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Garotos de Programa

Sigilo total

Mulheres invertem papel e
pagam a profissionais do sexo

Quem iria imaginar que numa cidade como Indaiatuba – que muitos ainda insistem em definir como “interiorana” – os anúncios de classificados oferecendo serviços sexuais fossem 100% dirigidos ao público feminino? Sim, em janeiro, três edições de sábado da Tribuna de Indaiá, tinham apenas anúncios de garotos se oferecendo para elas. Já das habituais profissionais voltadas para eles, nenhum. Sinal dos tempos. Em face dessa novidade, resolvemos investigar quem são, o que fazem e o perfil da clientela dos chamados garotos de programa. E ficamos surpresos com o que apuramos.

As clientes são em número maior do que se imagina. Procurar garotos de programa é algo que está se tornando corriqueiro – pelo menos é o que revelam cinco “profissionais” entrevistados pela reportagem. Por motivos óbvios, eles não querem ter seus nomes revelados e sequer o trabalho que fazem no dia a dia – alguns em firmas, outros autônomos. Por isso, vamos usar nomes fictícios.
A prostituição feminina é chamada de “a mais antiga profissão”; e a masculina, já é aceita pela sociedade? Na verdade, o que causa certa estranheza até nos mais modernos é o fato de a mulher sair à luta. Ou melhor, pagar por um programa sexual. Tudo começou nos anos 80, quando uma novela global criou o Clube das Mulheres, uma espécie de striptease light, com homens se exibindo para uma platéia exclusivamente feminina (veja box ao lado). Daí, liberou geral. A clientela dos garotos é ampla, com idades variando de 22 anos a 60. Muitas (“a maioria”, asseguram os entrevistados) são casadas e os maridos nunca suspeitaram dessas escapadas. Divorciadas e viúvas também procuram os serviços. Em geral, são mulheres com boa situação econômica (é preciso ter um carro, por exemplo) e elevada escolaridade.

Como são os garotos de programa? Não são nenhum “Apolo” ou Gianechinni. São comuns. É possível dizer que esbarra-se na rua com alguns deles sem sequer imaginar que façam esse tipo de trabalho. Alguns se dizem “universitários”, mas não é possível confirmar a informação. O traço comum em todos os entrevistados é o corpo “marombado” do praticante de ginástica ou musculação.
Marcelo faz programas há dois anos e meio. É alto, olhos verdes, cabelo loiro e corpo “sarado”. O nível escolar é médio, mas ele procura se refinar para atender às exigências da clientela, que tem padrão social elevado. Alfredo tem barriga tipo “tanquinho”, é alto, cabelos escuros e pele morena, faz um tipo que lembra peão de boiadeiro. Já Diego – loiro e com olhos claros – se encaixa mais no perfil de “carente”, desses que as mulheres querem proteger; tem estatura mediana, e está no peso certo, sem ser magro. Tony poderia ser descrito como um motoboy. Cléber é bem bronzeado, quase mulato, com olhos verdes e cabelo cortado bem curto. André tem 23 anos, tem 1,80m, moreno-claro e musculoso. E Roberto, 25, universitário, é alto e malhado. Os dois últimos fazem serviço de escort, ou seja, companhia em festas ou eventos, que pode ou não incluir envolvimento sexual. Todos usam camisinha e tomam muito cuidado com a higiene e saúde. “É nosso instrumento de trabalho, temos que zelar pelo nosso corpo”, brincam.

“Até o osso” O que leva mulheres a contratar esse tipo de serviço? Muitas vezes é por baixa auto-estima. Achar que é desejada por um homem (mesmo que sendo pago para isso) a faz sentir melhor. Tem também a fantasia e a curiosidade. Em outros casos, conforme afirmaram três entrevistados, é por vingança às traições dos maridos. “Elas não têm coragem de sair com algum conhecido, então nos procuram e acham que assim estão vingadas”, declara Cléber. Entre as clientes fiéis dos garotos de programas estão mulheres divorciadas e que não desejam qualquer envolvimento com homens (leia depoimento na página ao lado).
Algumas buscam afeto; outras, aventura. Mas segundo Tony, elas querem sexo mesmo. “E são assanhadas. Já que estão pagando o filé-mignon, exigem o melhor, roem até o osso”, exagera, deixando escapar uma dose de preconceito.

