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CASA PRÓPRIA:
a hora é agora!


Financiamento está mais acessível
e com menos burocracia


:: Por CYNTHIA SANTOS



Kelly em obra de
apartamento comprado
graças a financiamento
imobiliário

O boom no mercado imobiliário de Indaiatuba é sentido há anos, com o crescimento vertiginoso de loteamentos e prédios residenciais. O desenvolvimento industrial tem trazido, além de executivos, famílias inteiras para residir na cidade, aumentando a procura por imóveis. Sair do aluguel, para muitos, ainda parece um objetivo difícil de ser alcançado. Ou melhor, parecia. A estabilidade financeira e novos incentivos oferecidos pelo governo federal têm resultado em financiamentos com parcelas fixas e juros mais baixos, o que tornou mais fácil realizar o sonho de conquistar a tranqüilidade de se adquirir a casa própria.

A região de Campinas tem hoje 420 mil mutuários. No Brasil, o número chega a 9 milhões. Os dados representam a legião de pessoas que optaram pelo financiamento para adquirir um imóvel. Com o pacote de medidas implantadas pelo governo federal em 2006, os índices devem explodir, o que se reflete num impulso para o mercado da construção civil.

Em Indaiatuba, em dez anos, houve um crescimento de 33% no número de loteamentos urbanos, passando de 195 no ano de 1997 para 260 novos bairros até março deste ano. Isso sem contar o amplo leque de opções para quem prefere a segurança de morar em apartamentos.

Um dos principais fatores que possibilitaram as facilidades para a aquisição da casa própria foi a desvinculação dos contratos da Taxa Referencial (TR), que antes regia os financiamentos, sendo que hoje não é mais obrigatória. Embora os juros ainda não sejam o que se pode chamar de “baixos”, o consumidor pode financiar um imóvel sabendo o valor de todas as parcelas, não tendo surpresas ao final do prazo acordado. Além disso, o valor da entrada do imóvel é menor do que antes do pacote habitacional. Até o ano passado, era preciso dispor de até 40% do valor do imóvel, enquanto atualmente é nevessário desembolsar apenas entre 10% e 20% .

Segurança é outro ponto que alavanca os empréstimos bancários. Hoje, com a alienação fiduciária, se o comprador não honrar com a dívida, o agente financeiro pode retomar o imóvel, o que antes era impossível e podia trazer prejuízos para os bancos, o que aumentava a burocracia na aquisição.

Para se ter uma idéia da quantidade de recursos disponibilizados para a habitação no Brasil, até meados de março a Caixa Econômica Federal (CEF) havia liberado, somente este ano, R$ 2,4 bilhões em créditos, incluindo recursos da poupança, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito do banco. Para 2007, a previsão é que R$ 17,4 bilhões sejam liberados.

Otimismo
Adriana Mazzoni, sócia-diretora da Congesa Engenharia e Construções e gerente local do Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon), avalia que as novas regras de financiamento são positivas. “A economia está consolidada, os bancos têm muitos recursos, com linhas diferenciadas para baixa renda e estão fazendo uma aposta séria no mercado”, opina. “O cenário é bom, o País está com estabilidade econômica e há uma carência habitacional muito grande. Esta é a oportunidade para quem quer comprar uma casa.”

As facilidades para se obter um financiamento são um atrativo para quem quer adquirir a casa própria. É possível fazer simulações em sites de bancos e a vantagem é que pelo novo sistema, com prestações fixas, o cliente sabe o valor exato que pagará da primeira à última parcela. Outra conveniência do financiamento, apontada por Adriana Mazzoni, é a segurança jurídica por trás do contrato. “O contrato de financiamento tem força de escritura pública, ou seja, o imóvel é de quem está pagando, só está hipotecado”, explica.

Uma dica é de que quando o empreendimento tem um banco como agente financiador é melhor optar por ele. “Como ele trabalha com uma carteira de clientes, ele tem menos taxas do que se você fosse pesquisar em outros bancos”, justifica a gerente do Sinduscon.

O diretor de crédito imobiliário do Banco Itaú, Luiz Antonio Rodrigues, também destaca a importância do agente financiador, mas pela segurança do comprador. “Para o cliente, existe a segurança de que aquela obra foi analisada, em seus mínimos detalhes, por outra empresa - um banco -, que não arriscaria aplicar o dinheiro de seus investidores acaso encontrasse irregularidades na incorporadora ou na construtora”, argumenta.

Sonho possível
Os administradores de empresas Kelly Cristina Guedes Pinto e Flávio Pavan são exemplos de consumidores que decidiram aguardar o melhor momento para adquirir a casa própria, optando pela compra financiada. Os dois namoram há nove anos e esperam a conclusão das obras do apartamento que adquiriram no ano passado para realizar o casamento.
O financiamento imobiliário foi a opção escolhida pelo casal para a aquisição do apartamento dos sonhos, localizado às margens do Parque Ecológico. Com a facilidade de obter o financiamento pela própria construtora responsável pelo empreendimento, o casal optou pela utilização de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), além de uma poupança feita às custas de muito sacrifício. “Até hoje temos que cortar algumas despesas”, conta Kelly.

O casal conta que a falta de tempo motivou a compra de um imóvel pronto, ao invés de se construir a própria casa. “Com a correria do dia-a-dia, viajando muito devido ao trabalho, não poderíamos acompanhar uma obra, além do custo da construção ser muito alto”, explicam. “Escolhemos apartamento também pela segurança, comodidade e a área de lazer oferecida.”


Dicas para quem vai comprar um imóvel
:: Optar por prazos curtos: prazos longos têm a vantagem de prestações mais baixas, mas quanto mais longo o financiamento, mais alto o valor do imóvel

:: Evitar comprometer grande parte da renda mensal com a prestação da casa própria: imprevistos ocorrem e há o risco de se tornar um inadimplente no futuro

:: As taxas de juros estão variando muito: é importante analisar as condições oferecidas, porque qualquer pequena redução nos juros significa uma boa economia


Cuidados ao escolher um financiamento
Apesar deste ser um momento propício para investimento em imóveis, o comprador não deve se deixar levar pela empolgação. É importante fazer uma pesquisa sobre os melhores planos de financiamento, taxas de juros convenientes e, principalmente, fazer um planejamento das despesas nos próximos anos, para evitar um endividamento que mais tarde poderá deixar o consumidor com problemas de inadimplência.

De acordo com o presidente da Associação dos Mutuários de Campinas e Região (Amucamp), Cláudio Camargo Sanches, é preciso ter cautela com os novos contratos. “É importante fazer uma comparação com várias instituições bancárias e escolher a linha de crédito que se encaixe melhor com a renda”, aponta. “Os mutuários também devem evitar os financiamentos com despesas adicionais mensais referentes à taxas administrativas.”

Sanches alerta que os clientes devem evitar operações com prazos muito longos, como financiamentos para serem pagos em até 20 ou 25 anos. O risco é contrair uma dívida muito longa e o perfil financeiro do comprador mudar. “O mutuário pode perder o emprego ou adoecer e corre o risco de entrar numa situação de inadimplência”, observa. O ideal, de acordo com o presidente da Amucamp, é que o consumidor evite assumir prestações que ultrapassem 25% da renda mensal líquida.

A Amucamp tem um departamento jurídico para auxiliar os mutuários da casa própria e oferece atendimento gratuito. A associação fica na Avenida Dr. Moraes Sales, 1.340, Centro, Campinas. O telefone é o (19) 3255-7503. O endereço na internet é www.amucamp.com.br

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