Expediente Redação Anuncie Opinião
   00:00:00


O mico da gorjeta


Hábito não é freqüente em Indaiatuba;
quando e quanto dar é a dúvida


:: Por Silvia Bolívar
Especial para a Revista da Tribuna

A gorjeta hoje em dia virou uma espécie de mico. É que em muitos casos
há constrangimento para quem dá e recebe. Afinal, os tempos mudaram e todos se igualam como trabalhadores. Em Indaiatuba, dar gorjeta é raridade em certos setores como salões de beleza, um dos campeões da prática nas grandes cidades. É que aqui, na maioria dos casos, o atendimento é feito pelas proprietárias. E não fica bem dar gorjeta para elas. “Em geral a cliente dá um presente no Natal para quem a atendeu durante o ano, mas a gorjeta, de fato, não é comum em Indaiatuba”, concorda Gê Marques, do Salão Gê Beleza.

As categorias que costumavam ser agraciadas com gorjetas são auxiliares de cabeleireiros, borracheiros, empacotadores, garçons (o famoso 10%), entregadores de pizza, água, gás ou outros, manobristas, frentistas e até auxiliares de enfermagem. Hoje, com novos hábitos sociais, o costume está desaparecendo. Empresários consultados acreditam que a mudança também aconteceu devido ao poder aquisitivo da classe média, que vem caindo há uma década. Mas, a opinião diverge: “pobre é quem dá mais gorjeta”, assegura Maria das Graças Socolan, da Abel Pneus. “Tem comércios que proíbem seus borracheiros de receberem gorjeta. Nós, aqui, deixamos porque é uma forma de mostrar aos funcionários que um serviço bem feito pode até trazer essa vantagem”, completa.

Cervejinha
“Gorjeta” vem de gorja, palavra de origem francesa (gorge), que quer dizer “garganta”. A gorjeta é um dinheirinho que se dá a alguém para que tome um trago, uma bebida, e molhe a garganta. Então, a famosa “cervejinha” tem essa origem. Mas o difícil é saber o quanto dar. Quanto se dá para o frentista que checa o óleo, a água, lava os vidros e calibra os pneus? Em geral, de um a três reais. Mas isso varia muito, muito mesmo. No Posto Ipiranga, dos Amgarten, por exemplo, em plena Helvetia, região do pólo, a gorjeta mensal pode girar em torno de 50 reais. É que muitos proprietários de haras deixam para acertar as contas no fim do mês. E no fim do ano, um presentinho a mais para aquele frentista que atendeu bem no ano todo.

Bis ou iogurtes
Os supermercados locais passaram a seguir esquema de atendimento das grandes redes, nas quais o empacotador só ensaca a compra mas não leva até o carro. É assim no Sumerbol, no Carrefour ou no Pão de Açúcar. Porém, em outros ainda se pode contar com essa facilidade. Segundo Demerval José Correia, gerente do Pistoni, essa é uma cortesia para os clientes. “O Pistoni paga salário para os empacotadores. Ou seja, eles não contam com o dinheiro da gorjeta.” Mas sempre sobra algum agrado, seja em dinheiro mesmo (moedas de troco que podem chegar a um real ou um pouco mais) ou outros. “Tem clientes que ficam sem jeito de dar dinheiro e brindam os empacotadores com produtos como bolachas, chocolates ou iogurtes. Em dezembro essa gentileza é sempre maior e se estende aos açougueiros, que recebem um agrado em dinheiro (em torno de dez reais) ou champanhe, bombons, uvas”, completa Demerval. Ele acrescenta que empresários costumam presentear funcionários do supermercado com camisetas ou bonés de suas firmas.

Já não é mais tão freqüente, mas o costume de dar gorjetas a auxiliares de enfermagem ainda existe. Mas não de forma a constranger o profissional. Há uns 20 anos, na véspera da alta, os auxiliares dos três turnos eram chamados no quarto e cada um recebia discretamente – a nota era posta no bolso – uma gorjeta. Hoje é um pouco diferente e só acontece se o paciente permaneceu no local por muitos dias. Em muitos casos, depois da alta o paciente compra caixas de bombons e as entrega na chefia de enfermagem com um cartão, agradecendo os cuidados da equipe.

Em restaurantes
O Sindicato dos Bares e Restaurantes de Campinas abriga os trabalhadores de Indaiatuba e cidades da região. Conforme acordo coletivo a taxa de 10% de serviços é incluída na nota. “O piso da categoria, seja garçom, ajudante ou faxineira, é de 460 reais”, explica Gilles Mourier, do Le Triskell. O valor arrecadado com os 10% da taxa vai integralmente para os funcionários, mas é dividido conforme os proprietários. A norma usada é que 30% do que for arrecadado faça parte de um fundo que vai servir para pagar o 13º, as férias e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e os 70% restantes sejam rateados entre os funcionários, incluídos nessa conta os 58 reais de comissão que trabalhadores desses estabelecimentos conquistaram em assembléia. “Mas se um cliente quiser arredondar a conta, mesmo com os 10% incluídos, esse valor vai para o garçom que atendeu a mesa”, completa Gilles.


• Saiba quando e quanto dar


MANOBRISTAS ou valets Em cidades como São Paulo e Rio, você pode oferecer até 5 reais, desde que a taxa não esteja pré-fixada. Mais do que isso é inflacionar o mercado ou apostar no exibicionismo.


– HOSPITAIS No Brasil, no caso de internação em hospital particular, o paciente pode deixar gorjeta para os enfermeiros e funcionários que o atenderam. Em grandes cidades como São Paulo e Rio, o cálculo pode ser feito com base em 4 reais por dia. Por exemplo, no caso de 7 dias, a pessoa poderia arredondar para 30 reais por funcionário.




– ENTREGADORES (em geral)
Dá-se aos motoqueiros que entregam pizza, água ou outras mercadorias de um a três reais.


– TAXI Muitos motoristas não levam troco ou dizem que não têm moedas para gerar situações que podem lesar o usuário do táxi. Há casos em que o arredondamento é um exagero. O taxímetro marcou R$ 45, sem troco, o motorista acabou levando R$ 50 do passageiro. Taxistas das capitais dizem que esse arredondamento é, na prática, a gorjeta pelo serviço prestado.


– CARREGADOR DE MALA (hotel)
Sendo até duas malas de peso normal, você pode oferecer ao carregador de dois a quatro reais. Estando no exterior, de um a dois dólares. É claro, que a quantia exata vai depender muito do tipo de hotel em que você estiver. Se for um quatro ou cinco estrelas esse valor pode aumentar.




– SERVIÇO DE QUARTO
Dependendo da rapidez do atendimento de seu pedido, a gorjeta pode variar de 10 a 15% do valor da refeição solicitada.


<< volta

 
ANUNCIE
3834-2508
 
 
Revista da Tribuna - encartada no jornal de maior circulação na cidade - Tribuna de Indaiá

© 2007 - Revista da Tribuna - Tribuna de Indaiá
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

REVISTA DA TRIBUNA
RUA HÉRCULES MAZZONI, 873 - CENTRO
FONES - PUBLICIDADE 3834.2508
                      REDAÇÃO 3834.2926