Revista da Tribuna - todo mês encartada no jornal de maior circulação na cidade - Tribuna de Indaiá

www.revistadatribuna.com.br

Capa
Corpo
Crônica do Penna
Decoração
Educação
Elegantes do Mês
Gastronomia
Moda
Saúde
Social
Superinteressante
Turismo
Crônica do Penna

Tudo o que você queria saber sobre amor e continuará
não sabendo


texto Antonio da Cunha Penna
penna@silvaepenna.com.br 3875-3567

Assim como um copo d’água dá sempre um jeitinho de ir para o mar,
seja via rio, evaporando-se, voltando em forma de chuva, em se tratando da preservação da espécie o caminho óbvio é o amor com suas possibilidades descaradamente carnais.
É claro que um inocente copo d’água em sua ânsia de ser mar enfrenta obstáculos mil. Obstinado, deixa-se levar não pelo caminho mais curto e sim pelo mais fácil. O amor também.

O nosso copo d’água poderá encontrar pela frente: represas, cachoeiras; o amor encontrará moral, preceitos, preconceitos. Sem obstáculo algum estaríamos autorizados a dar a bordoada facilitadora do ato, só restando arrastar a amada pelos cabelos até a caverna mais próxima. Os mecanismos controladores estão cada vez mais relaxados. É o amor meramente físico mais facilmente atingindo sua finalidade: “crescei e multiplicai-vos”. Seria como se o copo d’água acima citado, encontrasse um declive acentuado e reto em sua corrida para o mar. Há muito o amor não corria tão livre como agora. A despeito dos métodos de controle de natalidade, acesso à informação e, por que não?, do fantasma da Aids, a auto-vigilância anda bastante distraída. Um experimentalismo, tendo como justificativa a busca do(a) parceiro(a) ideal vem supervalorizando o sexo como se ele fosse a parte realmente mais importante do relacionamento conjugal, apesar de, em alguns momentos, o ser.

Corpos são tratados como “máquinas”, se prestando para “ficar”, “dar uma voltinha”, para só depois poder optar pelo “modelo ideal”.
O antigo mote namoro-noivado-casamento, culminando com o “até que a morte vos separe” e tendo como meta a formação da família integral, pode não ser perfeito; conta com o sacrifício que é a constante busca dessa “perfeição”; exige paciência, perseverança, renúncia, aceitação... fidelidade. Em maior ou menor escala, é o ônus a ser pago para se estar sob o manto dessa venerável instituição que é a família. Todo bem tem um preço. Pouca chance de dar certo tem o casamento pautado apenas no aspecto sexual. Também não acredito em relacionamento com “tempo de validade” implícito: “se não der certo, separa-se”. Creia-me, não dará certo. Casamento deve ser um processo evolutivo auto-renovável.

A busca do(a) parceiro(a) ideal, muitas vezes exige aceitar no atual, defeitos que não foram suportados no anterior. Por mais paradoxal que seja vale a pena procurar o “novo ser” no parceiro que um dia nos foi dado a conhecer. É o preço. Dê tempo ao tempo e se descobrirá casado(a) com a pessoa que, se um dia foi certa, certa continuaria se pensada fosse a escolha; será razoável e salutar para o casal, filhos e netos, esse vulnerável, mutável, mas (a meu ver) insuperável arranjo chamado família.

No emaranhado das relações humanas, há relacionamentos e relacionamentos. Sei de alguns levados a duras penas. Infelizmente a inexorabilidade da morte de um dos cônjuges pode mostrar ao que ficou a importância do outro. Apesar de mal tratado, havia amor; um incompreendido amor que um dia motivou aquelas escolhas. Levadas a sério, cuidadas, são essas escolhas que darão valor sacramental às cerimônias de casamento, livrando-as da pecha de mero teatro.

Destituir o amor do que ele possa ter de sublime é deixá-lo à deriva das paixões. É o que mostra “Closer - Perto demais”, o filme recente do diretor Mike Nichols. Nele um quadrilátero amoroso serve de suporte para amores que não conseguem sublimar-se, uma vez que se deixaram conduzir pela sensualidade. Falta àqueles amores os componentes: renúncia, aceitação, fidelidade; nutrientes imprescindíveis para a sublimação do amor.

Você, que está apaixona-do(a), dê o tempo necessário à depuração do amor. O que sobrar (se sobrar) será o humo que o alimentará a vida inteira. Creia-me, vale a pena. Um tipo de doçura é a recompensa dos que se permitem amadurecer. É como num fruto. Dito assim parece pouco. Não é. Cada qual a seu modo terá sua recompensa.

Viver é complicado. O amor, uma de suas molas mestras, pode ser apenas um item complicador... ou simplificador. Depende.
Repito aqui o título desta crônica: “tudo o que você queria saber sobre o amor e continuará não sabendo”.

Esse é o amor. Modos novos de vivê-lo estão sendo fomentados, dentro e fora das searas desse sentimento, a busca do prazer com todos os significados que essa palavra possa ter, parece ser a tendência. O prazer exacerbado anda par a par com o egoísmo. Para haver equilíbrio, o fiel da balança pede despreendimento. Confesso não saber no que vai dar essa nova tendência. Somos o que fizeram e o que fizemos de nós. Não quero aqui ser modelo pra ninguém; apenas continuo acreditando ter o casamento potencial para obra-prima inacabada, a ser retocada até o fim.
__________________________________________________

Comecei está crônica (mal) comparando o amor a um copo d´água. Água não galga colinas; quanto ao amor...

 

© 2005 - Revista da Tribuna - Tribuna de Indaiá - Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.
   
Espaço Feminino
 
 
Expediente
Redação
Anuncie
Opinião