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Capital nacional do Pólo

Cidade concentra 33 campos do jogo;
cavalos podem custar até US$ 80 mil

Indaiatuba tem nos cavalos mais do que um laço afetivo. Romaria, Faici, jogos de pólo, escolas de equitação e criação de cavalos movimentam a economia. Estimativas de veterinários avaliam que a cidade concentre cerca de 15 mil eqüinos. Isso dá emprego a uma série de pessoas que lidam direta ou indiretamente com os animais. São veterinários, treinadores, professores, terapeutas, tratadores, ou trabalhadores em selarias, casas de rações, spas ,vacinação, hotéis e fabricantes de remédios ou mimos como xampus especiais e esmalte para os cascos – tudo girando em torno desta forte figura de quatro patas. Os cavalos são usados não só no esporte e lazer, mas como terapia para uma série de transtornos físicos ou psíquicos. É a equoterapia, cujos resultados conquistam cada vez mais adeptos (leia no box). Além disso, os eqüinos continuam a desempenhar papel de auxiliar em bairros periféricos, sendo comum o uso de carroças para carretos ou recolhimento de sucatas.

Tricampeão de pólo Indaiatuba é a principal referência do pólo no Brasil. São 33 campos, a maioria no bairro Helvetia. O time brasileiro sagrou-se tricampeão no Mundial de 2004, ocorrido na França. Um time tem quatro jogadores: um atacante, dois que armam a jogada, um de meio de campo e outro na defesa. O objetivo é fazer o maior número de gols. Em 1975, Giorgio Moroni fundou o Helvetia Polo Club, e a partir daí os campos e times só cresceram. Hoje o presidente é Claudemir Siquini, que também cria cavalos e é um dos grandes incentivadores do pólo no Brasil. “Indaiatuba tem boa topografia e clima favorável ao esporte, com chuvas apenas no verão”, lembra o presidente.
Pela necessidade de cavalos atletas, o município tem haras espalhados em áreas rurais, principalmente nos bairros Helvetia e Mirim. Há uma espécie de seleção genética entre os animais mais aptos, que se tornam reprodutores. Os cavalos usados no pólo são puro sangue inglês, raça que tem grande capacidade de “explosão” (partida rápida) e parada brusca, fundamental para o jogo.
“O preço de um cavalo depende de sua habilidade no esporte. Por isso, podem valer de cinco mil a oitenta mil dólares”, revela Siquini. O cavalo é um atleta na acepção da palavra: treina todos os dias e sabe sua função no jogo. A preparação exige fôlego, não só do cavalo, mas do jogador. É que um campo de pólo tem 275 m de comprimento e 146 m de largura, mais 25 m de em cada lado como segurança. “Área equivalente a uns quatro ou cinco campos de futebol”, avalia Claudemir. Numa partida, em seis tempos de sete minutos, são necessários sete cavalos por jogador.

Carne de cavalo Embora possa causar horror e espanto, Indaiatuba “exporta” cavalos para matadouros no sul de Minas Gerais. Partem da cidade duas ou três carretas por semana, cada uma com 15 animais. Eles são abatidos, transformados em carne e enviados para a Europa e Japão. A exportação do produto cresceu 11% entre 2003 e 2004, com 20.500 toneladas vendidas, rendendo US$ 31,36 milhões aos frigoríficos. Salvam-se do abatedouro os cavalos criados por grandes haras ou pelos que vêem neles um animal de estimação. De acordo com o veterinário Pierre Escodro, hoje não mais se sacrificam cavalos que sofrem fraturas. “Métodos modernos permitem corrigir o dano, através de cirurgia ou colocação de pinos metálicos. Em geral, se a fratura ocorre do joelho para baixo, é mais fácil a recuperação. Já do joelho para cima, não há muito o que fazer, devido ao grande peso que o animal colocará na pata machucada”, explica o veterinário.

ROMARIA Em Indaiatuba os cavalos também são a grande atração na tradicional romaria à Pirapora, que há 65 anos é realizada em julho. Os cavalos são adornados e recebem tratamento vip. “Fomos mudando a filosofia no trato ao cavalo e o atual romeiro já começa a preparar seu animal três meses antes da romaria”, explica Tuca Gaspar, uma das organizadoras.
Segundo Alcides Gaspar, o Cidão (foto), presidente da Associação dos Romeiros de Indaiatuba, cerca de 800 cavalos participam da tradicional romaria.

 

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