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Super-Mulheres


Elas optaram por profissões tipicamente
masculinas demonstrando sua força,
competência e paixão pelo trabalho


:: Por TATIANE QUADRA

O Dia Internacional da Mulher é intimamente ligado à questão do ingresso feminino no mercado de trabalho. Isso porque, a data foi criada em homenagem a 129 operárias que morreram queimadas em uma fábrica de tecidos. Elas faziam uma manifestação em prol da redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença-maternidade. O incêndio, que foi resultado da ação da omem”, prepare-se para mudar seus conceitos.polícia, ocorreu em 8 de março de 1857, nos Estados Unidos da América (EUA). Passados quase 152 anos do fato, a mulher alcançou diversas conquistas no setor profissional, mas ainda batalha pela igualdade de gêneros, afinal, exerce as mesmas funções com notável competência. E se você é daqueles que ainda acha que tem serviço que “é para h

O próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) declara que foi “longo” o caminho das mulheres na busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional. Afinal, ainda no fim do século dezenove, as mulheres sozinhas, sem marido, eram consideradas um problema social, por conta da preocupação política com o mercado de trabalho. E os homens tinham razão em se preocupar, afinal, a mulher demonstrou que é capaz de realizar exatamente as mesmas tarefas. Apesar disso, o reconhecimento ainda caminha a passos lentos. Segundo um levantamento do IBGE divulgado no início deste ano, mesmo com os avanços, em 2008 as mulheres ainda ganhavam apenas 70% dos salários dos homens, nas seis regiões do país. Ainda de acordo com outra pesquisa do instituto, a escolaridade não garante melhores condições, já que uma mulher com curso superior ganha, em média, 40% menos que um homem na mesma função. E não para por aí, já que além do trabalho remunerado a mulher ainda atua dentro de casa. Análises do IBGE chamam atenção para a dupla jornada feminina, principalmente na região Sudeste do país, onde a carga de trabalho é mais elevada. Apesar da jornada masculina ser maior que a feminina, somando os afazeres domésticos e os profissionais, superamos os homens em quase cinco horas por semana.

Mas, mesmo que aos poucos, as mulheres têm conquistado seu espaço no mercado, inclusive em profissões de vocação masculina. Apesar de algumas dificuldades, elas provam que possuem competência para desempenhar as funções de forma igual, ou muitas vezes superior, que os homens. Afinal, contamos com o ingrediente extra da sensibilidade feminina. Conheça algumas mulheres que são exemplos de atuação em áreas diferentes das quais estamos habituados a ver. O que elas têm em comum? A paixão pela profissão.


Do alto de um trator

Cruzei com Edeusa Leme Escalise, 36 anos, no portão da Secretaria de Urbanismo e do Meio Ambiente. Ela saía para a rua, toda sorridente, com sua ferramenta de trabalho: um trator. No mesmo instante que me viu, gritou para que eu subisse. Eu hesitei e ela insistiu, quase que brigando comigo, me desafiando a ser corajosa como ela: “Ah, suba logo!” Eu subi, e me surpreendi com a mulher que encontrei pilotando aquela máquina rústica de forma tão habilidosa. Além de competente, é espontânea, alegre e extremamente simpática. “Eu sou sempre assim”, conta. “Meus filhos falam que eu sou meio ‘doidinha’, mas admiram meu trabalho.”

Divorciada, mãe de três filhos, Edeusa trabalha na Prefeitura como operadora de máquinas há seis anos. Passou em segundo lugar no concurso e entrou para a Administração Municipal no dia do próprio aniversário. “Foi meu maior presente. Tenho minha profissão com a maior alegria, adoro o que faço e faço com carinho”, afirma. “O que eu mais gosto é de mexer mesmo com a máquina. E meus colegas me respeitam muito.”

