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Lembra daquela brincadeira infantil de fechar os olhos para se esconder? Para a criança, basta que ela não veja mais nin guém, e ela acredita que ninguém a está vendo também. Mas agora estamos a um passo de sermos reconhecidos como adultos, e é preciso abrir os olhos para o mundo em que vivemos. A única forma de transformar a realidade é interagindo com ela. É exatamente essa a proposta do hip hop.

Em Indaiatuba o movimento está bem servido. Segundo a Associação Hip Hop Indaiatuba, são 12 grupos de RAP e incontáveis b-boys (veja quadro ao lado) que se juntam principalmente nos finais de semana. No ramo do grafitti, já existe uma oficina em parceria com a Secretaria da Cultura.

Tudo para desmistificar e proliferar essa cultura underground.
“O hip hop e o crime vêm do mesmo lugar, por isso o preconceito. Mas a gente tira a molecada do ‘grupo de risco’ do crime com atividades que têm a ver com a cultura deles”, avalia Alexandre Veronese, professor na oficina de grafitti, e que no meio do hip hop é mais conhecido como ‘Verm’. Para ele, essa forma de arte alternativa pode ser um grande passo em direção a uma profissão. “Um DJ pode se profissionalizar, e ganhar a vida tocando em festas. O MC pode virar compositor, letrista, ou escritor. O b-boy pode ser profissional da dança ou do esporte. E o grafiteiro pode virar um designer”, analisa.

Primeiro CD
O presidente da Associação é Marcelo Bignatti da Silva, o ‘Miojo’, MC do grupo 9 Milímetros. O grupo está finalizando a gravação do primeiro CD, ainda sem nome definido. Ao todo serão 18 faixas, incluindo a música Somente os Covardes Merecem Perder, que saiu na coletânea 12 Revelações, reunida pelo radialista Nuno Mendes, da 105 FM. “Já estamos tocando na rádio 105, e isso é muito bom. É difícil para os grupos do interior chegarem a uma rádio grande”, conta Miojo.

Junto com ele no grupo 9 Milímetros está o DJ Smith (Alison Davis Silva de Maria) que já domina as pick-ups há 17 anos. “Comecei cedo, aos 13 anos já tocava em São Paulo”, recorda. Ele e a psicóloga Suheila Shake Ahmad (que antes ajudava em uma ONG de hip hop em Bauru) são os únicos dos oito membros da Associação que não nasceram em Indaiatuba.

Outro grupo de Indaiatuba, o Decreto Verbal, é comandado pelo MC Roger (Rogério Mendes) (a esq.) e também já está em estúdio preparando o disco próprio. “As produções são sempre independentes. Usamos o estúdio do pessoal do 9 Milímetros [que fica em Vinhedo] para gravar aos poucos”, conta Roger.
Nem só de machões mal encarados se faz o RAP. Há também meninas que ousam mostrar o que pensam sobre o mundo. Na Associação as MCs Juliana Souza e Islaine Aparecida de Assis Fátima são membros ativos da diretoria, e vêm de dois grupos distintos, ambos formados só por meninas. Juliana inclusive já participou de dois outros grupos antes de se juntar ao Opinião Feminina.

Apesar do RAP ser o “carro chefe” do movimento, o que mais chama a atenção no hip hop é, sem dúvida, a dança. O b-boy Eliseu Matos conta que começou a se interessar pelo break através de videoclips. “A gente via os gringos dançando e tentava fazer igual. A técnica apurada impressiona quem assiste, e com a gente não foi diferente”, reconhece.

Para ele, além do preparo físico é necessário estar equilibrado psicologicamente para não tremer na ‘hora agá’. “Quando vai para uma competição grande é sempre mais difícil manter a calma. Tem que estar muito mais tranqüilo para não fazer feio”.

Como surgiu o hip hop
A história do hip hop começa na Jamaica, na década de 60. Lá o povo se reunia nas ruas para ouvir os ‘toasters’ (versão arcaica dos MCs) falarem sobre problemas sociais. Esses discursos eram acompanhados por sound systems, que tocavam música jamaicana. No início da década de 70, a Jamaica passou por uma grave crise econômica, o que levou muitos jovens jamaicanos a emigrarem ilegalmente para os Estados Unidos. E a moçada levou junto a tradição dos sound systems. Logo as festas de rua viraram febre no bairro do Bronx em Nova York.

O rap nasceu pelas mãos do DJ Kool Herc, que uniu os sound systems da jamaicana e a batida forte do funk americano. Os DJs começaram a fazer novas músicas, “colando” trechos de diferentes discos de funk. Logo o DJ Grand Master Flash (discípulo de Herc) criou o famoso scratch, que é o som do disco girado rapidamente ao contrário, hoje uma marca registrada do rap. A dança característica – o break – começou como um protesto contra a Guerra do Vietnã, para onde eram mandados os jovens porto-riquenhos. Os passos imitavam soldados que mutilados e as hélices de helicópteros.

As acrobacias e a plasticidade dos movimentos foram responsáveis por difundir o hip hop. O break acabou se tornando uma forma de disputa entre clãs (ou crews) de bairros rivais. Ao invés de brigar, os jovens resolviam suas diferenças através da dança. Dentro do hip hop o ato de expor a arte nos muros surgiu quando estudantes de arte tiveram as portas fechadas ao expôr suas obras nas grandes galerias. O muro surgiu, então, como a plataforma mais democrática para as artes plásticas.

Linguagem do hip hop

Rap Abreviação de Rhythm and Poetry (Ritmo e Poesia). É executado através do som do DJ e das letras do MC.

DJ – (lê-se: ‘di-djei’) Abreviação de Disc Jockey. É quem comanda as pick-ups (toca discos) para produzir as batidas que darão ritmo à letra cantada pelo MC.

MC – (lê-se: ‘ém-sí’) Abreviação de Mestre de Cerimônias. Canta como estivesse recitando uma poesia.

B-boy – (lê-se: ‘bi-bói’) Abreviação de Break Boy (Garoto que Quebra). O nome Break é uma alusão aos movimentos.

Grafitti – É a expressão ‘gráfica’ do hip hop. A diferença entre grafitti e pichação é que, enquanto um é arte pacífica, o outro é uma agressão covarde.

Elegantes Teen
Gabriela
Godinho, 16


Ela tem estilo, tem charme e onde chega é notada. Isso se deve também por sua personalidade marcante,
que cativa todo mundo.
Claro que a
gatinha
recebe muitas paqueras,
mas isso é
natural, não é?
Guilherme
Rampani, 12


Que bela estampa! Charme e elegância estão sempre juntos quando
se fala no Gui.
É porque ele
sempre se destaca por estar com aquele astral
legal. E isso faz
com que a pessoa
sinta-se permanentemente
de bem com
a vida
Natalia
Saeta Rosa, 15


Uma graça, linda.
E que elegância!
Ela fica bem
com qualquer
modelito e sabe
que a pessoa que mantém mente,
corpo e espírito
legais tem muito
mais vantagens quando
o quesito charme
se faz presente
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