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VIDA FÁCIL

Entrega em domicílio oferece mais segurança e comodidade

A entrega em domicílio não é nova. Já existe há décadas (lembra do pão e leite que entregavam na porta de casa?), principalmente para alguns setores, como o de remédios. A novidade é que a palavra usada atualmente é delivery – um estrangeirismo que cai bem. Hoje, com um toque no telefone ou nas teclas do computador, encontra-se um mundo a ser vendido e entregue onde o cliente quiser.

Em Indaiatuba tem disk-tudo: entulho, ração, café-da-manhã, muletas, marmitex, van, lanche, gelo, chaveiro, ovos e frangos caipiras, socorro mecânico, disk-carinho (mensagens ou performances), produtos odontológicos, e até, pasme, disk-viagra. Tudo pode ser encomendado. É só ligar (ou internetar) e aguardar. Os pedidos mais comuns são as chamadas fast foods (pizzas, esfihas, sanduíches), bem como remédios, flores, gás, garrafões de água, compras de supermercado e outros serviços. No supermercado virtual, por exemplo, o cliente pode escolher – e ver – os pedidos de sua lista. É tudo muito fácil e prático.

Para esse aumento de demanda as empresas precisaram se adequar, contratar entregadores, ou motoboys e se cercar de segurança – contra trotes e também assaltos. Em Indaiatuba, assim como em outras cidades de grande porte, há empresas especializadas em entregas de documentos empresariais. Embora em tempos de internet, vale mesmo o papel. Nesses casos, a rapidez na entrega faz toda a diferença.

O perfil dos que preferem receber em casa (ou no trabalho) suas compras é amplo, vai desde o jovem estudante, a mães atarefadas, passando por executivos e pessoas adoentadas. “É mais cômodo, prefiro pedir remédios em casa do que andar nesse sol quente”, ressalta a aposentada Maria Candelária de Almeida.


Nos anos 70 Tudo começou com o inovador Toque-Tenha, em meados da década de 70 (Eduardo Dusek, num de seus momentos de glória, na música Nostradamus, ironizava: “liguei para o Toque-Tenha e não tinha”... “o mundo acabou”). Por um telefone igual em todas as capitais brasileiras, podia-se literalmente pedir um elefante ou morangos em qualquer horário ou época do ano. É claro que esses caprichos eram cobrados na mesma proporção das dificuldades. Hoje, as compras via internet são corriqueiras e em muitos casos, com preços muito convidativos.
Não há dúvidas de que a entrega em domicílio facilita, e muito, a vida de todos. Quando bate uma fome no trabalho e você não pode sair: peça algum lanche, esfiha ou até um pão quentinho. E no meio do churrasco, quando falta carvão ou cerveja? Ou gelo? É só ligar.
Algumas empresas de alimentação investem bastante nos serviços de delivery. Uma grande casa de salgados de Indaiatuba, nos finais de semana tem 50% de seu faturamento só com os pedidos de entrega. Para atender a essa clientela, dispõe de motoboys contratados e recorre a serviços de terceiros, num total de 24 entregadores. Atende também clientes no Aeroporto de Viracopos e em outros locais distantes. Outra novidade é o fornecimento de pão fresquinho, frios e queijo, pelo mesmo sistema, por uma panificadora indaiatubana.

Trotes Diversas empresas da cidade oferecem o sistema delivery e para isso tomam precauções a fim de evitar trotes ou assaltos. Em geral, a primeira ligação de um cliente é checada (com o retorno do telefonema, por exemplo), depois é feito um cadastro e a partir daí, não se corre riscos de trotes. Antes desses cuidados poderia ocorrer casos como o de uma pizzaria, que recebeu um grande pedido para ser entregue na casa de determinada pessoa.
Ao chegar no local, o entregador encontrou a família num churrasco, espantada com o inusitado pedido, que não havia feito. Soube, então que a encomenda fora contratada por um desafeto do dono da casa – que acabou pagando o pedido. Já os assaltos acontecem, mas visam principalmente a moto, uma vez que os entregadores andam apenas com o valor do troco.

Sedentarismo Há quem veja nas facilidades da entrega em domicílio um vilão que pode ter garras profundas: o sedentarismo. Na maioria dos países ocidentais existe uma verdadeira epidemia de obesidade. Hábitos alimentares errados, pressa ao fazer uma refeição e menos atividade física geram não só obesidade, mas transtornos na saúde em geral. Os médicos alertam que facilidades aparentemente simples, como o controle remoto de TV, podem dar mais lenha ao sedentarismo.
É claro que se for contabilizar a queima de calorias com essas facilidades, o índice seria quase zero. Mas ao deixar de ir a pé até a padaria ou ao supermercado, a pessoa de fato, está deixando de fazer uma singela – e útil - caminhada.