Edeusa aprendeu a guiar a retroescavadeira com o pai, que tinha um porto de areia. “Minha mãe dirigia o caminhão, e meus pais foram ensinando o trabalho aos filhos, para ela poder parar. A minha irmã, por exemplo, trabalha até hoje como carreteira de uma empresa”, revela. “Mas meu pai se mudou e levou a máquina dele com ele. Tentei continuar trabalhando com isso, mas as empresas não chamavam, acho que era por preconceito.” Ela arrumou um emprego de frentista de posto de combustível, até que surgiu a oportunidade do concurso, e diverte-se a lembrar que, apesar de ser habilitada, descobriu apenas na Prefeitura que trator possui freio. Até então, achava que não existia, e teve que aprender a guiar sem o dispositivo. “Acontece que, até então, eu só tinha trabalhado com a máquina do meu pai, que não tinha freio. Mas ele me dizia que era porque não existia freio em trator”, recorda. “Quando me contaram a verdade dei até risada e liguei para meu pai e disse: ‘o senhor me enganou, pois máquina tem freio sim!’ Ele me respondeu que se me contasse que era a dele que não tinha, eu ia ficar com medo e não ia querer dirigir.”

Edeusa se orgulha em contar que o filho de 18 anos também já trabalha como operador de máquinas, mas não considera a profissão masculina. E gosta tanto de se cuidar, que aprendeu a fazer a unha e cabelo, e nos fins de semana trabalha em um salão de beleza. Durante semana, carrega areia, busca massa com caminhão, tampa buraco de asfalto nas estradas. No sábado e domingo, atua na estética. “Eu sempre gostei de andar bem arrumada”, conta. “Não é porque estou em cima de uma máquina que vou andar como homem. Tenho que mostrar que sou guerreira, mas feminina. E não acho que tem nada de mais minha profissão.”

 

Carteira - O desafio das ruas

Atualmente, não é tão surpreendente ver uma carteira andando pelas ruas da cidade. Mesmo assim, ainda são poucas mulheres que exercem essa função nos Correios. Em Indaiatuba há apenas nove, dentre 73 profissionais. Roseli José Betinatti, 38 anos, foi a primeira mulher carteira de nosso Município, e ingressou nesta carreira há 12 anos, após prestar o concurso. “Eu estava trabalhando há um mês na antiga Zona Azul e ouvi o anúncio na rádio, foi quando resolvi ser carteira”, relembra. “Meu ex-marido falou que eu era louca, pois não existia carteira. Me informei na agência e eles disseram que eu podia. Fui a única mulher de Indaiatuba a prestar o concurso, e foi até uma audácia minha. Tinha nove vagas, e eu decidi que uma era minha.”

Roseli conta que no início as pessoas ficavam surpresas quando viam uma mulher entregando as correspondências. “As pessoas achavam o serviço pesado demais para nós, mas com o tempo acostumaram”, diz. “Somos bem aceitas neste mercado e acho que esta é mais uma profissão que a mulher conseguiu conquistar.” Mas, inegavelmente, a rotina é pesada e exige agilidade. Cada carteiro possui uma área a ser coberta e faz a separação das cartas do território que abrange, depois trabalha quatro horas por dia nas ruas, percorrendo diariamente de 8 a 10 quilômetros.

A carteira já trabalhou em toda a cidade, a pé e de moto, mas atualmente circula de bicicleta na área central e no bairro Castelo Branco. “É corrido, tem que ser elétrica, ter boa resistência e amor ao trabalho. Não é questão de horário, temos que cumprir o serviço do dia, ter comprometimento com o morador”, explica. “A maior satisfação é o reconhecimento da população, a alegria que eles têm em receber o carteiro na porta de casa, pois acham bonito, as crianças gosta, nós adquirimos nas ruas muitas amizades e somos reconhecidos, mesmo anos depois. Se o carteiro precisar de algo as pessoas sempre estão disponíveis a ajudar.”

Segundo Roseli, as maiores dificuldades são a falta de local para colocar a correspondência e os cachorros, sendo que ela já foi mordida. “Em dia de chuva temos um trabalho a mais para a carta chegar seca, e na casa ela acaba molhando por falta de caixa”, lamenta. “Em dia de muito sol a gente não para, se pensar muito você não vai, então tomamos muita água, passamos protetor solar e usamos boné. Tem que se cuidar.” Como mulher, ela comenta que apesar do uniforme, é bastante vaidosa. “Não dispenso o brinco e o batom antes de ir para a rua”, ressalta. “É um serviço masculino mas não deixo de ser feminina, e o carteiro é o cartão de apresentação dos Correios.”

