Afinal
de contas,
o que é depressão?
A
depressão atinge 18% da população, mas apenas
um terço dessas vítimas procura o tratamento. Boa
parte acaba apelando para a auto-medicação, o que
prolonga o sofrimento e agrava o problema que, em casos extremos,
pode levar ao desemprego, problemas familiares graves, e até
mesmo ao suicídio.
De uma maneira bem simples, a depressão é um transtorno
do humor no qual o indivíduo apresenta grande sofrimento
psíquico. Os sintomas principais são a alteração
do humor, a redução da energia e a incapacidade de
sentir prazer (que a medicina chama de anedomia).
Esses sintomas podem se expressar de várias maneiras. Falta
de ânimo, dificuldade para realizar atividades simples (até
mesmo de higiene), cansaço, sonolência (certo torpor,
com a sensação de não conseguir funcionar),
insônia ou ainda total anergia.
“Os processos psíquicos estão ‘lentificados’
em gravidade variável, afetando o raciocínio, a capacidade
de se organizar, a concentração, e até a memorização.
Os sentimentos e emoções são atingidos, de
modo que são comuns os sentimentos de sofrimento e os pensamentos
negativos, e recorrentes”, afirma o psiquiatra Marcos José
de Melo Araújo.
De acordo com o médico, nos períodos de depressão,
a avaliação da existência é sempre interpretada
de maneira pessimista. “O deprimido lembra-se seletivamente
dos fatos negativos e esses acabam sendo desproporcionalmente valorizados”,
comenta.
Tratamento
Fisiologicamente, a depressão é uma reação
química. Para entender melhor, é importante lembrar
que nosso cérebro é formado por inúmeras células
que se comunicam por impulsos elétricos através de
substâncias químicas chamadas neurotransmissores. A
depressão acontece quando essas substâncias não
estão “circulando” como deveriam, e algumas áreas
do cérebro acabam ficando apáticas.
O tratamento mais comum é a prescrição de antidepressivos
que, ao contrário do que muita gente pensa, não são
calmantes e nem estimulantes. Na verdade eles são um remédio
para corrigir o metabolismo e acertar os ponteiros dos neurotransmissores,
restabelecendo a comunicação das células nervosas.
Por outro lado, algumas terapias alternativas são capazes
de ativar a liberação das endorfinas, que são
os nossos “antidepressivos naturais”. O médico
Gil Serra Regalino lembra que a maior parte das pessoas que apresentam
quadro de depressão sequer tem noção da doença.
“Problemas mal resolvidos vão se acumulando e causando
uma pressão interior tão grande, um grau de insatisfação
e frustração tão intenso, que a pessoa não
enxerga mais a ‘luz no fim do túnel’. Muitas
vezes não enxerga nem o próprio túnel, ou seja,
o ambiente que está causando aquele estado emocional depressivo”.
A depressão é, então, um mecanismo de defesa
emocional. “Como não é possível continuar
vivendo daquele jeito, o organismo, inconscientemente, faz um ‘auto
stop’, uma pausa pedindo socorro. Como conseqüência
o paciente entra como num estado de ‘hibernação
física e mental’”, avalia Gil Serra.
Postura
Além dos efeitos psíquicos e químicos a depressão
pode atingir também o físico. O baixo nível
de serotonina e os distúrbios do sono aumentam consideravelmente
a sensibilidade à dor. Dores de cabeça, musculares
e intestinais são as mais comuns. A postura de caixa torácica
comprimida chega a atrapalhar todo o aparelho digestivo.
De acordo com a fisioterapeuta especializada em RPG, Elenita Belo
Sanches, a maior parte das pessoas procura a terapia corporal após
sair da crise mais grave de depressão para se ver livre da
dor. O RPG (Recondicionamento Postural Global) é ministrado
através de uma série de posições onde
o paciente pode consertar desvios posturais.
“Cada pessoa concentra a tensão em um ponto do corpo.
Alguns acumulam tudo na cabeça, outros descarregam no intestino,
costas, ou nos dentes. Através do RPG e da terapia manual
é possível dissolver as couraças musculares
que se formam ao longo do processo de depressão”, explica
Elenita.
