FORA
DE CASA
O barato de morar em república
Deixar
a casa dos pais é uma decisão das mais importantes,
que pode acontecer devido a diversas situações - por
vontade própria ou necessidade. É preciso estar ligado
no que essa escolha representa e o que está em jogo. E o que
está na parada é a sua própria vida, o seu próprio
futuro. Dessa forma, muitos jovens saem de baixo da saia da mãe
– e passam a morar em repúblicas, por exemplo - em função
dos estudos, da faculdade ou cursinho pré-vestibular. Em outros
casos, eles buscam autonomia e independência. Hoje, para a maioria
deles, não vale a pena sacrificar o conforto pela independência.
Segundo pesquisadores – que ouviram 2.425 jovens em seis capitais
e no interior de São Paulo – 82% dos jovens têm
pouca ou nunca tiveram vontade de morar longe dos pais. Opção
que se deve à comodidade e o bom relacionamento em casa.
Desconhecido
Sair
de casa depois de conviver durante toda a vida com a família
não é fácil - nem para quem vai, nem para quem
fica. Trata-se de um ritual de passagem difícil, amedrontador,
cheio de incertezas. As dificuldades irão surgir e serão
várias: se virar na cozinha, organizar suas coisas, pagar as
contas em dia, administrar a grana, fazer as compras, limpar a casa,
lavar e passar roupas. Parece pouco, mas até as pequenas coisas
tomam uma nova dimensão.
Mesmo assim, para esses jovens, morar sozinho confere um certo status.
Criar seu próprio espaço, ter seus discos, livros, pintar
as paredes de azul com bolinhas vermelhas, se estiver a fim, sentindo-se
realmente ”dono de seu nariz”. Mas sair debaixo das asas
dos pais, embora seja uma empreitada atraente, exige sacrifícios
e adaptação. Encontrar uma nova casa não é
nada fácil. Muitos se deparam com dificuldades como arranjar
fiador. Passam por repúblicas, pensões, quitinetes,
até encontrarem um lugar que se sintam realmente em casa.
Esse grande passo acelera o processo de amadurecimento, catalisando
a passagem da adolescência para a vida adulta. Mas responsabilidade
e independência não são qualidades que surgem
no momento em que você coloca o pé para fora da casa
dos pais. Portanto, muita atenção nesta hora! Sair de
casa significa fazer escolhas, tomar suas próprias decisões,
arcando com as possíveis conseqüências.
Onde
morar?
As opções são variadas e é preciso escolher
com muito cuidado. As moradias estudantis, oferecidas gratuitamente
por muitas universidades públicas como a Universidade Estadual
de Campinas (UNICAMP) e a Universidade Estadual de São Paulo
(USP) são a alternativa ideal para quem não pode pagar
aluguel. Já a opção mais comum são as
tradicionais repúblicas estudantis. Trata-se de uma casa, na
maioria das vezes alugada pelos estudantes, onde eles convivem durante
o curso com os estudos e as festas. Para que a casa não vire
um “balaio de gatos” certas regras são estipuladas
e seguidas pelo grupo. Veja no box algumas dicas para sobreviver em
uma república.
República
Olympio
A Olympio foi a primeira república estudantil de Indaiatuba,
fundada pelos alunos da FATEC. Nascida em julho de 2000, no início,
chegou a ter 10 integrantes. Hoje conta apenas com três (dois
da formação original). Como em qualquer república
que se preze a bagunça impera. A galera já passou por
quatro casas. “A última em que moramos tivemos que sair
devido ao abaixo-assinado feito pelos vizinhos, em razão das
festas que promovíamos”, relembra Cristiano Natali, 28,
que toda a noite sente falta do conforto da casa da mamãe “Tenho
saudades do meu quarto, da comida, do aconchego.” A república
onde ele reside atualmente passa por uma nova fase. A galera está
bem sossegada. As festas têm sido raras. “Como estamos
há quase seis anos morando em república, todo aquele
entusiasmo de morar sozinho e poder fazer o que se quer passou. Por
isso quase não fazemos mais festas”, explica Rendo Edgard
Guzma, 25. Dmitra Borachini, 27, sempre morou em repúblicas
mistas o que já lhe causou alguns problemas. “Eu e os
meninos sempre nos respeitamos. O único problema são
os comentários maldosos que as pessoas fazem”, lamenta.
Segundo Rendo a experiência de morar em república faz
com que os jovens amadureçam e aprendam a respeitar o próximo.
“A república é uma verdadeira escola de vida.
Criamos o nosso espaço respeitando o dos demais”, conclui.
República
das garotas
Roupas para um lado e pratos e copos para o outro, assim se define
essa adorável republica, habitada por quatro meninas estudantes
do segundo ano de Automação de Escritório e Secretariado
da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC). “A primeira
semana fora de casa foi só alegria, a festa acabou quando percebi
que não tinha mais roupas limpas e que teria que me virar na
cozinha” relembra Cristiane da Silva Rufino, 19, que deixou
Osvaldo Cruz (SP) há dois anos. Apesar das dificuldades encontradas
longe do ninho, as meninas não pensam em trocar a liberdade
que conquistaram pela comodidade da casa dos pais. “Só
sentimos falta de casa quando ficamos doentes; nessa hora a gente
chora de saudade, dos cuidados da mamãe” explica a paulistana
Simone Tamie,20. As meninas fixaram na cozinha uma tabela com as atividades
a serem realizadas na semana. “Nós dividimos os afazeres
domésticos, além, é claro, (SP) das contas”
esclarece Cíntia de Oliveira Legendre,19, que há um
ano deixou Araraquara para vir estudar em Indaiatuba. Segundo as meninas
os gastos não são muitos. “Toda a despesa da casa
gira em torno de R$250 para cada uma”, esclarece Ana Paula Zanini,
19, que há apenas um mês deixou Osvaldo Cruz. Apesar
da bagunça, sente-se no ar a contagiante harmonia da República
das Garotas.
R
E G R A S
-
Procure fazer festas somente nos fins de semana, com o consenso de
todos os moradores
- Escolha uma pessoa responsável para cuidar do pagamento das
contas
- Aprenda a ver TV e ouvir música num volume aceitável
- Estabeleça um rodízio para que todos ajudem na limpeza
da casa
- Afinidade entre os moradores da casa é fundamental