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Melhor um foguinho para esquentar
a um fogaréu para
se queimar



Por Irmão Anézio

avendrame@itelefonica.com.br


Sofremos com o verão que custa a passar, ar condicionado, cerveja gelada, sorvetes, enfim uma série de providências são só paliativos, pois suamos e sofremos as conseqüências desse tempo. Já na Europa, o frio é intenso, e essa gripe aviária está preocupando todo mundo.

Uma vez uma velha senhora italiana, chamada Maria, me contava que durante a guerra muita gente se protegia do frio ligando o fogão a carvão pois ainda não havia o aquecimento a gás nas residências mais humildes. Mas, somente o fogo a carvão não dava aquele conforto tão esperado, daí vinha o cobertor, o endredon e até um aconchego no marido que já tinha bebido uma garrafa de vinho. Isso durava mais de seis meses, de dezembro até junho, quando começava o verão, a Itália já havia sido tomada pela Alemanha e todo exército alemão circulava pelas cidade da Itália, fiscalizando os lares onde poderia ter inimigos. Assim quando se acendia o fogo deveria providenciar para que a fumaça não saísse pelas janelas, e depois que a luz do fogão não denunciasse um homem dentro de casa.

As tropas passavam bem armadas em um jeep. Era um sacrifício respirar dentro de casa aquela fumaça sufocante, o pequeno cão saia correndo, e isso era toda tarde noite, pois a casa era perto da estrada que ligava o Aeroporto à cidade.

Seu marido vivia no forro da casa, e quando tinha uma inspeção era lá que ele se escondia, e quando a tropa se afastava ele descia se alimentava e se aquecia.

Tudo ia indo muito bem, até o dia que ela apareceu grávida, a barriga crescendo, e ela sem saber justificar junto aos militares alemães como aquilo tinha sido possível, se naquela casa não tinha nenhum homem.

Ela rezava, e evitava sair pois temia ter que mostrar aquele barrigão no mercado, a comida estava escasseando, e não era muito, um pedaço de pão, e chá, bastante cha, sentindo-se mal um dia foi levada ao centro medico militar, la foi examinada, e depois de medicada, foi levada de volta pra casa sem nenhuma pergunta indiscreta feita. Assim criou coragem e começou a sair, ir à quitanda, ao mercado, e o segredo de tal atitude, era que pensavam que algum soldado alemão a tinha engravidado.

Nasceu sua filha Carla uma bonita menina, de olhos claros como a mãe e isso confirmou a suspeita dos vizinhos e autoridades alemãs, só ela e seu marido no forro é que sabiam da verdade.
Depois de terminada a guerra, pode a família ligar o gás, e assim foi esquecido o drama do aquecimento pelo carvão.

Hoje Carla é uma bonita senhora mãe de dois filhos, e Maria juntamente com seu marido, repousam num cemitério perto do aeroporto de Ciampino.

 

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