A trabalhadora lembra que tem jornada dupla, já que é casada e tem dois filhos, sendo um de 17 e outro de três anos. “Mas eu consigo conciliar tudo. Mulher é mais forte que o homem, consegue ter várias tarefas e dar atenção a família e aos filhos”, garante. “Me considero uma mulher forte e enfrentei aqueles que me olhavam diferente. Muitos ainda não aceitam as mulheres em profissões diferenciadas, mas nós alcançamos a capacidade profissional e assumimos cargos que antes eram somente para homens, e o fazemos muito bem.”



No comando da fábrica

Não é de hoje que a mulher atua no chamado “chão de fábrica”. Mas que dizer de uma gerente industrial, que seja responsável por toda a área técnica de uma empresa? Quem conhece este meio, sabe que a situação não é comum. Por conta da necessidade do conhecimento não só administrativo, mas também o técnico, que normalmente este tipo de cargo é ocupado por homens. Porém, a situação é diferente na Innara - Indústria Nacional de Aramados, que fica estabelecida no Distrito Industrial de Indaiatuba. Lá, quem comanda os trabalhos realizados por cerca de 160 funcionários é Silvana Aparecida Sant’Ana Forner, 40 anos, que é casada e tem uma filha de 12 anos. “É mais comum encontrar mulheres no setor administrativo, normalmente elas não entram na área técnica”, admite.

Silvana entrou na indústria aos 17 anos para trabalhar como auxiliar de escritório, mas foi atraída pela tecnologia e em um ano já atuava como técnica de qualidade, “Era uma caldeiraria que trabalhava com tecnologia de ponta”, relata. “Fiz cursos de solda e de leitura e interpretação de desenho mecânico para entender tudo aquilo e depois decidi fazer faculdade de engenharia de produção mecânica. Escondi meu curso por cerca de um ano do meu pai, que não concordava com o estudo.” Em sua turma de 80 alunos havia apenas duas mulheres, e a outra desistiu do curso universitário após seis meses. Mas Silvana persistiu, e no trabalho passou pelas funções de técnica, coordenadora e gerente de qualidade.

Depois, passou a dar consultoria a empresas de diversos segmentos, como ferramentaria, estamparia, usinagem de alta precisão, calderaria, linha branca, extrusão e refusão de metais e automotivo. “Fui indicada para atuar como gerente de qualidade na Innara, onde entrei em 2006. Mas, de repente, estava me envolvendo com tudo e já tinha prática”, recorda. “Fui oficializada como gerente industrial há uma ano. E em minha experiência como consultora, atuando em diversas empresas, não conheço outra mulher neste cargo.”

