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Por CYNTHIA SANTOS
Um filhote de cachorro é uma graça e cativa até aqueles não têm muita afeição por animais. Às vezes, por impulso, acaba-se adquirindo um, mas as despesas periódicas com ração, banho, vacinas, veterinário, entre outros, acabam trazendo o arrependimento, que, consequentemente, leva ao abandono. Por isso, é importante colocar na ponta do lápis todos os gastos com um animal, seja de pequeno ou grande porte, antes de se aventurar a ter um.
Nem só de carinhos e brincadeiras vive um cachorro. Desde pequeno, um animal representa uma série de despesas e cuidados especiais, para que cresça saudável. Pode ser exagero, mas, para muitos, cães são comparados a filhos, devido aos gastos constantes. A comparação faz algum sentido quando pega-se uma calculadora para se descobrir as despesas mensais.
Os gastos com um animal de raça já começa na aquisição. O veterinário Fernando Bonjorno (foto) explica que o preço varia conforme a raça, o porte e o criador. “Um Yorkshire com pedigree, por exemplo, custa no mínimo R$ 700. “Tem raça mais exótica que chega a R$ 1,5 mil um filhote”, diz. “Se for fêmea, é mais caro.” Já um Chow-chow, cão de grande porte de origem chinesa, pode sair por R$ 1 mil.
A partir da compra, o primeiro passo indicado ao dono é levar o animal a uma consulta com um veterinário. “Esta visita é importante, principalmente para quem nunca teve cachorro, para saber se está tudo bem”, enfatiza Bonjorno. Aí já vem o primeiro gasto: cada consulta custa de R$ 40 a R$ 60.
Nesta primeira visita, já é recomendado ministrar as duas primeiras doses de vermífugo. No caso de animais pequenos, o custo é de R$ 20; para os grandes a despesa será de R$ 40. Além disso, há as vacinas chamadas “obrigatórias”, contra a raiva, que custa R$ 30, e a V10, contra uma série de doenças. Esta deve ser ministrada em três doses, com intervalo de 21 dias, e o custo é de R$ 40 a R$ 50 cada. Depois da primeira vacinação básica, o dono deve levar o animal para ser imunizado uma vez ao ano contra a raiva e receber a vacina V-10.
Bonjorno enfatiza a importância das visitas periódicas ao veterinário, para a detecção de problemas com o cachorro. “É recomendável que a cada seis meses o dono leve seu cão para um consulta, porque às vezes ele está com o começo de alguma doença, mas o dono não vê.” O veterinário orienta que seja ministrada uma vacina no primeiro e terceiro trimestres do ano e que as consultas sejam realizadas no segundo e quarto trimestres. “Quando o animal vem receber a vacina ele já é examinado, mas geralmente os veterinários não cobram”, esclarece. Os donos de animais de pequeno porte, no entanto, visitam o consultório com mais frequência, garante Bonjorno. “No máximo a cada dois meses”, revela.
Mimos
Feita a visita ao veterinário e dadas as vacinas de praxe, é chegada a hora de adquirir alguns itens básicos para o filhote, como ração, vasilhas para alimento e água, e uma casinha ou uma cama. A casinha é mais comum para os animais que dormem no quintal, em geral os de grande porte. Mas há também opções para os pequenos. O preço varia de R$ 50 a R$ 100. “No caso da casinha de madeira, o dono precisa tomar cuidado e colocar em lugar coberto, porque quando chove ela fica úmida e favorece o surgimento de fungos”, alerta o veterinário.
Há também a ração apropriada para cada tipo de cão. Para o animal de pequeno porte, o quilo pode sair por até R$ 20. “Este é o preço da ração para o Maltês, que é um animal mais sensível”, diz. Uma ração “boa” para um cachorro de grande porte pode ser encontrada a R$ 5 o quilo. Um pacote com 15 quilos tem custo médio de R$ 80 e dura cerca de 20 dias. O veterinário enfatiza que o correto é oferecer somente ração ao cachorro. “Alimentos com muito tempero podem dar gastrite ou provocar uma queda de imunidade do animal”, esclarece. “Além do mais, depois que o cachorro experimenta comida, não quer mais saber de ração.”
Para armazenar a ração e a água, há diversas opções, desde tigelinhas de plástico, com preços a partir de 1. Para os animais de grande porte, são recomendados os comedouros de alumínio, com base de concreto, para evitar que o recipiente seja destruído.
