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Louco por rock

Valdecir chegou a trocar seu carro por um contra-baixo

Tudo pela música”, assim tem sido a vida do motoboy Valdecir Bonequini, 41, que aos 8 anos, aprendeu a tocar violão por iniciativa própria. “Comecei a tocar violão sozinho e somente aos 18 anos pude ter um apoio didático”, esclarece o músico. Uma das dificuldades de Valdecir foi obter instrumentos musicais de qualidade. Os importados, melhores, custavam caro. A única forma de adquiri-los era através do contrabando. “As guitarras chegavam do Exterior de navio, eram desmontadas, guardadas em cases (caixas onde são guardadas as guitarras) e lançadas ao mar. Já em terra firme, eram vendidas em festivais de música, muito bem escondidas, é claro.” O motoboy chegou a cometer loucuras. Certa vez foi para Campinas com seu carro e o trocou por um contra-baixo, voltando a Indaiatuba de ônibus. “Preferi andar a pé, para poder ter um bom instrumento”, afirma. Também não se importou com o calorão, lama, mosquitos e confusão para assistir aos 15 dias de shows no 1º Rock in Rio.

Coleção Sua paixão pelo rock em especial o levou a colecionar, desde 96, a revista Guitar Player, não faltando nenhuma edição. “Conheço o que tem em cada página”. As revistas são guardadas exatamente na ordem em que foram editadas. Os equipamentos, as curiosidades e as novidades tecnológicas contidas nas revistas fazem com que o músico aguarde ansiosamente pelas novas edições. Ele considera a leitura muito importante para sua profissão. “Nesse meio, é fundamental se manter bem informado”.

Valdecir coleciona também a revista Cover Guitar e a Revista da Tribuna. Também tem um enorme acervo de discos de vinil e CDs, entre eles a coleção completa e fechada das bandas de rock “Kiss” e “ACDC” além de vários instrumentos musicais. “O rock de hoje está meio comercial, não se faz mais boas bandas como antigamente”, revela deixando transparecer um saudosismo que todo bom roqueiro sente atualmente.

Valdecir consegue conciliar estilos musicais, tendo integrado bandas como a Escala, Ponte Metálica, Pagando Sapo, Anjo Negro, Unidade 143 e as duplas Rose e Robinson e Moura e Mouraense. tendo tocado na abertura de shows do Kid Vinil, Rádio Táxi e no da incomparável Inezita Barroso. Hoje sonha em montar uma superbanda, mas esbarra num conceito: “É difícil encontrar músicos da minha idade que queiram formar um conjunto”, lamenta.
Mantém-se na área musical dando aulas particulares de guitarra, violão e viola. Sim, a bela viola caipira, de dez cordas, é hoje muito cultuada por jovens e adultos, roqueiros ou não. Participou de programas na Rede Globo e no “Viola, minha Viola”, da TV Cultura.

Motos, ou a profissão de motoboy, tem tudo a ver com um roqueiro. Não, não pense naqueles Hell Angles que infernizaram os Estados Unidos nos anos 70. É melhor lembrar, da mesma época, o filme Easy Rider, cuja trilha sonora é até hoje cultuada (quem não se lembra de Born to be wild?).

 

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