Go-go boys
O Clube das Mulheres dos anos 80, que foi febre em muitas
cidades, inclusive Indaiatuba, evoluiu para um divertimento extra nas festas de aniversários só para luluzinhas. A Dora’s Models, agência de modelos e manequins, elaborou um cardápio diferente, que está sendo muito bem digerido pelas mulheres. Show com go-go boys fantasiados de bombeiros, cowboys, ou marinheiros.
Eles entram na festa restrita ao público feminino, dançam e fazem performance sensual. “Para isso, precisam estar em forma, superlimpos, cheirosos e, muitos deles, com o tórax e costas depilados”, explica
Dora Badinger. “Podemos até oferecer um belo rapaz
saindo de um bolo”, acrescenta divertida. Ela acha que a brincadeira não deve ser encarada com preconceito, já
que é uma atração a mais numa festa feminina.
Ela lembra que os homens já fazem isso há muito tempo,
“a dança-do-ventre estava presente em todas as festas masculinas”. O problema, diz, é manter o nível
profissional e nunca confundir as atividades.


Em dobro
Os entrevistados não foram unânimes em relação ao preço do programa. “Depende do que a cliente quer. Muitas delas exigem serviço completo, tipo cama, mesa e banho”, define Marcelo que, assim como Tony, dizem cobrar “de 400 a 800 reais”. Um exagero, garantem outros 17 profissionais procurados pela reportagem. Mas o que leva a uma cobrança tão diferenciada, em dobro? Depois de tentar uma justificativa os dois acabaram confessando que o preço sobe conforme a “baranguice” da cliente. Ou seja, quanto mais bonita, menos paga. Fuçando mais um pouco, ficamos sabendo que, em muitos casos, é preciso fazer uso de “medicamentos” – o que elevaria de fato o preço final do programa.
O valor apurado para um programa varia entre 70 a 270 reais. “Muitas vezes temos que viajar com a cliente, que prefere ir a um motel em Ubatuba, por exemplo. São esses fatores que fazem o preço variar”, assegura Diego, que consegue renda extra mensal em torno de dois mil reais. Em seu trabalho oficial – é vendedor – os ganhos muitas vezes são menores do que o recebido nessa outra “profissão”.

Os encontros são feitos em locais neutros, em cidades longe de onde as mulheres moram. Alguns profissionais definem aí o preço a ser cobrado. Caso haja concordância, o casal segue para algum motel. Se não houver acordo, a mulher paga mesmo assim pelo programa. É comum haver desistência da cliente na hora H. “Elas se arrependem, pagam e somem”, conta Tony. Já outras, gostam tanto do serviço que dão gorjeta. Diego, que tem anúncios espalhados em várias cidades, revela que o número de telefonemas aumentou depois da publicação das propagandas. “Eles são curiosas, querem saber o que fazemos, como somos e desligam. A maioria torna a ligar, já não tão tímida”, salienta o garoto.

Os profissionais do sexo não fazem programas com homens (“Cruz-credo! Que nojo!”), embora aceitem pedidos de maridos para “assistir” a performance da traição da esposa. Pois é, cada louco com sua mania. A maioria dos entrevistados é casada ou tem namorada fixa. As parceiras nunca desconfiaram dessa outra atividade, ahn... profissional.

Sem se envolve

Uma quarentona bonita, enxuta, elegante, senta-se num café com a repórter da Revista da Tribuna. Ela aceitou contar suas experiências com garotos de programa, desde que mantivéssemos o anonimato. Profissional liberal de São Paulo, está de mudança para Indaiatuba, onde vem duas vezes por semana a trabalho. “Estou divorciada há 12 anos e prefiro não ter qualquer envolvimento sentimental”, explica. Para ela, é mais fácil recorrer a esses profissionais do que “ir a bares ou baladas”. Mas ela faz uma ressalva: é preciso escolher bem o profissional porque pode haver grande decepção com a aparência física ou nível social. “Na capital, há agências que selecionam o material, vamos assim classificar, e oferecem pessoas de alto nível, com quem podemos conversar ou pedir para acompanhar em eventos sociais. Mas o preço é proporcional à qualidade”, explica.


 

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