Fazendo a cara
da sua casa
É
imprescindível projetar o ambiente antes de fazer o acabamento
do piso, teto e paredes
As paredes estão erguidas, o telhado foi instalado, a fiação
elétrica e de telefone, encanamento hidráulico e de
gás.
Tudo pronto. Será?

Ambiente planejado
melhora o
aproveitamento
do espaço
É aí que vem a parte mais cara de uma obra: a finalização.
Não há como negar. Além de já estar
desgastado pelos contratempos da obra, e “com a corda no pescoço”
pelos gastos das outras etapas da construção, é
no final da obra que o orçamento costuma estourar ainda mais.
Acabamento, decoração, móveis planejados, iluminação
e paisagismo são mesmo bastante caros. Isso porque se trata
da fase mais “bonita” da construção, quando
será escolhida, definitivamente, a estética da casa.
E esta fase é capaz de encher os olhos de quem está
construindo. Basta fazer uma visitinha, por exemplo, a um show room
de pisos e azulejos para entender bem do que estamos falando. As
opções são tantas que fica realmente muito
difícil economizar.
Nessa hora planejamento é a palavra-chave. E para atingir
um resultado satisfatório é imprescindível
projetar o ambiente antes de fazer o acabamento do piso, teto e
paredes. Assim o profissional irá, logo de início,
definir o visual da casa, insolação, área de
ventos, vizinhança, limites e restrições. Após
essa primeira análise, se faz uma reunião com esse
profissional para definir as necessidades, os equipamentos e as
dimensões da obra.
“É importante a elaboração de um cronograma
físico e financeiro, pois ele irá detalhar todas as
etapas da construção”, comenta a arquiteta Rosimeire
Trevizan. Esse cronograma abordará desde a aprovação,
até a implantação do canteiro de obras, projetos
de hidráulica, elétrica e materiais de construção.
O planejamento é feito para que o projeto tenha sucesso do
começo ao fim, satisfazendo o cliente e o profissional.
Pensando no posicionamento dos móveis e objetos de decoração
é mais fácil elaborar um projeto luminotécnico
adequado. Assim o ambiente vai ser iluminado de acordo com a necessidade,
e não com o tradicional – e medíocre –
ponto central de luz em todos os cômodos. Também vai
depender dos móveis o posicionamento de tomadas, interruptores,
pontos de água e telefone.
Por isso, para evitar quebra-quebra naquela parede que acabou de
ser pintada, é melhor fazer o projeto dos móveis assim
que a obra estiver entrando na fase do acabamento.
“Quando pegamos um imóvel ainda sem acabar é
possível atingir um aproveitamento de cem porcento do espaço.
Ainda dá tempo de mudar uma tomada, adicionar um interruptor,
e fazer a decoração interagir com a luz do ambiente”,
explica Adriano Mendonça, proprietário da Novitá
Móveis Planejados. O tempo necessário para terminar
o acabamento será aproveitado para fabricar os móveis
e, quando tudo estiver pronto, é só fazer a instalação.
Nas lojas especializadas – como é o caso da Novitá,
que é representante da Italínea – os projetos
dos móveis são elaborados por consultoras em decoração.
Elas repassam o desenho para o projetista, que fará a planta
completa do ambiente, incluindo elétrica, hidráulica,
telefone e gás, quando for necessário.
E por se tratar de um investimento no final da obra é possível
contar com a compreensão do lojista para o investimento não
pesar demais no orçamento da obra. “Sabemos que se
trata de uma fase onde a pessoa já está cheia de gastos.
Por isso fazemos financiamento em até 30 parcelas, com a
entrada para 120 dias”, arremata Mendonça.
Cores
e texturas

Balcão feito com
retalhos de madeira:
fibras naturais em alta
No
campo dos revestimentos de pisos, tetos e paredes as fibras naturais
estão com tudo. Alguns decoradores chegam a eleger esses
materiais orgânicos como elementos fundamentais na arquitetura
de interiores do novo milênio. O rústico chique decola
como a nova tendência. Palhas naturais – tingidas ou
alvejadas – podem forrar tetos e paredes, enquanto o rústico
sisal muitas vezes substitui com muito charme o carpete, ao cobrir
pisos e rodapés.
A única contra-indicação para esse material
é a umidade que, em excesso, pode acelerar o processo de
desgaste das fibras. Por isso, principalmente nas paredes, é
recomendado aplicar um tecido de algodão entre a palha e
a cola da alvenaria.
A designer de interiores, Kátia Brooks, esteve, no último
mês, visitando uma grande feira de revestimentos em São
Paulo, quando foram apresentados os lançamentos 2006/2007,
principalmente do setor cerâmico. Segundo ela, as cerâmicas
que imitam madeira, fibras naturais e couro estão entre as
principais novidades. Agregam ao visual rústico as vantagens
dos porcelanatos, mais resistentes e fáceis de limpar.
“Já existem revestimentos de parede com palha e cristais.
O acabamento que imita couro também é perfeito. A
única forma de perceber a diferença é através
do toque. A tecnologia para desenvolver o visual avançou
muito, e o ecologicamente correto está com tudo”, conta
a designer.

