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Negativo ou positivo?

Exames laboratoriais auxiliam
médicos em diagnósticos

Com a celeuma criada pelo deputado baiano – que subiu à tribuna para relatar detalhes de sua “sessão de tortura” ao fazer um exame de toque na próstata – muita gente se perguntou se esse procedimento seria dispensável, já que existe um exame de sangue que indicaria alterações no órgão. Não, dizem os urologistas. O exame de toque é fundamental para a prevenção do câncer na próstata. Entretanto, o mencionado exame de sangue – o PSA – pode ser feito antes do toque. Mas atenção: um não dispensa o outro. Auxilia, isso sim, a um diagnóstico preciso e rápido.
Notícias nacionais sempre mexem com a população. Além do caso da próstata, a repercussão em relação aos casos do Mal de Chagas, contraído por dezenas de pessoas que tomaram caldo de cana num garapeiro de Camboriú, SC, também levou muita gente a temer estar infectado. Aqui em Indaiatuba, pessoas que nem saíram da cidade, pediram a seus médicos que requisitassem exame de sangue para confirmar ou descartar a suspeita. Segundo a coordenadora do Laboratório Municipal, Ana Claudia Cauzzo Cavalli, 38, farmacêutica, bio-química especializada em farmacologia clínica, os dois casos também repercutiram aqui. “Sempre é assim, mas depois a onda diminui”, garante. Ela acrescenta que os exames laboratoriais são fundamentais num diagnóstico preciso, principalmente em casos de doenças graves e assintomáticas, como a hepatite C ou, como os atuais medos, colesterol alto e glicemia, para diabetes.

Modernidade
O Laboratório Municipal impressiona pela qualidade dos equipamentos e funcionários, 18 ao todo. São máquinas de última geração capazes de fornecer diagnósticos em minutos. “Mas a máquina nunca é melhor do que um profissional”, ensina Ana Claudia. Por isso, todos os exames são refeitos microscopicamente para validar o resultado. São dois equipamentos diferentes para exames de Aids; além desses, existem específicos para hormônios e doenças como Chagas, entre outros. “Fazemos 95 tipos de exames ou procedimentos”, conta a coordenadora. Por mês são realizados cerca de 43 mil exames. “Em 80% dos casos, não há anormalidade”, revela. Os exames de sangue precisam ser feitos em jejum, exceto em casos de urgência. E não adianta tentar “enganar” laboratório. “Quando a pessoa está em jejum o soro do sangue é amarelo. Se ela comeu, fica branco”, ensina a coordenadora. Até mesmo um simples copo d’água pode desencadear processos metabólicos que podem alterar o resultado.

Ética
Os laboratórios primam também pelo sigilo e responsabilidade. Exames de DNA, para investigar paternidade, são feitos de forma reservada, muitas vezes o sangue sendo colhido na casa dos interessados. O resultado vem lacrado e entregue ao cliente. Outro exame que exige atenção especial é em relação ao vírus do HIV (Aids). Na rede pública, o exame vai para o posto de saúde e, em caso positivo, o resultado é entregue ao paciente por um psicólogo ou assistente social.
Muita gente tem medo de laboratórios. Medo e constrangimento. De fato, é chato entregar na recepção dos laboratórios a embalagem com fezes. O problema maior não é retirar sangue de crianças. Para isso, todos mantêm em sua equipe de coleta profissionais experientes para o trato infantil. O terror para os técnicos é a coleta de sangue em homens, que morrem de medo de uma agulha ou de ver o próprio sangue. Os patologistas, bio-médicos e farmacêuticos são unânimes: as mulheres são muito mais valentes.

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