Destino:
Bahia-BR
Por Deborah Sousa
Por dentro da Costa do Sauípe
O
mundo é um livro, aquele que fica em casa só lê
uma página.
Santo Agostinho
Atendendo
a pedidos, estou aqui de volta para dividir com os internautas da
Revista da Tribuna mais uma aventura, dessa vez bem
mais tranquila, fazendo estravagâncias inéditas.
Aos
navegadores de primeira viagem dessa coluna, apresento-me como jornalista,
proprietária de loja na Cidade, e viajante compulsiva. Já
estive nessas páginas contando as peripécias de uma
recente viagem ao leste Europeu. Volto agora, para dividir com vocês
minhas impressões sobre a Costa do Saípe, na Bahia.
O objetivo, além de entretê-los, é contar aqueles
detalhes que muitas vezes o agente de viagens deixa de lado e passar
dicas para que o seu futuro passeio seja melhor ainda que o meu.
Conforto de Resort
A
idéia de ir para um resort de luxo não foi tão
agradável ao primeiro convite. Meu marido e eu estamos acostumados
a viagens bem mais modestas, em hotéis sempre “os mais
baratos possíves”, conhecendo incansavelmente todos os
pontos turísticos inimagináveis num raio de mil quilômetros
do roteiro escolhido.
Passar alguns dias no mesmo lugar e pagando uma “fortuna”
para nossos padrões foi um trabalho de convencimento por parte
da minha irmã e do meu cunhado. Mas aquela frase “É
só uma vez na vida” nos faz pensar que o que mais vale
a pena são os momentos de alegria na companhia das pessoas
de quem mais gostamos.
Lá fomos nós, aproveitando milhagens, pechinchando direto
com o gerente, abrindo mão de refeições no hotel,
tudo para que ficasse um pouco mais viável essa “loucura”.
Ao sobrevoar a bela ilha de Itaparica já começa o contágio
da Bahia. As músicas de Caetano, João Gilberto, Daniela
e Ivetinha começavam a martelar na minha cabeça. O que
será que essa terra tem que faz com que seus filhos a veneram
tanto? Bem, ao chegar ao aeroporto em Salvador encontramos a sala
VIP da Costa do Sauípe. A cada meia hora sai de lá um
ônibus que nos leva a 70 quilômetros ao norte da capital
para o complexo de hotéis que compõem a Costa do Sauípe.
Não se anime muito, este traslado (não TRANSLADO, que
é transporte de defuntos) não é cortesia, já
foi devidamente incluído em seu pacote.
Costa
das Formigas
Pois
é, esse é o significado da Costa do Sauípe, devem
ser parentes das saúvas, felizmente não tive o desprazer
de encontrar as nativas que deram nome ao lugar. A área que
ocupa um milhão setecentos e vinte mil metros quadrados era
antes ocupada por uma fazenda de coqueiros. Abriga hoje cinco grandes
hoteis de padrões internacionais e mais seis pousadas.
Estrutura
Cada
hotel tem a sua piscina, onde durante o dia acontecem as atividades,
como hidroginástica e aulas de axé, e seu próprio
mini complexo de restaurantes. Se você também for curioso
poderá tentar conhecer os outros hotéis. Porém,
cada um tem a sua pulseirinha que é lacrada em seu pulso na
hora do check in.
No Breezes, por exemplo, onde a diária é “all
inclusive”ou seja você como e e bebe com tudo já
pago, não é permitido nem ir ao banheiro. Sabe como
é brasileiro, vai querer tomar um coquetel depois, um bolinho
de camarão na piscina...
Existe uma grande área comum que poderá ser alcançada
através de um ônibus circular interno ou por transportes
alugados. Os mais esportistas poderão jogar no campo de golfe,
ou praticar atividades radicais na base náutica. O Centro de
Tênis é sede do mais importante torneio de tênis
do País, o Brasil Open que começa nesta segunda-feira,
20 de fevereiro. Além disso, o complexo abriga um clube voltado
às crianças, um parque de equitação (inacreditável
que alguém vá para uma praia exclusiva tão longe
para andar a cavalo) e a graciosa e fictícia Vila Nova da Praia.
Ficamos hospedados no Sofitel Costa. Como era alta temporada, não
fomos agraciados com os mimos que minha irmã Juliana já
conhecia da viagem anterior como: o filminho informativo no ônibus,
a baiana na porta do hotel com as fitinhas do Bonfim, as pantufinhas
cortesia no quarto, a bandeja de cocada entre outros. Mas o conforto
era realmente de alto padrão.
A cama que era a junção de duas queen size, enorme e
inacreditavelmente confortável. Ao investigar a origem de tamanho
pedaço do paraíso descobrimos que os colchões
eram de uma séria limitada da Probel feita especialmente para
a Costa do Saípe, um sonho. Rapidamente, já estávamos
em nossos biquines dentro da deliciosa piscina que recebe o sol da
Bahia o dia inteiro e permanece numa agradável temparatura
natural.
