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Por FÁBIO ALEXANDRE
1980 -
Equipe da Tribuna: Sandra, Sérgio,
Jacira, Manoel,
Ananias, Marcos,
Márcio, Elias,
Márcio e Marco
Toda história é construída com ferramentas
e forjada por homens que
se dedicam a uma missão. Em seus 52 anos de fundação,
a Empresa Jornalística Tribuna de Indaiá passou
por diversas fases, sempre acompanhando e empregando as novas
tecnologias do mercado com um objetivo: oferecer a seus leitores
um jornal dinâmico e informativo, imparcial e principalmente
coletivo, produzido não apenas por seus funcionários,
mas também por aqueles que apreciam seu conteúdo.
Conheça um pouco do trabalho dos bastidores do jornal,
um trabalho quase sempre anônimo, mas de vital importância
para transformar idéias e informações em
páginas da história de Indaiatuba.
“Iniciamos nossos trabalhos em 17 de abril de 1955, e não
contávamos com repórteres, mas colaboradores que
escreviam e mandavam seu material ao jornal”, conta José
Luis da Silva Miranda, superintendente da empresa. “Quando
acontecia algo realmente importante na cidade, íamos de
bicicleta ao local para apurar os fatos”, recorda. “Dentro
do jornal, possuíamos apenas um redator, que comandava
os trabalhos. Muitas vezes à distância”, enfatiza.
“Eu e meus irmãos Manoel Ferreira de Miranda, Belmira
Miranda de Toledo e Terezinha Miranda nos tornamos os editores
do jornal após o falecimento de meu pai, Gabino Ferreira
de Miranda Neto, em 1963.”
1955
- Composição
manual
Com
os textos prontos, o trabalho de manufatura do jornal tinha início.
O primeiro sistema adotado para a “construção”
da edição foi o tipográfico. “Também
conhecido como 'sistema frio', a tipografia era extremamente artesanal”,
lembra José Miranda. “Tínhamos uma caixa com
todas as letras e íamos compondo tipo por tipo, letra por
letra, com o apoio do componedor”, explica o diagramador
Márcio Côrrea de Melo, que trabalha na Tribuna desde
1972. “Formávamos linha por linha, em um trabalho
manual que durava mais de uma hora”, enfatiza. “Para
aprontar uma página, levávamos até dois dias.”
O
desafio era dobrado. “Precisávamos montar tudo em
uma ‘bolandeira’, de maneira inversa, para depois
levarmos a página até uma impressora totalmente
manual, onde 'carimbávamos' página por página
nas folhas de jornal”, relembra o também diagramador
Marco Antonio de Almeida, na Tribuna desde 1975. “Depois
que aquela página secava, voltava para imprimirmos no verso
da folha”, explica. “Se derrubássemos a composição
feita no componedor, perdíamos praticamente todo o serviço
e era preciso começar do zero”. Depois de pronta,
a Tribuna chegava ao leitor nas manhãs de domingo.

1955
- Impressora manual
O
sistema tipográfico durou até 1977, quando foi substituído
pela linotipia, também conhecida como “sistema quente”.
“Foi uma verdadeira 'revolução' na manufatura
do jornal”, conta José Miranda. “Se demorávamos
uma hora para compor uma linha na tipografia, com o novo sistema
demorávamos uns 15 ou 20 minutos”, lembra Márcio.
“Assim como no método anterior, recebíamos
as páginas datilografadas e as montávamos. A linotipo
contava com uma espécie de máquina de escrever,
com 90 teclas entre maiúsculas, minúsculas e numerais”,
observa Marco.
Para cada palavra digitada, caía uma matriz (forma vazada
com o formato das letras), que construía uma linha da matéria,
posteriormente fundida em chumbo. “Estes lingotes eram diagramados
em uma bolandeira, também de maneira inversa, para sua
impressão”, observa Márcio. “Somente
os títulos das matérias eram produzidos manualmente”,
completa. “Até mesmo para revisar, era preciso ler
de maneira invertida”. Assim como na tipografia, todo cuidado
era pouco na montagem das páginas. “Não podíamos
amassar os lingotes de chumbo, ou tínhamos que fazê-los
novamente”, lembra Marco.
A
primeira linotipo adquirida pela Tribuna era um modelo construído
em 1909. “Não tivemos problema algum para nos adaptar
ao novo sistema na época”, ressalta Marco. “Até
porque as diferenças eram poucas. Difícil mesmo
era trabalhar com o calor produzido pela caldeira da máquina”,
recorda. “Outro problema era a manutenção,
já que o único técnico especializado vinha
do Rio de Janeiro”, observa. A impressão também
foi uma revolução, abolindo o sistema manual e passando
para a automatização, ganhando-se tempo na produção
da edição. O sistema, que durou até 1995,
era automático. “Precisávamos apenas dobrar
as folhas para organização das páginas do
jornal”, lembra o diagramador.
