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Escova progressiva

“Milagre” dos cabelos lisos pode ser fatal

Cabelos lisos e brilhantes tornou-se obsessão de grande parte das mulheres. As madeixas encaracoladas estão sendo rejeitadas, e a voraz fixação feminina em alisá-los faz com que elas se submetam a tratamentos cada vez mais invasivos, se expondo a produtos químicos de alta periculosidade.

Esse verdadeiro milagre dos salões de beleza se tornou uma maldição para a maioria das mulheres que se sujeitam ao formol no processo de alisamento. As reações causadas pela técnica da escova progressiva deixam qualquer um de cabelo em pé, isso é, se sobrar algum fio.

O formol, ou formaldeído, é um produto químico usado comumente como desinfetante e anti-séptico, assim como para embalsamar cadáveres. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso do formol em alisantes nunca foi autorizado. O que não impediu os salões de cabeleireiros inescrupulosos de empregarem produtos irregulares, adulterados durante o tratamento capilar. Simone Madeira, 32, proprietária do salão “Luzes e Cores”, nunca soube de nenhum caso em Indaiatuba em que o formol tenha sido empregado. “Em meu salão uso um produto autorizado pela Anvisa, de excelente qualidade, e só tenho recebido elogios”, esclarece Simone.

Segundo Geneildes Marques de Oliveira, 36, mais conhecida como Del, o instituto Gê Beleza também nunca recebeu nenhuma reclamação das clientes que utilizaram o método da escova progressiva. “A equipe técnica responsável pelo produto por nós utilizado garante que o seu uso está autorizado pela Anvisa”, explica a profissional.

Viviane Gavira Abe Younes, 40, diretora do Departamento de Vigilância Sanitária de Indaiatuba (Devisa), alerta para a dificuldade que os técnicos de saúde encontram ao vistoriar os salões de beleza. “Os produtos adulterados, que na maioria das vezes são manipulações caseiras, não ficam expostos, tornando impossível a averiguação dos mesmos. Por outro lado, a Anvisa, até o presente, não apontou quais produtos podem ou não ser utilizados”, explica a funcionária.

Uma das queixas mais comuns geradas pela técnica da escova progressiva se referem à queda de cabelo, ardência nos olhos, queimaduras e descamação do couro cabeludo, além de problemas nas vias respiratórias.

Os prejudicados não são apenas os que fazem o alisamento com o formol, mas também quem aplica, e as pessoas que eventualmente estão ao lado fazendo a unha ou lendo uma revista. Se inalado com freqüência, o formol pode provocar sérias lesões ao aparelho respiratório, causando graves ferimentos, levando ao edema pulmonar, o que propicia dificuldade em respirar, seguida de parada cárdio-respiratória. Também pode causar rinite, bronquite, pneumonia e má-formação fetal. Em altas concentrações pode provocar choque anafilático e ser fatal.

Em coletiva à imprensa, Carlos Roberto Beggo, 43, proprietário do salão que leva o seu nome, informou que enquanto o Ministério Público não apontar os produtos nocivos à saúde, não fará mais a escova progressiva, mesmo que o produto utilizado por ele tenha sido autorizado pela Anvisa. “Não utilizarei o método de alisamento progressivo até que haja um novo parecer governamental em relação à sua periculosidade”, afirma o cabeleireiro, que recentemente voltou de Paris. Para conquistar um bom resultado, e é claro, não prejudicar a saúde, é indispensável a orientação de um profissional especializado.

Métodos mais utilizados
- Escova Progressiva (Uréia) 2 hs
Reduz volume à medida que se lava.

- Escova Definitiva (Amônia) 8 hs
Alisa. Duração: de 4 a 6 meses.

- Relaxamento (Sódio/Cálcio/Guarnidina) 1 hs
Reduz volume. Duração: de 4 a 6 meses.

- Relaxamento termo-ativado (Amônia) 3 hs
Reduz volume. Duração: de 4 a 6 meses.

 
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