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Sobre DUAS RODAS


A bicicleta tem um papel importante no
dia-a-dia dos moradores de nosso Município,
seja para transporte, esporte ou lazer


:: Por TATIANE QUADRA

Ubiratan Rodrigues
Moledo Júnior

Em Indaiatuba a frota de bicicletas é equiparada à de veículos automotores: são 98.672 contra 98.684. Mas se você acha que grande parte destas “bikes” não circulam por aí, está bastante enganado. Segundo a Associação dos Ciclistas de Indaiatuba (ACI), 40% delas são utilizadas como meio de transporte de quatro a seis vezes por semana. Além disso, outros 23% usam o equipamento para ir à escola e 22% pedalam até três vezes por semana. O uso constante é, portanto, de 85%, mas há ainda uma boa parcela que anda de bicicleta por prazer e outros para competição. Vamos então conhecer ciclistas que atuam nos três âmbitos: esporte, transporte e lazer.

O assistente de mecânico Ubiratan Rodrigues Moledo Júnior, 23 anos, mais conhecido como “Bira” é um dos apaixonados por bicicleta. Ele pedala desde 1999, quando descobriu o esporte por influência da família de um amigo. Em 2001 participou de sua primeira corrida e já ganhou a Copa Alfamec em Monte Mor, além de obter boas colocações em outras provas. “Mas atualmente trabalho em uma empresa que transporta bicicletas. No Brasil é difícil ser profissional, por causa da falta de patrocínio”, comenta. “Este é um esporte caro. As bicicletas para competidores evoluíram bastante, são feitas de fibra de carbono e custam mais de R$ 30 mil, sendo que as importadas são as melhores.”

Mas, as dificultadas não impedem o jovem de praticar. Apesar de ter uma moto ele vai para o trabalho de bicicleta. “Este é meu principal meio de transporte. Além disso, ando no Parque Ecológico e aos finais de semana na estrada, com uma média de 2 horas diárias”, relata. “Se eu não pedalar eu morro. Me faz um bem enorme, principalmente se estou estressado, melhora tudo. Mas mantenho minha alimentação regulada e faço um bom trabalho de preparação.”

Saúde
O corretor de imóveis Marcelo Carlos Grego, 44 anos, não encara o uso da bicicleta apenas como um esporte em sua vida, mas principalmente como uma forma de lazer. É por isso que, em 1999, ele se juntou ao grupo Papa Terra, composto atualmente por cerca de 30 pessoas, que pedalam todos os sábados e promovem viagens anuais de bicicleta, como o percurso do Caminho da Fé, percorrendo 350 quilômetros em quatro dias. “Todos os sábados, às 15 horas, nos encontramos na frente da sede de campo do Clube 9 de Julho e escolhemos o caminho que dura aproximadamente 3 horas e 60 quilômetros”, conta. “Costumamos ir de Indaiatuba até Cabreúva, passando também por Vinhedo, Valinhos, Monte Mor, entre outros.”

Grego explica que anda de bicicleta desde criança, e pedala rotineiramente há 20 anos. “É um esporte que sempre me atraiu. Meus irmãos gostavam de futebol e eu de bicicleta. Agora, meu filho pedala comigo”, enfatiza. “É uma boa opção para manter a saúde e é um lazer, porque descarregamos energia ruim e carregamos a boa, e mantemos a integração com os amigos. Além disso, fazemos contato com a natureza.”

Para praticar, o corretor, que já chegou a percorrer 200 quilômetros em um dia, pedala de duas a três vezes por semana. Ele usa capacete, luvas e óculos de proteção e uniforme “chamativo” para evitar acidentes, além de ter um equipamento com peças importadas, próprias para o esporte. Mas afirma que dá para começar de forma mais simples e progressiva. “A cidade é plana e não tem poluição. Isso é convidativo e ótimo para quem trabalha perto”, sugere. “Quanto mais andar melhor a pessoa fica e um grupo de amigos sempre dá mais força.”

Acesso
Kely Cristina do Amaral, 20 anos, é camareira em um hotel na região de Itaici e mora no Jardim Oliveira Camargo. Todos os dias ela utiliza a bicicleta para trabalhar. Mas não é só isso. “Se tenho que ir ao centro da cidade resolver algo, no banco ou fazer compras, é tudo de bicicleta. Volto me equilibrando com as sacolas cheias”, diz. “Até para passear é de bicicleta. Coloco minha filha de 1 ano e oito meses na cadeirinha e vou. Este é meu meio de transporte.” A jovem, que antes residia em São Paulo, comenta que sempre que vinha visitar a mãe em Indaiatuba andava de bicicleta. “O pessoal falava que parecia que eu nunca tinha visto uma, mas é que lá não dava para andar”, lembra. “Quando eu tinha 11 anos cai e quebrei as duas pernas e nem assim peguei trauma.” Kely mudou para a cidade há três anos e trocou um vídeo-game que tinha pela bicicleta.