Motoboy
responsabilidade com velocidade

Quando se fala em delivery, vem à mente a figura do motoboy. A moto pode fazer entregas com mais rapidez, já que carros, além de gastarem muito combustível, podem ficar presos no trânsito. Motoboy é um neologismo, ou seja, palavra criada recentemente e caiu no gosto popular, hoje sendo muito usada. Soma-se motocicleta, com o estrangeirismo office boy – que em Indaiatuba chamamos de “guardinha” ou “patrulheiro”, alusão aos adolescentes vindos do Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro de Indaiatuba (Campi). O motoboy é, então, aquela pessoa, de qualquer idade, que faz serviços auxiliares externos. Inicialmente levavam documentos de uma empresa a outra, ou indo a bancos. Posteriormente, os motoboys passaram a trabalhar autonomamente, fazendo todos os tipos de entrega. Em São Paulo, cidade sempre agitada, o motoboy é visto com maus olhos pelos motoristas de veículos. Na pressa de entregar encomendas, fazem verdadeira barbeiragens no trânsito, sendo muito comum o dano a espelhos retrovisores. Em Indaiatuba, isso não é freqüente, embora os acidentes envolvendo motos tenham aumentado nos últimos cinco anos. Levantamento do Ciretran de Indaiatuba (órgão que lida com emplacamento de veículos) registra 20.536 motos emplacadas na cidade em 2005. No final de 2004 esse número era 19.454. Os motoboys aliam seu veículo de transporte a um bico como entregador. Mas para ter baús e bauletes é preciso que a moto seja “cargo” (tem documentação diferente) e, em muitos Estados, o Detran exige curso de direção defensiva para a habilitação. Em São Paulo, por exemplo, as motos ou motoboys que não se encaixam nesse padrão de normas têm as motos apreendidas e ficam com a Carteira de Habilitação suspensa.

Desafios Os motoboys de Indaiatuba se queixam dos buracos da cidade, que podem prejudicar uma pizza, por exemplo. Além disso, há dificuldades para entrar nos condomínios ou enfrentar animais ferozes. “Nem sempre é fácil trabalhar nesse serviço. Passei um grande susto quando fui entregar pizzas numa chácara do Shanadu. Primeiro tive que me identificar, ao me liberarem, fui até a casa. Toquei a buzina e o portão automático foi aberto. Ao entrar, vi um ‘monstro’ preto, na verdade um cachorro enorme, que batia na altura do meu peito (era um dogue alemão). Virei a moto e fui embora correndo. A dona da chácara me chamou e me mandou voltar. E o cachorrão atrás de mim. Depois é que fui ver que ele era mansinho e que queria mesmo é comer a pizza”, relata Maicon Alberto de Souza, 28, agora trabalhando no comércio.
Para Gilvam da Silva Ferreira, 25, a profissão é ótima. “Gosto de liberdade, detesto ficar trancado o dia o dia todo numa empresa. Temos que correr, mas são desafios interessantes. Uma vez tive que fazer uma entrega no Rio de Janeiro. Saí de Indaiatuba as 3 horas da madrugada, cheguei no Rio as 8, fiquei dez minutos e retornei. As 15h30 já estava em casa.” Se depender de sua vontade, Gilvan continua na profissão para sempre.

REGRAS DE SEGURANÇA Os serviços de delivery podem ser usados por criminosos, que se fazem passar por entregadores, burlando regras de segurança. Uma vez dentro, anunciam o assalto. Em São Paulo, nem a sofisticação de equipamentos impede a ação. Em geral, há falha humana (porteiros, empregadas ou seguranças).
Por isso síndicos alertam para o recebimento de encomendas. No Helvetia Pólo, o motoboy chega só à portaria e a encomenda é retirada lá. No Lagos de Shanadu o rigor é cada vez maior. “A cancela só é aberta depois de vários procedimentos , como pedir documentos, e confirmação de pedidos. Mesmo assim, é comum que um dos seguranças acompanhe o motoboy”, explica o síndico Hélder Manão.
Já para as empresas, o risco não é menor. Muitas vezes o pedido pode ser um engodo. “Usamos usamos todos os procedimentos de segurança. Quando a entrega é feita em locais ermos tomamos o cuidado de checar. As entregas são feitas com carros, com monitoramento e comunicação via rádio com a loja”, explica Verônica Andrade, da Tulips Flores.
Sedentarismo, preguiça, ou falta de tempo, não importa o motivo, o fato é que é muito bom poder ligar, esperar e consumir o pedido sem precisar levantar da cadeira.

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