Informatização
O sistema computadorizado foi implantado em duas fases. “Na
primeira, tínhamos um programa que permitia digitarmos
a matéria com seu título e depois imprimi-la”,
conta Marco. “Depois recortávamos o texto e montávamos
a página no diagrama, uma folha do tamanho da página
do jornal”, recorda. “Ainda era um serviço
artesanal, que dependia de muita tesoura e cola”, lembra
Márcio. Depois de pronta, a página era enviada a
Campinas, onde era “fotografada”, transformando-se
fotolito e remetida à impressora. “Mais tarde, a
Tribuna comprou a máquina de fotolito e enviávamos
tudo pronto para a gráfica”, observa Marco. O novo
sistema permitiu uma dinamização na produção
do jornal, que passou a ser vendido nas manhãs de sábado.


Marco, 42, diagramando
a revista; Márcio, 44, diagramando o jornal
Logo depois vieram os softwares especialmente elaborados para
a montagem das páginas diretamente no computador. “Nesta
fase, precisamos fazer alguns cursos para dominar o programa,
que era todo em inglês”, comenta Márcio. “Depois
de pronta, a página é enviada pela Internet diretamente
para a gráfica, que produz o fotolito e imprime a edição”,
completa. “Este sistema viabilizou uma edição
mais completa, já que podíamos inserir notícias
apuradas na véspera. Algo inviável tempos atrás”,
explica José Miranda.
30
anos de coluna social
Colorido e repleto de fotos, os jornais de hoje apresentam a cada
página os sinais da evolução deste veículo
de comunicação. Contudo, a maioria dos leitores
nem imagina a “operação de guerra” que
envolvia a disposição de uma foto na página,
além de seus elevados custos. Nos 30 anos de aniversário
da coluna Vida Social... e Koisas, comandada por Aydil Bonachella,
a radialista fala sobre o desafio de comandar uma coluna social
inteiramente escrita. “Naquele tempo, lia-se os jornais”,
lembra Aydil. “Íamos aos bailes e precisávamos
ficar atentas a todo os detalhes”, recorda. “Como
não tínhamos fotos na coluna, descrevíamos
com detalhes o evento. Naquela época não me divertia,
pois tinha a responsabilidade de anotar tudo e não perder
nenhum detalhe”, ressalta. “Chegava em casa, pegava
minha máquina de escrever e ficava até de madrugada
fazendo a coluna.”
Fotografias
eram raras. “Geralmente, as que saíam eram de casamentos”,
observa Aydil. “E eram pagas pelos noivos, pois fazer o
clichê era caro para o jornal”, enfatiza. O clichê
é uma placa de zinco na qual a película era copiada
e encaixada na página, antes da impressão. “A
foto saía reticulada, mas era motivo de orgulho. Naquele
tempo, o espaço no jornal já era disputado”.
Os bailes nos clubes eram ponto de encontro dos “sociáveis”
da época. “Todos faziam roupa nova para comparecer.”
A atividade social era menos intensa. “Não tínhamos
tantos eventos como hoje”, recorda. “Agora todo dia
tem alguma acontecendo”, brinca. Nos dez anos que permaneceu
no comando da coluna, Aydil contou com diversos colaboradores,
como Madame Okada, Marisa Narezzi, Dimas, Beggo, entre outros.
A radialista faz um balanço de sua passagem na Tribuna.
“Foi a primeira coluna social da cidade e marcou minha vida”,
ressalta. “Me formei em Direito, mas sempre fui uma pessoa
comunicativa, que precisava estar no meio dos acontecimentos.”
Aydil aproveita para incentivar os novos colunistas a “abusar”
da escrita. “Hoje é fácil colocar fotos na
coluna e muitas parecem um ‘álbum de figurinhas’”,
lamenta. “O grande número de fotos não incentiva
a leitura. A pessoa pega o jornal, vê as fotos e pronto.
Ninguém quer ler mais”, analisa. A radialista aproveita
para deixar seus parabéns a Tribuna. “Costumo dizer
que a tradição ninguém consegue derrubar”,
comenta. “Por isso, a Tribuna comemora hoje seus 52 anos,
porque sempre foi comandada com pulso firme pelas mesmas pessoas,
unidas por um ideal.”