no choro é detectada nos berçários
escolares porque as profissionais que neles trabalharam, assim como
as mães, têm o ouvido treinado. Além disso essas
supervisoras executam tarefas antes feitas somente pelas mães
ou avós, como a retirada de fraldas ou chupetas, ou o ensino
do uso de talheres. |
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Crianças
e brinquedos
pedagógicos
no
Cata-Vento
Por falta
de tempo, comodismo ou despreparo emocional, muitos pais deixam a serviço
das escolas a formação dos futuros cidadãos. Noções
de higiene, cidadania, preservação ambiental e respeito
ao próximo são valorizadas nos colégios voltados
a alunos da primeira infância (até os sete anos). Esses
valores estão presentes nas escolas sérias, que têm
consciência desse novo papel. Artes plásticas, teatro,
plantio de horta, contato com animais - são algumas das atividades
estimuladas já antes dos dois anos de idade. A meta é
incutir na criança subsídios para um futuro cidadão.
“Um indivíduo que desenvolve caminhos próprios de
expressão é capaz de participar de modo mais efetivo do
seu contexto sociocultural”, avalia a educadora Léia Perini,
da Escola Cata-Vento.
Mercado novo A procura por colégios com berçários
ou maternal 1 (até um ano e três meses) tem aumentado bastante
de cinco anos para cá. E com isso, novas vagas de trabalho foram
abertas. Antes, eram necessários professores e pedagogos. Hoje,
um colégio infantil tem em sua folha de pagamento enfermeiras-padrão,
fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogas. “As escolas
estão tendo que se reorganizar para essa nova realidade”,
ressalta a psicopedagoga Maria Rosângela da Silva. Outra novidade
é que as crianças passam mais horas no ambiente escolar.
Em muitos casos, até 12 horas. Por isso é importante conferir
o perfil da escola a ser freqüentada por crianças tão
pequenas.
Funciona Anos de prática mostraram eficácia no ensino
de idiomas na 1ª infância. Outra língua que não
a materna é mais assimilada se isso for feito de forma natural.
Por isso é que o que o Colégio Santana, de Salto, resolveu
abrir turmas de Educação Infantil com aulas bilíngües.
O inglês foi escolhido porque, mesmo que o Itamaraty tenha resolvido
dispensar o domínio da língua, não há dúvidas
de que povos diferentes se comunicam através do idioma e não
por esperanto, que não “pegou”. “De fato, quem
não fala inglês tem menos chances de subir na carreira
profissional”, avalia Vânia Pitta de Mello Barreto, do Fisk.
É importante iniciar cedo a alimentação saudável.
“Os filhos refletem o que vêem em casa. Se os pais tiverem
alimentação pouco saudável, não adianta
forçar a criança”, ensina a nutricionista Fabiana
Wolf. Hoje, aquela máxima de que “bebê gordinho é
bebê sadio”, está errada. Pesquisas comprovam que
o excesso de peso na 1ª infância pode ser determinante para
obesidade no adulto. Colégios infantis hoje costumam ter hortas,
fazendo do contato com a natureza ponte para a alimentação
saudável. As crianças adoram comer o que plantam, cultivam
e colhem. E aprendem que as verduras são “até”
gostosas. “Com atividades lúdicas e vendo os coleguinhas
comerem, é mais fácil a criança aceitar e experimentar
alimentos que não costuma comer em casa”, completa Léia
Perini.
A educação infantil é um assunto sério,
que precisa estar sempre sendo reciclado, com descobertas neurológicas
ou psicológicas em constante adaptação por pedagogos.
É na 1ª infância que a criança tem noção
do abstrato, de seu lugar na sociedade e de que brincar e aprender podem
ser a mesma coisa. Escolas de Indaiatuba são cientes de seu papel.
Ou seja, cabe à elas o perfil de uma nova geração.
De fazer um futuro sempre melhor.
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E
o afeto?
A psicologia moderna acompanha as necessidades
dos novos tempos. Sabe que os pais, ou mais especificamente as mães,
nem sempre podem abrir mão de um trabalho remunerado para se
dedicar aos filhos. E em vez de deixar suas crianças nas mãos
de babás (que podem até agredir bebês, como foi
mostrado diversas vezes nos noticiários em TVs) preferem colocá-las
em creches ou berçários escolares. “O afeto familiar
é insubstituível”, assegura a psicóloga Rejane
Cristina Bueno Silva, especializada em crianças. Nesses casos,
ela recomenda que é preciso escolher criteriosamente a escola
ou creche. A psicóloga lembra que muitas mães, que não
trabalham fora, também não dão a atenção
que a criança exige – não por serem negligentes,
mas por terem que executar muitas tarefas ao mesmo tempo. Pesquisa feita
recentemente mostrou um dado assustador. Foi pedido a crianças
de diversas escolas para desenharem seus pais e seu lar. A maioria dos
desenhos trazia estampada uma televisão. “É importante
frisar que a TV passa seus próprios conceitos, podendo formar
toda uma geração com determinados padrões, principalmente
se princípios pouco éticos forem mostrados”, acrescenta.
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