Limpeza
Os cuidados com a higiene do cachorro também não podem ser esquecidos. O banho e tosa semanais custam de R$ 10 a R$ 35, dependendo do “estado” do cachorro. “Se for Poodle, por exemplo, pode chegar todo sujo, com nós nos pelos e aí o trabalho leva mais tempo”, justifica. Há também a opção de se comprar xampu, no caso dos animais de grande porte, até pela dificuldade em transportá-los até a clínica. O custo de cada vidro é de R$ 10. Já o sabonete custa R$ 7 e o talco R$ 10.
O controle de pulgas e carrapatos é imprescindível e nem sempre é possível evitar estes parasitas, mesmo mantendo a limpeza do cãozinho. O gasto mensal é de aproximadamente R$ 30. “O dono também tem que desinfectar a casa, senão acaba com o efeito do remédio”, lembra. “Pulgas e carrapatos são mais comuns no verão e mesmo os que só ficam em casa correm o risco de pegar quando saem para um passeio.”
Não são só os pelos é que precisam de limpeza. Principalmente nas raças pequenas, é comum o proprietário contratar o serviço de remoção de tártaro. O custo vai de R$ 100 a R$ 200 e a periodicidade varia de acordo com o animal, podendo ser feita até a cada quatro anos. Para minimizar o problema, também é recomendado dar ao cachorro ossos à base de raspa de couro, ração dura e biscoitos para prevenção de tártaro, a R$ 10 o pacote. “A ração mole tem predisposição de ficar parada entre os dentes”, orienta.
A remoção de tártaros entra no rol das despesas esporádicas, assim como exames da saúde do animal. A mesmo forma como um ser humano, uma cadela pode passar por um “pré-natal”. O ultrasson custa R$ 80 aproximadamente. “Muitas vezes, para fechar o diagnóstico, é importante fazer alguns exames e até internar o animal”, argumenta Bonjorno. Um hemograma, por exemplo, custa R$ 20. A diária da internação custa de R$ 30 a R$ 60, dependendo da medicação utilizada no tratamento. Animal cujo dono não faz acompanhamento regular pode ter tratamentos de saúde mais caros. “Muitas vezes quando o dono vem trazer, o animal já está muito ruim”, conta. “É um erro também tentar resolver o problema sozinho, ministrando qualquer medicamento.”
Um procedimento bastante procurado em clínicas veterinárias é a castração. Os preços variam de R$ 80 a R$ 100 para machos até dez quilos e de R$ 150 a R$ 170 para fêmeas. Engana-se quem pensa que os gastos param por aí. Os preços de brinquedinhos para o cachorro variam de R$ 3 a R$ 20, os mais simples. Há ainda coleiras, que custam em média R$ 15; e roupinhas, de R$ 10 a 25.
Bonjorno lembra que é preciso levar em consideração estes custos antes de adotar um animal. “As pessoas, pegam, acham bonito, mas começa a ter gasto com ração, vacina e doenças e acaba abandonando”, observa. As despesas são consideráveis. Agora, basta colocar na balança os gastos e benefícios de se ter um animalzinho em casa. Às vezes, a satisfação de ser ter um companheiro fiel não tem preço.
Então vá em frente e boa sorte!
Na ponta do lápis*
Custo inicial
Item Pequeno porte Grande porte
Animal de raça R$ 700 R$ 1.000
Consulta veterinário R$ 40 R$ 40
Vermífugo R$ 20 R$ 40
Casinha R$ 50 R$ 100
Ração R$ 80 R$ 100
Primeiras vacinas R$ 150 R$ 180
Comedouro e bebedouro R$ 1 (cada) R$ 20 (cada)
Total R$ 1.042 R$ 1.500
Custo anual
Item Pequeno porte Grande porte
Consulta veterinário R$ 80 R$ 80
Vacinação anual (raiva) R$ 30 R$ 30
Vacinação anual (V10) R$ 40 R$ 50
Controle de pulgas R$ 360 (R$ 30/mês) R$ 360 (R$ 30/mês)
Banho e tosa semanais R$ 1.000 R$ 1.750**
Total R$ 1.510 R$ 2.270
Custo variável
Item Preço
Castração R$ 80 a R$ 170
Roupinhas R$ 10 a R$ 25
Brinquedos R$ 3 a R$ 20
Coleira R$ 15
* Preço médio na Agropecuária Bonjorno
** Alguns donos preferem dar banho em casa