Atuação
A profissional comanda todos os setores técnicos da fábrica, incluindo projetos, engenharia, processos, qualidade, planejamento e controle da produção, logística, produção, laboratórios químicos e de medição. Ela gerencia oito coordenadores que respondem pelos resultados de toda a empresa e, acima do cargo dela, há apenas o diretor, que está mais voltado para a área comercial. Mulher bonita, elegante e inteligente, Silvana impressiona pela ótima capacidade de se expressar. “As pessoas realmente se surpreendem. Várias vezes me parabenizam pelo resultado de uma reunião, por minha forma de condução. E normalmente há somente homens, é difícil encontrar mulheres”, confirma. “O serviço é de alta responsabilidade, já que os resultados da empresa vem do meu trabalho. Exige bastante, e tenho que ficar ‘ligada’ 24 horas por dia, já que são muitos assuntos ao mesmo tempo. Mas faço com paixão, pois sempre adorei esta área.”
A gerente revela que sentiu preconceito de gerentes de outras empresas e o questionamento de sua capacidade. Mas, por outro lado, já houve casos de após se tornar companheira profissional, a pessoa admitir o preconceito anterior e revelar que passou a admirá-la. “Mas o maior preconceito vem das próprias mulheres. Porque os homens são práticos e eu também o sou. O importante é apresentar resultados positivos, e eles até elogiam a organização da minha empresa”, comenta. “Depois de um ano no cargo recebemos um prêmio de qualidade. Tenho uma equipe maravilhosa e me orgulho de ter conseguido formá-la.” Para ela, a parte mais satisfatória do trabalho são os resultados internos e externos alcançados pela empresa, além da conquista do respeito dos demais profissionais. “É gratificante ter o poder de negociação e conseguir fechar bons negócios, ter bases para discutir”, ressalta.
Questionada das dificuldades, Silvana pensa muito e demora a responder. “Acho que o maior desafio da mulher é alcançar seu espaço dentro do mercado, e depois de conciliar todas suas responsabilidades e atribuições. Temos que ser mãe, esposa, profissional, e nos preocupamos com a casa, a escola e o próprio estudo”, argumenta. “Eu consigo fazer tudo porque tenho apoio do meu marido que me compreende e respeita minha profissão. Não é fácil, não tenho horários e viajo muito.”
Silvana acrescenta que as mulheres devem seguir sua intuição para a profissão e deixar ela fluir, mesmo que seja em diferentes áreas. “É uma honra para mim poder falar da mulher enquanto profissional. Eu gostaria de ver outras comandando fábricas e equipes”, finaliza.

Mulher ao volante

Valquíria Silva é tão vaidosa que não gosta de contar a idade. Tem 32 anos, mas prefere dizer que tem 30. Porém, esses últimos dois anos fizeram diferença na vida desta mulher, que desde então é a única taxista de Indaiatuba. “Pode perguntar ao Demutran (Departamento Municipal de Trânsito), não há outra”, orgulha-se.

Casada com um taxista, que atua no ramo há mais de seis anos, Valquíria conta que sempre “amou” dirigir. O marido então comprou um ponto de táxi e colocou no nome dela, passando a influenciá-la para entrar na profissão também. “Percebi que era um trabalho ótimo, uma profissão limpa”, explica. “Mas o mais gostoso é que o trabalho nunca é monótono. A cada dia temos contato com pessoas diferentes e quase todos gostam de conversar, de contar da vida, e eu adoro ouvir. Não pretendo largar meu trabalho nunca.”

A taxista é dedicada ao trabalho. Atua no Centro Esportivo e na Prefeitura e começa o expediente a hora que o telefone toca, entre às 5 e 6 horas. Porém, faz plantão pelo celular e atende na hora que ligam. “Trabalho praticamente 24 horas por dia. Quando os clientes ligam eu levanto e vou. Trabalhei no Natal e no réveillon meu telefone tocou exatamente à meia noite”, comenta. “O dia que eu mais descanso é de domingo, que dou uma pausa de pelo menos 4 horas. Tenho muitos clientes, mas apesar de ser uma profissão puxada não acho cansativo.”


Pessoal
Valquíria admite que não dispõe de tempo para a família, mas mesmo assim sempre procura estar com o marido. “Estamos sempre juntos, nos falando, nos ligando”, diz. “Temos que ter um momento para nós dois. E também não deixo minha vaidade de lado, vou sempre ao cabeleireiro fazer as unhas, escova, hidratação, massagem. Tenho que andar bem arrumada e sempre que posso me olho no retrovisor. A aparência, o modo de falar e a educação passam confiança ao cliente.”

A trabalhadora conta que são mais as mulheres que andam de táxi, e que tem diversas clientes fixas, principalmente senhoras. “Homem é raro entrar, só quando precisa mesmo”, fala. Também afirma que não tem o que reclamar da profissão. “O mais difícil são as pessoas que não sabem dirigir direito e atrapalham o trânsito, deviam ter mais atenção”, enfatiza. “Cansa o trânsito nas rotatórias, os erros das pessoas. Vejo muitos mal motoristas na cidade.”

