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TRIBUNA DE INDAIÁ
O maior jornal de Indaiatuba
17 de abril de 1955 - 17 de abril de 2005

Roberto e Odete Sfeir, Gabino (centro),
Rafú, Belmira, Arquimedes
e amigos, diante da sede do jornal na
Rua Pedro de Toledo

Texto de Nilson Cardoso de Carvalho
relembra surgimento da Tribuna

Esse jornal que viria a marcar época em Indaiatuba, como o principal veículo de comunicação da comunidade indaiatubana, nasceu nos corredores da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Pucc) com o nome de ‘Gazeta de Indaiatuba’, idealizado pelos acadêmicos Rafael Elias José Aun e Renato Laércio Talli. Em 1957, seus proprietários mudaram o nome do jornal para ‘Tribuna de Indaiá’ que, apesar das dificuldades de impressão, continuou circulando semanalmente até o número 127, quando, em janeiro de 1961, passou às mãos do Gabino Ferreira de Miranda, proprietário da gráfica Dom José, que o imprimia desde 1960.

Em 30 de agosto de 1963, Gabino faleceu prematuramente, com 45 anos de idade, vítima de um derrame cerebral, deixando o jornal para seus filhos, que apesar de muito jovens não esmoreceram, não deixando de publicar nem a edição do dia seguinte, noticiando o triste acontecimento. Contando com a ajuda de Rafael Elias José Aun tocaram o jornal que em abril de 1978 era instalado em sede própria, à Rua Hércules Mazzoni. 873, Jardim Pau Preto.
A Tribuna de Indaiá vem participando desde então ativamente de todos os acontecimentos ocorridos em Indaiatuba nas últimas décadas, sendo a sua coleção uma ótima fonte para a pesquisa da história do Município. O jornal está instalado em sede própria, é impresso em off set, com circulação bissemanal (sábados e terças-feiras). No dia 17 de abril de 1995, a Tribuna comemorou condignamente seus 40 anos de existência em solenidade na Câmara Municipal, ocasião em que foram homenageados seus fundadores, e seus proprietários Belmira Miranda de Toledo, Manoel Ferreira de Miranda e José Luiz da Silva Miranda.”
Trecho inédito de Cronologia Indaiatubana, que descreve o surgimento da Tribuna, redigido por Nilson Cardoso de Carvalho, o mais importante pesquisador da história do Município, falecido em 2001, aos 67 anos.

Proprietária imprimia o jornal manualmente

Impressão de 500 exemplares demorava três dias

Belmira e sua irmã Teresinha
(ao fundo) diante das
impressoras manuais

Belmira Miranda de Toledo, 62, filha mais velha de Gabino Ferreira de Miranda, tinha 17 anos quando seu pai comprou a Tribuna. Junto com a irmã Terezinha, 60, que hoje reside no Paraná, elas trabalhavam na Tipografia Dom José, de propriedade do pai, onde o jornal era impresso desde 1960. A família Miranda mudou-se para Indaiatuba, vinda de Capivari, em 1959.
A composição das quatro páginas e a impressão dos 500 exemplares da Tribuna era manual e demorava três (de quinta a sábado) para ser finalizada. As folhas eram impressas uma a uma, de um lado, postas para secar, e depois impresso o verso. O sistema manual permaneceu até 1969, quando a empresa comprou sua primeira impressora automática.
Como havia prometido, no dia em que comprou a Tribuna (em 3 de janeiro de 1961, por 10 mil cruzeiros), para comemorar, Gabino soltou um rojão. “A vareta caiu, quebrou uma telha da oficina em frente à gráfica e meu pai teve que reembolsar o proprietário”, se recorda com humor a proprietária.


Dalmira, esposa de Gabino,
dobrava os exemplares e
os distribuia aos gazeteiros

A compra, segundo Belmira, foi facilitada pelos fundadores. “Durante a semana, a publicidade e os artigos dos colaboradores eram montados manualmente. Na quinta-feira, eu ia à Delegacia de Polícia e anotava os boletins de ocorrência (BOs), que eram lidos pelo escrivão Ângelo Civolani. Depois eu lia o que havia escrito para o delegado Oscar Domingues. Na sexta, Rafú vinha de São Paulo e redigia as notícias e reportagens. Era uma época quente da política. O jornal começava a ser vendido no sábado, no final da tarde, e se esgotava rapidamente. As pessoas se aglomeravam na porta da Indústria Villa Nova, esperando os gazeteiros”, relata Belmira.
Entre dezenas de colaboradores, a proprietária destaca o médico e ex-vice-prefeito de Indaiatuba, Roberto Sfeir e sua irmã Odete Sfeir, Maria Angélica Groff, Antônio Zoppi, Arquimedes Prandini e Donato de Almeida, criador da coluna “Você Sabia?”
.

PRIMEIROS GAZETEIROS
Carlos Valdir De Genaro, 61, (Badolli) e Nelson Simoneti, 65,
foram os primeiros gazeteiros (entregadores de jornais)
da Tribuna de Indaiá, na época em que o jornal se chamava
Gazeta de Indaiatuba (1955/57). Eles tinham respectivamente
11 e 15 anos e separavam a cidade em duas regiões para a
entrega aos assinantes que se iniciava às cinco horas da
manhã do domingo. “Nunca deixamos um assinante sem
o seu jornal. Com nosso trabalho, passamos também a
fazer parte da história da Tribuna e da cidade”,
afirma, com orgulho, Badolli.

 
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