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Auxílio no lar -
companheirismo na vida


27 de abril é o Dia da Empregada Doméstica,
conheça uma parceria que completou 26 anos


:: Por TATIANE QUADRA

A inserção feminina no mercado de trabalho não é novidade para ninguém. Há anos as mulheres “desencostaram” a barriga do fogão e partiram em busca da independência financeira. Com isso, as estruturas dos lares mudaram, tornando ainda mais necessária a presença de auxiliares para a manutenção da casa. Seja faxineira esporádica, diarista ou contratada de longa data, dê um abraço na sua ajudante no próximo dia 27. Isso porque, nesta data será comemorado o Dia da Empregada Doméstica. E reconhecer o trabalho, certamente executado com muito carinho, não custa nada.

O serviço de empregada doméstica envolve uma relação de confiança com os proprietários da residência. E, apesar de atualmente muitos optarem pelo auxílio rotineiro, porém sem vínculos, ou buscarem por estas profissionais da limpeza apenas de vez em quando, ainda existem as empregadas fixas, que atuam em apenas um local. Histórias de anos de convivência não são difíceis de encontrar e mostram que, muitas vezes, não é apenas a ligação empregatícia que une patrões e trabalhadores.

Em fevereiro, a atuação de Lázara Borges Soares, 57 anos, como empregada doméstica na casa da esteticista Nilza Brollo Antoniolli, 49 anos, completou 26 anos. Quando as duas se conheceram, Nilza ainda era solteira e ambas trabalharam no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc). “Eu era do Departamento Pessoal e ela da limpeza. Mas depois casei e perdi o contato”, lembra a esteticista. “Anos depois, quando precisei contratar alguém, uma amiga me disse que conhecia uma pessoa para trabalhar em casa. Foi uma coincidência.”

A parceria deu certo, tanto no âmbito de trabalho quanto na pessoal. Nilza conta que gosta do serviço executado pela empregada, que é bem-humorada e caprichosa no que faz. “Meus amigos elogiam que até meus panos de chão são brancos, e ela tem jeito para decoração”, fala. “Lázara é meu braço direito e esquerdo. Uma parceira.”

Amizade
E as duas realmente se dão bem. Lázara não gosta de cozinhar e Nilza diz que só “se vira bem” na cozinha. “Por isso a gente dá certo. A sujeira que eu faço, ela arruma. Nas férias dela fico desesperada”, diz a patroa. “Há três anos temos também uma faxineira que vem a cada 15 dias para fazer o serviço pesado e poupar a Lázara um pouco. Mas não adianta, um dia antes ela vai e arruma tudo.”

A trabalhadora afirma que só deixará a casa de Nilza quando se aposentar. “Mas enquanto agüentar vou ficar. Gosto dela e a gente se dá bem. Estou aqui há muito tempo e para mim também é minha família e ela é minha irmã. Ficamos grávidas juntas e eu criei meus filhos na casa dela, que me dava uma liberdade de horário para conciliar as tarefas”, relata. “Além disso, gosto do que faço. Prefiro ser doméstica do que trabalhar em uma firma. Não é vergonha nenhuma ter essa profissão, que é tão digna quanto qualquer uma.” Já a esteticista teme só de pensar na aposentadoria da empregada Lázara, que ajudou a criar sua filha. “Ela sempre me acalmou e me aconselhou quando foi preciso, e nós nunca brigamos”, lembra.

Lázara comenta que não sabia da existência do Dia da Empregada Doméstica, mas diz que se sente feliz pelo reconhecimento. “É uma forma de lembrar e valorizar”, avalia. “E nós conquistamos muita coisa e hoje temos nossos direitos.” A parceira, que já é parabenizada sempre no dia do aniversário, ganha agora mais uma data de comemoração.

Origem e conquistas
O Dia da Empregada Doméstica é celebrado em 27 de abril porque esta é a data festiva da padroeira da categoria, a Santa Zita, que é italiana e começou a atuar na área aos 12 anos. Diz a história que ela trabalhava muito e bem, e era boa para os outros, dando comida e roupas aos pobres. Mais tarde, ela conseguiu o respeito dos membros da família que servia. A profissão é antiga, mas passou por diversas evoluções, sendo definida pela Lei 5.859 de 11 de dezembro de 1972. Desta forma, doméstica é toda e qualquer pessoa, homem ou mulher, que presta serviços de modo contínuo em local residencial, sem fins lucrativos para o empregador.

Segundo a Justiça do Trabalho, a doméstica só estabelece vínculo empregatício quando trabalha mais de duas vezes por semana no mesmo local. Assim, a Constituição Federal assegura os direitos de pagamento de salário fixo e do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), 13º salário, férias, repouso semanal remunerado, aposentadoria, auxílio doença e licença maternidade de 120 dias.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita em 2001 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o sexo feminino ainda era o predominante na profissão, representando 93,7% dos trabalhadores da categoria. Mas há mais homens com carteira assinada do que mulheres, são 40,2% contra apenas 26,1%.

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