|
50
anos de moda
Glamour
dos anos 50
dá lugar à beleza e praticidade
ONTEM___________________________________
Embora
ainda fosse uma cidade pequena, Indaiatuba teve anos de muito glamour
na moda, com desfiles, escolha das Dez Mais Elegantes e bailes em clubes
nos quais homens e mulheres usavam
o que melhor havia na moda nacional. Em algumas pessoas, esse tempo
deixou saudades.
“As
pessoas sabiam se produzir, havia mais elegância, mais requinte”,
revela Mathilde Pedrina, 75, que fundou a Brasília
Magazine em 1960 (fechada em 1990). “Nós
fazíamos quatro desfiles por ano e os primeiros tiveram roupas
desenhadas por mim e feitas pela equipe de costureiras que a loja mantinha”,
conclui. Saudosa também é Araci Torres Gazola, que foi
gerente da Brasília: “Naquele tempo tinha moda. As confecções
eram de ótima qualidade, com bom acabamento. Hoje, com ‘coreanos’
fazendo cópias de roupas o produto final é questionável”,
explica. Opinião semelhante tem Izaura Okada, 65, a madame Okada,
estilista formada em alta-costura e que ganhou prêmios como o
Agulha de Ouro (o Oscar da categoria). “As roupas de hoje são
descartáveis, feitas para durar apenas uma estação”,
lamenta. Okada começou a atuar como estilista na década
de 60, quando se mudou para Indaiatuba. “Fiz o vestido de noiva
de muitas pessoas, entre elas Elizabeth Riggio, Ciça Zoppi, Cristina
Ferrari (filha do então prefeito Clain Ferrari) e Célia
Barnabé”. E conclui: “Hoje, definitivamente, não
há o mesmo glamour”.
Pioneira
A professora e escritora Silvia Sannazzaro
começou a agitar a sociedade local no início dos anos
50. Hoje, aos 93 anos, ela se recorda de um estilo de vida que, infelizmente,
mudou. “A cidade era pequena e necessitava de muitas coisas, entre
elas uma maternidade. Entre as atividades que fizemos para arrecadar
verba estava o ‘Grandioso Concurso de Bonecas Vivas’. Eram
crianças, filhas da sociedade local, que se apresentavam com
roupas elegantes. “Todo mundo ia aplaudir, era muito bonito”,
garante, que com esses e outros eventos, conseguiu grandes benefícios
para a cidade, entre eles uma maternidade equipada. Silvia é
autora do livro ”O Tempo e a Gente”, no qual narra as transformações
da cidade nas décadas passadas, entre elas o perfil da sociedade
local.

“As 10 mais”
Entre os acontecimentos sociais de Indaiatuba que mais atraíam
a opinião pública nos anos 50 e 60 estava a escolha das
dez mulheres mais elegantes da sociedade local. “Era um grande
evento, com baile, tendo a professora Silvia Sannazzaro como mestre
de cerimônia, e as eleitas recebiam uma placa de prata comemorativa”,
relembra Clemes Baptista Alves, uma das dez mais. Os desfiles de moda
e os bailes de debutantes também atraíam muita gente.
“O primeiro grande Baile do Havaí reuniu a alta sociedade,
todo mundo bem vestido, elegante”, completa Clemes.

Aydil, Clemes, Madame Okada e Penna
HOJE_____________________________________
Patrícia
Dante veste
saia inspirada nos
anos 50, da
butique Estilo Próprio
Há
algumas décadas era comum ver moças e senhoras se dirigindo
para Campinas ou São Paulo para fazer compras em algum shopping
center. Iam em busca de modelitos de grife ou diferenciados.
Hoje, raras
saem da cidade para trocar seu guarda-roupa. Realmente, Indaiatuba tem
butiques que atendem a todos os gostos, desde os mais extravagantes,
ao mais tradicional. Os preços são equivalentes ou até
mais baratos que os praticados em outras cidades.
A
pioneira em grifes nacionais foi Patrícia Milani,
da Path’s Moda, cuja loja foi aberta há 17 anos. “Inicialmente
minha clientela era de jovens, mas estas viraram mães e hoje,
avós”, brinca Patrícia, acrescentando que suas roupas
acompanharam esse “amadurecimento”, e hoje tanto podem ser
usadas pelas filhas ou suas mães. “Indaiatuba cresceu,
veio muita gente de fora morar aqui, com outra cabeça. Além
disso, a Zoff Club atrai milhares de jovens locais ou de outras cidades.
Tudo isso leva a uma mudança nas exigências dos clientes,
que saíram do tradicionalismo dos anos 50/60 para a ousadia e
praticidade da nova moda”, conclui.
Já
Míriam Dal Alba, da Lá na Mí,
teve sua clientela invertida. Quando começou a vender roupas,
seu material vinha basicamente da Itália ou França, eram
tailleurs ou terninhos bem cortados e que vestiam maravilhosamente as
mães, que usavam roupas mais, ahn..., digamos, comportadas. Agora,
a butique vende grifes como a Skunk ou Guaraná Brasil que têm
como característica a extroversão, a personalidade. “As
pessoas têm que se manter em seu estilo, porém, sempre
se reciclando”, ensina. E nesse perfil estão incluídas
também as três gerações. Míriam também
inovou o conceito de desfile de modas na cidade. “Já são
dez anos de desfiles. Começamos de uma forma quase artesanal,
no Indaiatuba Clube, com Kléber Patrício e Silvia Bolívar
apresentando as roupas. Depois, começamos a fazer alguma coisa
na linha do Cirque du Soleil”, lembra.
Quando
se fala em desfile hoje vem à cabeça de quase todo mundo
a Fashion Nigth, criada por Sandro Carotti,
da Lunna Loca, e Beggo, do salão Beggo Cabelo e Produção.
O desfile, que acontece duas vezes por ano, na troca de estações,
é um show na acepção da palavra. Criativos, Sandro
e Beggo não hesitaram em chocar a platéia (do casaco de
falsa pele de uma manequim saía sangue, alusão à
matança dos animais) sempre passando mensagens politicamente
corretas. “As pessoas querem grife, beleza, elegância e,
acima de tudo, status” filosofa Sandro. Em sua butique, grifes
como a Zoomp, Forum, Cavalera e Hercovitch, entre outras. “O preço
corresponde à qualidade. A Lunna Loca, que tem exclusividade
das marcas, se orgulha de ser a primeira em vendas no Brasil da Forum.
Já outros nomes tradicionais em moda na cidade, como Jane e Vânia
Albertoni, de A Nova Loja, investem não só em roupas sociais,
mas em modelos habillés para casamentos, bailes de formatura
ou outro grande evento. “Temos desde camisolas para dormir até
smokings para homens”, revela Nice Albertoni, mãe e fundadora
da loja. Eva Maria, cuja butique leva seu nome, assegura que a moda
é uma permanente reciclagem. “Agora a tendência é
homenagear os anos 50/60, com saias plissadas ou rodadas. Isso, é
claro, sem obscurecer as novidades criativas da atualidade”, explica.
|