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A despedida da
Rainha do Rádio


Aydil Bonachella partiu, mas deixou um legado
de realizações; confira última entrevista
concedida à Tribuna


:: Por Fábio Alexandre

Ela partiu deste mundo no último dia 20 de março, aos 71 anos, vítima de insuficiência respiratória. Mas, deixou um verdadeiro legado de realizações. Assim foi a radialista Aydil Pinesi Bonachella, que apesar de todas as privações e dores que a vida lhe trouxe, quebrou barreiras e desafiou convenções no comando do programa diário Aydil Falando de Gente e Koisas, atração da Rádio Nova Jornal desde sua estréia, em setembro de 1981. Confira abaixo a última entrevista concedida à Tribuna, em que fala sobre seus 25 anos de rádio e os 10 anos como colunista social do jornal.

“Comecei na rádio a convite do professor Antônio de Pádua Prado, com quem convivia no Lions Club”, conta Aydil. “Inicialmente, meu programa era uma espécie de coluna social na rádio, onde falava de festas, bailes e eventos na cidade, aproveitando minha experiência de 10 anos como colunista social da Tribuna”, lembra. “Hoje, este universo se distanciou totalmente da minha vida”, brinca.

A única experiência de Aydil frente aos microfones, antes da sua estréia na rádio, acontecera justamente em eventos. “Sempre fui dinâmica e recebia convites para apresentar desfiles e outras atrações”, revela. “Por isso, não tive dificuldades em me adaptar”, confessa. “No começo, eu e o Prado gravamos o chamado ‘piloto’, mas não deu certo”, relembra. “Com o tempo e a ajuda de excelentes técnicos como Donizete Baroni e o Ronaldo Ambiel, acabei alcançando uma fórmula legal.”

A história da Rádio Jornal está intimamente ligada à vida da apresentadora. “Comecei na rádio em 1981, mas tudo mudou com a morte da minha filha (Andréia Maria Bonachella) em 83”, recorda. “Passei por uma mudança radical, que se refletiu na rádio. Foi quando passei a usar os moldes atuais, com um trabalho pelo público, principalmente da periferia”, comenta. “No ano seguinte, fundei a Casa do Caminho e desde então, minha vida está ligada à filantropia.”

Apesar de se lembrar de inúmeros bons momentos no comando de seu programa, Aydil garante que o contato com o público é seu maior incentivo. “Passei os piores e melhores momentos da minha vida na Rádio Jornal. Confesso que pensei em parar inúmeras vezes, mas o contato diário com o público não me permitiu abandonar o programa”, conta.

Brigas
Aydil lembra que seu relacionamento com o administrador e sócio da Rádio Jornal, Antônio Reginaldo Geiss, sempre foi conturbado. “Nosso relacionamento é do tipo cão e gato”, enfatiza. “Mas hoje melhorou muito, afinal de contas, já estamos velhos demais para continuar brigando”, brinca.

O estilo irreverente e espontâneo da apresentadora resultam em uma imediata identificação com o público e patrocinadores. “Tenho patrocinadores que estão comigo há 25 anos, gostam dos resultados alcançados e nem pensam em sair”, garante. Além disso, Aydil lembra que seu contato com os moradores da periferia é muito forte. “Tenho uma empatia incrível com o público e uma ligação muito forte com o pessoal da periferia”, enfatiza. “Por isso, durante todo este tempo, coloquei em ação diversas campanhas de arrecadação, bingos e até mesmo pedi por doações”, completa.

Futuro
A radialista confessa que o programa especial em homenagem ao Dia das Mães é um de seus preferidos. “No primeiro programa do Dia das Mães, trouxe uma mulher que tinha 20 filhos, todos vivos”, relembra.

Aydil confessa não ter planos para se aposentar. “Brinco que estou parecendo a Hebe Camargo”, lembra. “Nunca parei de trabalhar. Mesmo quando me aposentei, resolvi continuar e me sinto bem”, enfatiza. “Digo a todos para não se aposentar. Ou você acha bom ficar o dia todo sentado na frente da televisão?”, questiona. “O trabalho é a coisa mais importante na vida da gente. Por isso, continuo enquanto tiver condições de fazer aquilo que gosto”, garante. Assim foi.

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