“Não é apenas por praticidade, é mesmo por necessidade. É o único transporte que tenho, mas um dia quero comprar um carro”, afirma. “Porém, eu gosto mesmo de pedalar e sentir o vento no rosto. E não gasta nada, só a energia, que recupero depois. E também vejo muita gente pedalando por aí, para trabalhar, como eu.”

Kely, como a maioria das pessoas, não utiliza equipamentos de proteção. Mas ela afirma que nas áreas onde há ciclovias, ela circula por elas. “Não acho perigoso. Mas tem que manter o equipamento. Fiquei quatro meses sem freio, até que caí e fui arrumar”, fala. “Claro que quando estou com minha filha tomo mais cuidado e sozinha vou mais rápido. O pior mesmo é a chuva, que molha e deixa o chão escorregadio. Já o sol forte eu não ligo, gosto. E acho que os indaiatubanos deveriam respeitar mais as ciclovias.”


Benefícios
• Fácil de estacionar: cabem de 10 a 16 bicicletas no espaço de um veículo
• Não emite gases e produz pouquíssimo ruído
• É econômica: adquirir e manter uma bicicleta requer uma quantia equivalente de 1 a 2% de um carro
• O uso é saudável: pedalar 30 minutos consome a-proximadamente 240 calorias gerando benefícios ao coração e trabalhando diversos músculos dos pés, pernas, glúteos, costas e braços



Marcelo Carlos Grego (terceiro da esquerda para direita, agachado)
e amigos da equipe Papa Terra

Capital paulista das bicicletas
Segundo a ACI, que existe desde 1990 e é uma organização sem fins lucrativos formada por ciclistas, atletas e proprietários de bicicletarias, entre outros, Indaiatuba é conhecida desde a década de 80 como a “Capital Paulista das Bicicletas”. O título teria sido dado pelos esportistas que vinham disputar a Prova Ciclística 1º de Maio.

O presidente da associação, Agnaldo Sérgio Hubert, que é o responsável pelo setor no Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), enfatiza que a cidade possui cerca de 5,6 mil metros de ciclovias, em áreas como o Parque Ecológico, Avenida Ário Barnabé e parte da Francisco de Paula Leite e Distrito Industrial. Há ainda 2,3 mil metros de ciclofaixas, e bicicletários em diversos pontos como supermercados, shopping center, terminal rodoviário, Paço Municipal e praças.

Das mais de 98,6 mil bicicletas existentes na cidade, 39,7 mil circulam de quatro a seis vezes por semana; 23,1 mil são usadas para transporte até a escola; 21,1mil são pedaladas até três vezes por semana; 3.185 são usadas para lazer e 500 para competição. Além disso, 3,6 mil estão em ferros velhos; 4,7 mil permanecem sem uso; 2,3 mil estão em bicicletarias para concerto ou venda e 340 nas lojas de eletrodomésticos. Temos em Indaiatuba 47 estabelecimentos especializados.

Em comparação, segundo dados atualizados no dia 15 de março pelo Demutran, a frota de 98,6 mil veículos em Indaiatuba inclui 66.011 automóveis e 29.869 ciclomotos, motonetas e motocicletas. O restante é composto por ônibus, caminhões, entre outros.

Segundo a Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito (Abramcet), o Brasil é o terceiro produtor mundial de bicicletas, perdendo apenas para China e Índia. No ano passado foram vendidas 5,2 milhões de unidades no país e ao todo são 60 milhões de bicicletas, para apenas 2.500 quilômetros de ciclovias implantadas de norte a sul.


Como pedalar de forma segura
Em 2007 foram registrados 170 acidentes de bicicletas com vítimas, 73 sem vítimas, 11 quedas acidentais, 8 atropelamentos e 6 vítimas fatais de acidentes. Portanto, fique atento a algumas dicas básicas de segurança da ACI.
• Use as ciclovias e ciclofaixas
• Use capacete
• Quando não houver faixa específica, pedale na borda da via e a direita dela, no mesmo sentido dos carros
• Evite pedalar na contra-mão
• Nunca pedale na calçada, a não ser quando estiver desmontado da bicicleta
• Respeite a faixa e os pedestres
• Respeite a sinalização semafórica, aguardando o sinal favorável
• Fique atento ao passar por veículos estacionados, pois as portas podem ser abertas
• Todas as vezes que dobrar a direita ou esquerda sinalize com o braço
• Procure não levar passageiro, principalmente no guidão
• Não faça manobras no trânsito
• Não pedale segurando em veículos em movimento
• Utilize refletivos na bicicleta para ser visto
• Mantenha a bicicleta em bom estado de conservação
• Não faça uso de aparelho de som enquanto pedala; a audição é muito importante
• Mantenha as mãos sempre preparadas para frear
• Jamais carregue vidros e instrumentos cortantes
• Pedale defensivamente, mantendo uma direção segura do veículo à sua frente. Em situação de perigo desça da bicicleta e conduza-a a pé até obter condições de segurança


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