Salve
Jorge!
Santo Guerreiro foi
cassado
pelo Vaticano em 1969
Ele
está lá na Lua com seu cavalo branco combatendo o Dragão.
Em muitas casas e comércios, a imagem de São Jorge aparece
em quadros ou estátuas. Tão adorado e respeitado, e
mesmo assim está entre os 200 santos “cassados”
pelo papa Paulo VI em 1969, no Concílio do Vaticano II. A decisão,
polêmica, só considera “santo” aqueles cuja
existência tenha comprovação ou que não
seja acompanhado por lendas estranhas (no caso de São Jorge,
o dragão). Assim, por um ou outro motivo, entre os 200 “cassados”
estão Santa Bárbara, São Cristóvão,
São Lázaro e Santo Expedito.
Segundo o padre Quevedo, do Mosteiro de Itaici, o Vaticano aceita
a devoção a esses santos e seus cultos são reconhecidos
pelo catolicismo, mas eles não fazem parte do Calendário
Litúrgico (missas ou orações específicas)
em seus respectivos dias. Para a Igreja Católica, Jorge é
considerado “um grande mártir”. A bibliotecária
Rosângela Oka, do Mosteiro, confirma: “os livros mostram
Jorge da Capadócia como um cristão que foi morto pelo
imperador romano Dioclesiano por não abdicar de sua fé
em Cristo.” Jorge, embora tenha sua vida comprovada, perdeu
o status de santo devido ao dragão.
Quem
foi
Sabe-se que no dia 23 de abril de 303 depois de Cristo (dC) o soldado
Jorge, nascido na Capadócia (hoje Turquia), foi torturado e
teve sua cabeça decepada, em Nicomédia (Palestina),
devido a sua fé cristã. Seus restos mortais foram transferidos
para a cidade de Lídia (perto de Jerusalém), onde foi
sepultado. Em 312 dC, com a conversão do imperador romano Constantino
ao cristianismo, uma suntuosa capela foi erguida no local em homenagem
ao mártir.
Filho de pais cristãos, Jorge mudou-se para a Palestina depois
da morte da mãe. Lá, foi promovido a capitão
do exército romano devido a sua habilidade e dedicação.
E aos 23 anos foi feito conde. Nessa época o imperador Diocleciano
(236-305 dC) assinou um decreto determinando a morte de todos os cristãos.
Jorge revoltou-se e afirmou que não iria acatar a ordem. E
mais, passou a converter com sua fé os próprios romanos.
Foi então que o imperador decidiu torturá-lo e decapitá-lo.
Dragão
Segundo algumas versões um dragão saía de vez
em quando de um lago no Oriente Médio e atirava fogo nas plantações
de uma cidade. Para aplacar a ira do bicho, era oferecido um sacrifício
humano. Coube ao rei local enviar sua filha, que aceitou seu destino.
A moça estava aterrorizada, quando surge um cavaleiro com capa
vermelha montado num cavalo branco.
Segundo a lenda, foi Jorge quem enfrentou as labaredas do dragão
e manteve um duro combate, com sua espada de ouro e sua lança
de aço. Ferido, o dragão se converteu num animal dócil,
sendo levado de coleira para o reinado, não estragando mais
as plantações. Era época de Lua cheia e os habitantes
da cidade passaram a ver no satélite da Terra a imagem do santo
guerreiro.
São
Jorge protetor
Em Indaiatuba muitos estabelecimentos comerciais e de prestação
de serviços ostentam a imagem de São Jorge. Ele é
guerreiro, protetor. Corajoso, não hesita em defender os necessitados.
Com o crescimento de adeptos de religiões neo-pentecostais,
porém, a devoção ao santo já não
é tão aberta. Mas quem confia em sua proteção,
não esquece de agradecer as graças alcançadas.
Maria Elizabeth Gomes, que trabalha com faxina, é
devota de São Jorge.
Ela e a filha, Alessandra, micro-empresária que lida com cavalos.
“Peço
proteção ao Santo Guerreiro quando volto para casa depois
do trabalho. Sei que ele está comigo e me sinto segura”,
garante Beth. Alessandra, que não perde uma romaria, também
pede a bênção do padroeiro dos cavaleiros sempre
que anda a cavalo. “Ele também me dá forças
nas horas em que fico indecisa”, assegura.
Segundo crença popular São Jorge é evocado não
só para dar proteção aos oprimidos. Muitos recorrem
a ele em busca de um emprego ou quando necessitam coragem para enfrentar
momentos difíceis. E muitos asseguram que a ajuda do santo
foi fundamental. É o caso de José Antônio
Pires dos Santos, que trabalha da área de segurança.
Muito devoto, pediu para que conseguisse obter um terreno para moradia.
A graça foi atendida pouco tempo depois.
“São Jorge é justiceiro, rígido, atende
aos que verdadeiramente merecem alguma graça. Como sempre fui
correto, tenho sido abençoado todas as vezes que peço
sua ajuda”, diz, acrescentando que anda sempre com a imagem
do Guerreiro na carteira.
Bicho
O santo é patrono da Inglaterra, Portugal e Grécia,
entre outros países, é padroeiro do Corinthians (no
clube existe uma capela dedicada ao santo, que é muito visitada),
dos soldados, dos cavaleiros, dos escoteiros e dos bicheiros.
E uma história verdadeira e misteriosa ilustra bem a devoção
a São Jorge pelos banqueiros do jogo do bicho. Na década
de 50, no Rio de Janeiro, um bárbaro assassinato vitimou a
filha de um dos principais bicheiros. O crime aconteceu em seu apartamento,
de número 44, às vésperas do dia de São
Jorge. As dezenas do cavalo são justamente 41, 42, 43 e 44.
Ante tamanha coincidência, as apostas no 44 foram inevitáveis.
E no dia 23 de abril o bicho que “deu na cabeça”
foi... o cavalo!
Os banqueiros do bicho são famosos por honrar as apostas. Como
eram muitas, naquele dia os banqueiros quebraram, faliram. Fizeram,
então, promessa coletiva de que se conseguissem se recuperar,
nunca mais aceitariam apostas no cavalo no dia de São Jorge.
E até hoje é assim. No dia 23 de abril nenhuma banca
de bicho do Brasil aceita apostas no cavalo.
Santo
Guerreiro

São
Jorge é Ogum no sincretismo
religioso brasileiro. O orixá tem as mesmas características:
é guerreiro, valente,
deus do ferro e das armas de metal.
Assim como Jorge, protege os oprimidos.
Na astrologia São Jorge representa
Marte e o signo de Áries.

Muita gente planta na entrada
das casas ou escritórios
“espada-de- São-Jorge” ou
“lança-de-São-Jorge” para manter
os locais seguros, livres
de qualquer malefício.