Valquíria garante que tem um cuidado “excepcional” ao volante, principalmente pa­ra observar as preferenciais das ruas, que é onde costuma ocorrer os acidentes de trânsito. Por conta disso, recebe elogios, principalmente dos homens, e se dá bem com os colegas de profissão. “Eu não sinto nenhum tipo de preconceito. Sou mulher e sei que tem muitas que comentem falhas no trânsito, principalmente ao estacionar e sair da vaga, mas também que dirijo bem e nunca ouvi críticas”, afirma. “Acontece bastante das pessoas olharem admiradas. Brincam que sou bonita, que vão pegar meu táxi.”


Coragem e amor pela farda


Há 21 anos Maria José Tardin, 45, trocou uma profissão tipicamente feminina, por outra de características bastante masculinas: deixou as salas de aula e ingressou na Polícia Militar (PM). A decisão não foi motivada pela coragem. A professora de história dava aulas no Estado mas não era efetiva, e queria ter um emprego fixo. Quando soube do concurso fez a inscrição, imaginando que exerceria funções administrativas. “Eu morava em Martinópolis (SP) e lá não tinha PFem (Policial Feminina), então eu não conhecia o trabalho”, esclarece.

Ela fez o curso preparatório durante seis meses em Bauru, quando conheceu o trabalho e gostou. “Senti afinidade com a profissão. Então vi que é diferente estar dentro da corporação e ser um cidadão expectador”, ressalta. “O que me chamou mais a atenção foi justamente o fato de eu me comprometer em dar minha vida pelo próximo. Isso fundamentou minha escolha. Porque o policial não mede esforços, além de dar assistência, ajudar, orientar.”

Desde então, Maria José já atuou em todos os setores, incluindo o administrativo, atendimento de ocorrências, policiamento ostensivo e preventivo, na área do trânsito e em posto rodoviário. Mas, há dez anos ela uniu as duas profissões que escolheu na vida, e tornou-se coordenadora e instrutora do Programa de Educação de Resistência às Drogas e a Violência (Proerd), que ministra aula nas escolas sobre cidadania, deveres, base familiar, entre outros.

“Mas você não fica isento das ruas, não deixa de ser policial. Porque eu ando fardada e armada, e caso me depare com alguma ocorrência vou ajudar. Neste momento você é um profissional, independente do sexo”, esclarece. “Além disso temos que atender em escalas, como no carnaval e nas eleições. Mas eu me identifico com o Proerd porque acredito no trabalho preventivo. O papel da PM não é só repreender.”

A PFem, que possui duas filhas, lembra quando uma delas ganhou um concurso de redação ao escrever que tinha orgulho da mãe ser policial, mas o receio de ela não voltar do trabalho. “Ela me conta que tem esse temor até hoje”, relata. “Mas eu não tenho medo desse tipo de situação. Durante uma ocorrência não dá nem tempo de pensar, o comprometimento é maior e estamos preparados para o risco constante, escolhemos este trabalho. Mas é claro que depois paramos para pensar que poderíamos ter morrido.”

Paralelo
Maria José afirma que o mais difícil em sua profissão é trabalhar entre o limite da vida e morte, bem e mal. “Ao mesmo tempo que ajudamos em um acidente temos que trocar tiros e prender, é um paralelo constante”, analisa. “Mas eu sou apaixonada pelo que faço e tenho orgulho de ser policial e sinto isso quando coloco minha farda para trabalhar. Sou feliz e extremamente dedicada e ainda me emociono nas formaturas do Proerd.”

A policial conta que é extremamente vaidosa, que tem bom relacionamento com os colegas e é respeitada. Nunca sentiu preconceito, pelo contrário, sente a admiração. “A PFem é vista com bons olhos, é alvo de atenção de uma forma bonita, carinhosa”, diz. “Na corporação procuro ser discreta, mas o lado feminino impera. Sempre me maquio para trabalhar e gosto de estar bonita e com o cabelo bem arrumado. Sou policial, mas não deixo de ser mulher.” Ela ressalta que acha “fantástica” a atuação de mulheres em profissões tipicamente masculinas. “Acredito que a mulher tem uma capacidade incrível e resolve as situações de maneira ágil, pelo jogo de cintura’ que temos, e pela sensibilidade”, fala. “Eu tenho coragem, acredito no que faço e vou á luta. Não sou feminista, mas sou feminina.”

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