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TDAH
Compreender
para auxiliar


Pais e professores devem estar atentos
a esta doença que alia déficit de atenção e
hiperatividade, atrapalhando o rendimento escolar


:: Por TATIANE QUADRA

Se você acha que seu filho ou aluno é “avoado”, não consegue se concentrar nos estudos, além de parecer sempre “ligado na tomada”, cuidado! A criança em questão pode não estar simplesmente desinteressada ou ter problemas de comportamento, mas sim possuir uma doença.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), aparece na infância e, apesar de não ser um problema de aprendizado, pode atrapalhar o rendimento escolar, já que falta de atenção, desorganização, inquietude e impulsividades são seus principais sintomas. Quem dá mais informações é o psiquiatra e especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria, José Joaquim Porto de Paula, que atende no Centro Médico de Indaiatuba.

Revista da Tribuna (RT) - O que é o TDAH?
Dr. Joaquim
– É um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

RT- Se manifesta em que fase, e qual a porcentagem de crianças que atinge?
Dr. Joaquim
- Geralmente é possível diagnosticar uma criança com TDAH a partir de cinco ou seis anos. Antes desta idade a criança é naturalmente hiperativa e assim o diagnóstico é mais difícil. A doença atinge de 3 a 5% das crianças em todo o mundo e parece ser um pouco mais frequente em populações urbanas.

RT - Quais são os sintomas do TDAH e no que é relacionado a aprendizagem?
Dr. Joaquim -
O TDAH se caracteriza por uma combinação de dois tipos clínicos básicos: um em que predomina a desatenção, e um outro em que prevalece a hiperatividade/impulsividade, ou a mistura dos dois tipos. Na infância se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças não param quietas por muito tempo, sendo que os meninos tendem a ter mais os sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH apresentam mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

RT - Pode citar exemplos?
Dr. Joaquim
– São crianças que não conseguem prestar atenção a detalhes ou cometem erros por descuido nos trabalhos da escola. Também têm dificuldade de manter o foco mesmo nas atividades de lazer, vivem mudando de uma coisa para outra, e são inquietos, parece que só relaxam dormindo. Além disso são impulsivos e frequentemente considerados egoístas e “estabanados”.

RT – E as características neurológicas, quais são?
Dr. Joaquim
- Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e nas suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pelo controle e inibição de comportamentos inadequados, pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.

RT- Como diagnosticar o TDAH?
Dr. Joaquim
- O diagnóstico é feito com base nos sintomas clínicos, relatados pelo indivíduo ou pelos pais e interpretado por um especialista. São utilizados questionários padronizados pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Norte-Americana de Psiquiatria. Há exames como o eletroencefalograma, que apensa de não poder fornecer o diagnóstico, afastam outras patologias de origem neurológica.

RT- Há outros fatores de influência?
Dr. Joaquim -
Um dos fatores predisponentes já identificados é o genético. Pessoas com parente de primeiro grau que seja portador da síndrome têm mais chances de sofrer de TDAH. É claro que ter um parente com a síndrome não é a sentença de que os outros familiares também terão. Nesse caso, os genes não mandam sozinhos. Para que a doença se manifeste, é preciso que o indivíduo esteja sob a ação de fatores emocionais e ambientais favoráveis, como situações de estresse ou depressão. Problemas familiares podem desencadear um quadro de TDAH, mas não causá-lo.

RT - Como é o tratamento?
Dr. Joaquim -
O tratamento deve ser uma combinação de medicamentos, orientação aos pais e professores, além de técnicas específicas que são ensinadas ao paciente com TDAH . A medicação é uma parte muito importante do tratamento e, muitas vezes, associada ao tratamento psicopedagógico e psicológico, é a solução. Os remédios mais indicados são antidepressivos, que equilibram a disponibilidade de serotonina e noradrenalina, e que na crianças com TDAH provocam o efeito paradoxal de “acalmar”, ou seja, aumentam a atenção e reduzem a hiperatividade/impulsividade.

RT- O que mais é indicado?
Dr. Joaquim
- A psicoterapia mais indicada para o tratamento do TDAH chama-se Terapia Cognitivo Comportamental. Já o tratamento com psicopedagogo ajuda a criança na aquisição do conhecimento cobrado pela escola. Também há recomendação de acompanhamento com um fonoaudiólogo nos casos onde existe simultaneamente Transtorno de Leitura (dislexia) ou Transtorno da Expressão Escrita (disortografia). O TDAH não é um problema de aprendizado, como a dislexia e a disortografia, mas as dificuldades em manter a atenção, a desorganização e a inquietude atrapalham bastante o rendimento dos estudos. É necessário que os professores conheçam técnicas que auxiliem os alunos com esta síndrome a ter um melhor desempenho.

RT - A que os pais e professores devem estar atentos para auxiliar no desenvolvimento?
Dr. Joaquim
- Entender a criança como diferente para assim poder ajudá-la na sua especificidade. Informações preciosas como estas nortearam a criação de estratégias de tratamento. Quanto mais se desvenda a doença, maiores as chances de criar um tratamento eficaz. Hoje, há medicamentos, psicoterapia e técnicas de pedagogia.

RT- Adultos também são acometidos?
Dr. Joaquim
- Muitos dos que tiveram TDAH na infância ainda mantém alguns sintomas na vida adulta, geralmente em menor quantidade. Na idade adulta o transtorno é bem evidente apenas em 1 a 2% das pessoas.

Dicas de supervisão e controle adequado

  • Pais/professores devem colocar limites claros e objetivos e dar instruções positivas e focadas.

  • Dê responsabilidades com tarefas simples para que se sintam necessários e valorizados.

  • Sempre que possível motive-os com desafios viáveis, proporcionando avaliação freqüente.

  • Desenvolva sistema de créditos (pontos ganhos) por dia quando têm boas atitudes ou iniciativas. A penalidade é a perda de bônus a cada infração cometida. A gratificação são os prêmios a serem estabelecidos.

  • Não provocar constrangimento ou menosprezar o filho/aluno por suas dificuldades, nem compará-lo com irmãos ou colegas, principalmente na frente destes.

  • Usar criatividade e flexibilidade para gerar um programa pedagógico adequado às dificuldades do TDAH.

  • Em sala de aula, colocar a criança/adolescente na frente, perto do professor ao lado de colegas que não o distraiam.

  • Proporcionar trabalhos em grupos pequenos e favorecer relações sociais.

  • Lembrar-se da inabilidade em sustentar a atenção por muito tempo: 12 tarefas de 5 minutos cada, dão melhores resultados do que 2 tarefas de 30 minutos.

  • Mandar por e-mail as tarefas de casa, datas de trabalhos e provas para o aluno, já que muitas vezes ele não consegue copiar tudo que foi colocado na lousa.

  • Favorecer freqüente contato entre pais, professores e profissional que cuida do filho/aluno.

*Fonte: site Universo TDAH

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