No momento em que essas couraças estão se desfazendo
as emoções podem muitas vezes aflorar. Elenita conta
que já teve pacientes que começaram a chorar ou a
rir sem motivo aparente. Outros chegam a levantar da mesa para ir
ao banheiro.
“É um processo que requer uma espécie de ‘invasão’,
que é muito mais emocional do que física. Mas além
de promover uma melhora física, ele é importante também
do ponto de vista psicológico, porque quebra esses ‘bolsões
emocionais”, finaliza.
De fato os estudos sobre as causas e efeitos da depressão
têm avançado e, paralelamente, o acesso a terapias
capazes de tratar esse problema em seus diversos níveis.
A doença é grave, e ataca a pessoa em todas as esferas
– física, química, mental, social, psicológica,
e até espiritual. Mas ainda há uma esperança:
ela é natural, e perfeitamente tratável. Mas para
isso é preciso procurar ajuda profissional.
A
depressão também pode ser detectada por diversos motivos
Conheça alguns deles:
Tristeza
e apatia
São os sintomas mais comuns e facilmente detectáveis.
Geralmente as pessoas em estado depressivo sofrem notória
mudança no estado de humor e a falta de objetivos que leva
à apatia.
Ausência
de apetite
Em muitos casos esse sintoma pode ser confundido com anorexia. Mas,
ao contrário do que acontece com as vítimas de anorexia,
a falta de apetite causada pela depressão tem origem na ausência
de perspectivas, e não na obstinação pelo corpo
perfeito.
Insônia
Boa parte das pessoas vítimas da depressão são
acometidas por pensamentos pessimistas e repetitivos que não
saem da cabeça. Isso acaba gerando graves dificuldades para
dormir.
Desinteresse
Temas e pessoas das quais gostava e se dedicava perdem o atrativo.
Freqüentemente as pessoas que não buscam tratamento
acabam perdendo o emprego por se tornarem muito ineficientes.
Falta
de apetite sexual
O desinteresse pode atacar inclusive a área sexual, o que
não raramente, prejudica o relacionamento conjugal.
Memória
fraca
As pessoas mais idosas podem apresentar um quadro clínico
com falta de memória importante, às vezes mais evidente
do que a própria depressão.
Obsessão
Também podem ocorrer pensamentos obsessivos. A pessoa sabe
que eles não fazem sentido mas não consegue tirá-los
da cabeça. Conferir portas e janelas, achar que poderia fazer
mal a si mesmo ou a outras pessoas, são os mais comuns.
n Desequilíbrio emocional
Problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornam tarefas
pesadas e difíceis. Coisas que antes eram agradáveis
se tornam sem graça.
Sintomas
físicos
Alguns casos de depressão se caracterizam por dores vagas
e difusas pelo corpo ou na cabeça, com vários exames
laboratoriais normais. O intestino pode ficar preso, a boca amarga,
a pele envelhecida, os cabelos e as unhas fracos e sem brilho.
Impulsos
suicidas
Muitas vezes aparecem pensamentos de “dormir e não
acordar mais”. Algumas pessoas se sentem como se estivessem
separadas do mundo por uma redoma de vidro. Outras não conseguem
nem sentir alegria nem tristeza (sensação da falta
de sentimentos).
Idéias
fixas
Acha a situação financeira ruim e sem perspectiva;
sentir-se culpado por coisas que fez ou que não fez; arrependimentos
por coisas que, fora da depressão, a pessoa nem se lembrava
que existiram; baixa auto-estima; a certeza de estar passando por
uma doença incurável.
Sazonalidade
Outras pessoas tem nítida piora da depressão quando
o tempo está nublado. É o que se chama de depressão
sazonal. Ela pode ser muito bem tratada com fototerapia.
Ansiedade
Às vezes podem aparecer ataques de ansiedade com sudorese,
palpitações e tremor, verdadeiros ataques de pânico,
o que não quer dizer que você também tenha a
síndrome do pânico.