A poucos metros da piscina, por um caminho entre a vegetação,
chegamos a praia particular do complexo, com espreguiçadeiras
a disposição, uma barraca do restaurante da Dadá,
a cozinheira mais famosa da terra de Caetano e, o mais importante,
o mar da Bahia que já inspirou tantos poetas. Simples, calmo
e seguro.
Segurança
Uma dos pontos a se ressaltar dessa viagem é a presente sensação
de segurança que não temos mais no Brasil. Não
é preciso se preocupar na praia, com os pertences na piscina
do hotel, com as roupas e as jóias (para quem tem para usar)
porque o tempo todo você está dentro dos portões
de um hotel cinco estrelas fechados a curiosos e oportunistas de plantão.
Essa
certeza de tranquilidade é ressaltada a noite, nos passeios
da Vila. Para chegar lá é possível partir de
dentro do hotel por um caminho sinuoso margeando a rarefeita mata
sobre calçamento e pontes que nos levam a nada rudimentar vila.
Lá as pessoas que como nós, não escolherem a
pensão completa, encontram alguns simpáticos restaurantes,
lanchonetes, lojas de praia, souvenirs do complexo, um mercadinho,
farmácia e além claro, de uma lojinha da H.Stern. Tudo
bem pintadinho, bem descontraído, bem ilumindado, bem falso.
Era uma graça, não se assuste, mas parecia um cenário
do Projac de como seria uma vilinha da novela das oito passada na
praia. Para não soar muito falso, eles liberam alguns poucos
artesãos e suas barraquinhas.
Ali, você sabe que um menino de rua não vai se aproximar
pedindo para guardar o carro (até porque você chega confortavelmente
a pé), ninguém vai se aproximar querendo dinheiro ou
tentando lhe vender flores no bar a noite. Ao contrário do
que diz o ditado, a felicidade também tem seu preço
e para tanto, você pagará pelo menos três reais
por um refrigerante e vários reais por um prato razoável.
Todas
as noites acontece um show ao vivo no palco da vila, o mais interessante
acontece de quarta-feira, dia consagrado a Iemanjá. Durante
o verão se repete uma festa dedicada a ela. Com direito aos
filhos de Gandhi, a apresentações de capoeira, a encenações
dos orixás e ao cortejo final que segue até a praia
onde os pedidos feitos por nós são lançados ao
mar, realmente a noite mais especial da semana.
Atividades
Antes de estar lá, cheguei a pensar que ficaria um pouco entediada
com a falta do que fazer. Por precaução, levei um livro
novinho (sobre viagem) para ser devorado durante a estadia. A dica
é boa, mas não tive problemas com a falta de atividade.
O dia já começa meio preguiçoso, afinal é
difícil sair do colchão de série limitada. O
café da manhã reforçado, que inclui a tapioca
com recheio de sua preferência feita na hora pelas baianas é
um convite a pular a refeição do meio-dia (e economizar
um pouco).
A poucos metros do restaurante, fica a piscina, o principal compromisso
do dia ficava lá, as aulas dentro d’ água. Eu
que nunca fui adepta a coreografias e muitas atividades, não
perdia as aulas dos simpáticos monitores do hotel que entre
muitas piadas faziam todos relaxar e esquecer os compromissos de longe
focados apenas em seguir o passinho do momento.
A tarde, pegava alguma coisa mais importante na bolsa, como o livro
e o bloqueador solar e seguia o rumo da praia, a poucos metros adiante.
As águas não são as mais tranquilas e límpidas
do litoral brasileiro, mas é limpa, sem alto-falantes e você
já encontra o guarda-sol e a sua cadeirinha te esperando.
Vale
a pena alugar um carro e ir até Salvador e a Praia do Forte.
Infelizmente, a Bahia não entra no horário de verão
e o dia termina mais rápido. Porém, conseguimos ver
os pontos mais famosos de Salvador já que minha irmã
já conhecia a cidade. Realmente, é encantador e respira
história por todos os cantos. No final de tarde, ainda passamos
pela praia do Forte e conhecemos uma parte do Projeto Tamar, uma das
atrações do lugar.
Enfim, chegou o dia da despedida. A saída corria bem, até
que percebemos ao chegar no aeroporto que os funcionários do
hotel não haviam colocado nossas malas no ônibus do traslado.
A partir daí, foi uma correria até a sala Vip. Depois
de muitos telefonemas ficou resolvido que mandariam as malas para
nossa casa. Logo depois, já dentro do avião, eles ligaram
mudando o combinado.
Ao chegar em casa, tive que contatá-los imediatamente, e o
atendimento não foi o esperado. No dia seguinte foram vários
interurbanos para a Bahia a fim de saber como eles iriam resolver
a questão. Foi trabalhoso, mas depois da costumeira conversa
com o “gerente” as bagagens chegaram. Não precisaria
desse desfecho conturbado se o serviço fosse um pouco mais
cuidadoso.

Se você nunca foi, aproveite quando a oportunidade surgir.
Fique certo que o lugar é lindo e os preços garantem
a exclusividade. Esteja atento ao paradeiro das malas ao
entrar e sair do hotel. E lembre-se que algumas
oportunidades acontecem apenas uma vez na vida.
Contato: aysha.artigos.esotericos@hotmail.com
Um abraço, Deborah.