Equilíbrio no uso
das cores favorece
o ambiente
Há também porcelanatos que imitam com perfeição
os caros carpetes de madeira. Apesar do preço do material
chegar bem perto do original, o custo de instalação
da cerâmica é bem menor. Isso sem falar nas vantagens
no tocante à durabilidade e na economia com manutenção
que, no caso da madeira, costuma pesar na escolha.
A mesma tecnologia alcançou também o uso de pedras
como ardósias, mármores e granitos. “Hoje os
produtos de impermeabilização e cristalização
são muito mais eficazes. Isso retarda o desgaste das pedras,
e facilita o uso em mesas, lareiras, lavatórios e escadas”,
explica Maria Helena Uchôa, da marmoraria Uchôa.
Ambientes
Entre
os principais fatores que devem ser levados em consideração
está a função daquele ambiente. Quando está
prevista a instalação de um home theatre, por exemplo,
é necessária a aplicação de um revestimento
que seja acústico, e com fios e tomadas devidamente escondidos.
Para isso, Kátia destaca também a importância
das cores. “Dependendo da função daquele ambiente,
escolhemos as cores que melhor se adaptam. O amarelo, por exemplo,
jamais deve estar em cozinhas e salas de refeições,
porque induz a comer mais do que precisamos. Por outro lado é
ótimo para estimular a criatividade e nos manter pró-ativos
no trabalho”, explica.
De acordo com ela, o azul seria completamente oposto. Uma cor mais
fria, que acalma e leva à reflexão. “Assim como
o branco que, até por ser introspectivo demais, não
é recomendado que se use à exaustão, pois pode
aumentar a intensidade de crises depressivas”, avalia.

As pedras estão
entre os elementos
indispensáveis
Rosa e vermelho despertam o romance e a paixão, por isso
devem ser usados no lugar certo, evitando ambientes ‘comuns’
da casa. O verde traz as mesmas vantagens do azul, trazendo mais
repouso ao ambiente.
“Muita gente tem bom gosto para decorar, porém falta
o conhecimento técnico. O bom gosto é apenas um dos
requisitos para uma boa decoração, por isso fica muito
claro quando um ambiente foi desenhado por um profissional ou por
um amador”, afirma Kátia.
Para todos os efeitos, a pessoa mais indicada para orientar quem
está construindo é sempre um decorador. Mas quem não
tem recursos para contratar um especialista pode recorrer a meios
mais baratos (e até gratuitos) de conseguir orientação.
A própria Kátia oferece serviços de ‘consulta’,
que são bem mais baratos que um acompanhamento de obra. Nesse
momento ela estuda as dúvidas do cliente e emite um ‘diagnóstico’,
para ajudar na escolha de uma cor ou textura que melhor se adapta
ao ambiente.
Algumas lojas de acabamentos dispõe de profissionais capacitados
para ajudar a escolher o que melhor se adapta à sua necessidade
e gosto pessoal. Além disso ainda existem revistas, sites,
e programas de televisão – especialmente nos canais
de TV paga – que dão dicas valiosas que vão
desde o uso das cores e texturas até o aproveitamento do
material.
Plantas,
água e luz

Pedras
dão o tom
no jardim interno
Geralmente
o último item da obra é o paisagismo. Enquanto den-
tro de casa a tendência é partir para o uso de materiais
orgâni-cos, o lado de fora vem cada vez mais variando a matéria
prima. Água, pedras, troncos e cerâmicas se mesclam
a biombos feitos com bambus e cestos de sisal. “A idéia
central é de promover uma harmonia de materiais, especialmente
quando se trata de fontes ornamentais”, analisa a paisagista
Maria Inês Carvalho.
Porém ela alerta para uma falha muito comum quando a própria
pessoa tenta fazer o paisagismo: nem sempre colocar dez peças
lindas deixa o jardim mais bonito. Por isso é preciso que
haja uma linha de trabalho bem definida.
Se, por exemplo, estiver trabalhando com peças em tons “palha”,
inserir um único elemento vermelho pode dar um destaque muito
bonito. No entanto incrementar o jardim com dezenas de bichinhos
coloridos, plaquinhas de boas vindas e anõezinhos pode não
ser uma boa idéia. A intenção inicial se perde,
e as pessoas não vão saber para onde olhar.
“O comportamento padrão de quem está construindo
é este: Ele termina a casa, põe grama em toda a área
externa, começa a plantar ‘mudinhas’ que ganha
de parentes e amigos, para só então procurar um paisagista.
Aí o trabalho é bem mais difícil, já
que algumas dessas plantas não poderão ser removidas
por ‘questões familiares’. A topografia fica
pobre [plana] e o paisagista não pode inovar tanto quanto
gostaria”, reitera Maria Inês.

Com
a iluminação
o jardim é valorizado
O caso de Renata Giomi Barnabé é bem particular. Formada
em arquitetura, não abre mão do paisagismo. “Sempre
tive paixão por plantas. Tenho uma tia arquiteta que sempre
me levava para acompanhar obras. A profissão foi sim por
um pouco de influência dela. Mas o gosto pelos jardins é
algo bem particular meu. Logo me especializei em paisagismo”,
recorda Renata.
Muitas vezes um espaço destinado ao paisagismo, ainda que
seja pequeno, é capaz de dar um charme no imóvel,
inclusive valorizando a obra. As plantas e os demais elementos do
jardim são capazes de despertar sentimentos através
de sons, cores e aromas. Isso sem falar no poder terapêutico
de se ter um pedacinho de terra para cuidar.
E não é só do lado de fora que o paisagismo
se faz presente. Os jardins de inverno são cada vez mais
requisitados, e a melhor opção nesse assunto continua
sendo o chamado “jardim seco”, que não utiliza
terra, e sim pedras. Nesse modelo as plantas ficam em vasos, escondidos
no meio das pedras. A grande vantagem desse método é
que as pedras retêm menos água que a terra, o que facilita
o escoamento da água, evitando infiltrações.
É sempre bom lembrar que, tanto no paisagismo quanto na decoração,
ninguém é mais indicado para palpitar sobre o ambiente
do que quem vai usá-lo, ou quem vai passar mais tempo nele.
Seguindo essas dicas, com certeza, sua casa vai ficar linda e muito
funcional.