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O
AVIADOR de pés no chão
Fascinado por aeromodelismo,
Edílio já construiu mais de 300 modelos
Desde
os sete anos, Edilio Silva, 65, entusiasma-se com a arte de voar com
os pés no chão. Sua paixão por aviões foi
motivada pelo pai que o levava nos finais de semana ao Aeroclube de
Campinas, quando podia ver as aeronaves bem de perto. O aeromodelismo
invadiu sua vida quando tinha 12 anos. Hoje, sua coleção
tem mais de 300 modelos em miniatura, além de inúmeros
aeromodelos ‘U-Control’ (modelos controlados por cabos de
aço), todos construídos por ele mesmo. “Um aeromodelo
‘U-Control’ é um avião em escala reduzida;
seus comandos, princípios de vôo, cálculos dimensionais
e aerodinâmicos, são os mesmos utilizados nos projetos
de construção de um avião de verdade”, esclarece
o colecionador. “Para montar um modelo, o aeromodelista necessita
de muita habilidade manual, disciplina, conhecimento de eletricidade,
eletrônica e mecânica”, acrescenta. Edílio
constrói seus modelos em miniatura a partir de plantas publicadas
em livros e revistas especializadas. As pequenas aeronaves são
esculpidas em madeira – habilidade que adquiriu com seu pai. No
acabamento ele utiliza cartolina e as pinta e adorna caprichosamente.
Cada aeromodelo da coleção corresponde a um avião
que existiu. Quase todos participaram de importantes fatos históricos.
Tecnologia
própria Edílio possui tecnologia própria nas construções
de seus aviões. “Um aeromodelo ‘U-Control’
precisa de aerodinâmica para que possa levantar vôo”.
Por essa razão, estudei aeromodelismo no Aeroclube de Campinas.
Mas a exatidão na montagem a gente só obtém com
a prática”, ressalta. Ele está sempre construindo
novos modelos; o que pretende fazer “enquanto estiver vivo”.
Como não poderia deixar de ser, gosta muito de filmes de aviação.
“Falou em hélice, lá estou eu”, afirma convicto.
E não é por acaso que esteve presente na primeira sessão
de ‘O Aviador’, em Indaiatuba.
Além de organizar diversas exposições de aeromodelismo
em Indaiatuba, principalmente no Rotary Club, do qual é ex-membro,
Edílio viajou duas vezes para Oshkosh, nos Estados Unidos, onde
desde 1938 acontece a maior convenção de aviação
do mundo, com mais de quinze mil aviões em exposição,
inúmeras palestras diárias e shows aéreos com mais
de 200 aviões.
Pioneirismo
Fotógrafo profissional, sócio de Antônio da Cunha
Penna, 59, no Estúdio Silva & Penna, em 1978, Edílio
registrou a inauguração do Aeroporto Viracopos, onde trabalhava.
“Em 1971, a foto do primeiro Boing 747 Jumbo a pousar em Viracopos,
publicada na capa da Tribuna, foi minha”, informa orgulhoso.
Embora construir um pequeno aviãozinho —que voa acionado
através de controle remoto nas mãos de um piloto que não
sai do chão— exija tanta especialidade, os que se dedicam
a essa arte, como Edílio, mantêm um irresistível
ar de criança, sempre alegres, a exibir o olhar de quem realizou
uma façanha, ou uma maravilhosa peraltice. Não é
esse o olhar de Edilio?
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