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Sigilo
total
“Até
o osso”
O que leva mulheres a contratar esse tipo de serviço? Muitas
vezes é por baixa auto-estima. Achar que é desejada por
um homem (mesmo que sendo pago para isso) a faz sentir melhor. Tem também
a fantasia e a curiosidade. Em outros casos, conforme afirmaram três
entrevistados, é por vingança às traições
dos maridos. “Elas não têm coragem de sair com algum
conhecido, então nos procuram e acham que assim estão
vingadas”, declara Cléber. Entre as clientes fiéis
dos garotos de programas estão mulheres divorciadas e que não
desejam qualquer envolvimento com homens (leia depoimento na página
ao lado). |
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Go-go
boys |
Em dobro Os entrevistados não foram unânimes em relação ao preço do programa. “Depende do que a cliente quer. Muitas delas exigem serviço completo, tipo cama, mesa e banho”, define Marcelo que, assim como Tony, dizem cobrar “de 400 a 800 reais”. Um exagero, garantem outros 17 profissionais procurados pela reportagem. Mas o que leva a uma cobrança tão diferenciada, em dobro? Depois de tentar uma justificativa os dois acabaram confessando que o preço sobe conforme a “baranguice” da cliente. Ou seja, quanto mais bonita, menos paga. Fuçando mais um pouco, ficamos sabendo que, em muitos casos, é preciso fazer uso de “medicamentos” – o que elevaria de fato o preço final do programa. O valor apurado para um programa varia entre 70 a 270 reais. “Muitas vezes temos que viajar com a cliente, que prefere ir a um motel em Ubatuba, por exemplo. São esses fatores que fazem o preço variar”, assegura Diego, que consegue renda extra mensal em torno de dois mil reais. Em seu trabalho oficial – é vendedor – os ganhos muitas vezes são menores do que o recebido nessa outra “profissão”. Os encontros são feitos em locais neutros, em cidades longe de onde as mulheres moram. Alguns profissionais definem aí o preço a ser cobrado. Caso haja concordância, o casal segue para algum motel. Se não houver acordo, a mulher paga mesmo assim pelo programa. É comum haver desistência da cliente na hora H. “Elas se arrependem, pagam e somem”, conta Tony. Já outras, gostam tanto do serviço que dão gorjeta. Diego, que tem anúncios espalhados em várias cidades, revela que o número de telefonemas aumentou depois da publicação das propagandas. “Eles são curiosas, querem saber o que fazemos, como somos e desligam. A maioria torna a ligar, já não tão tímida”, salienta o garoto. Os profissionais do sexo não fazem programas com homens (“Cruz-credo! Que nojo!”), embora aceitem pedidos de maridos para “assistir” a performance da traição da esposa. Pois é, cada louco com sua mania. A maioria dos entrevistados é casada ou tem namorada fixa. As parceiras nunca desconfiaram dessa outra atividade, ahn... profissional. |
Uma quarentona bonita, enxuta, elegante, senta-se num café com a repórter da Revista da Tribuna. Ela aceitou contar suas experiências com garotos de programa, desde que mantivéssemos o anonimato. Profissional liberal de São Paulo, está de mudança para Indaiatuba, onde vem duas vezes por semana a trabalho. “Estou divorciada há 12 anos e prefiro não ter qualquer envolvimento sentimental”, explica. Para ela, é mais fácil recorrer a esses profissionais do que “ir a bares ou baladas”. Mas ela faz uma ressalva: é preciso escolher bem o profissional porque pode haver grande decepção com a aparência física ou nível social. “Na capital, há agências que selecionam o material, vamos assim classificar, e oferecem pessoas de alto nível, com quem podemos conversar ou pedir para acompanhar em eventos sociais. Mas o preço é proporcional à qualidade”, explica. |
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