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Fábrica
de Indaiatuba aumenta em 4.000% produção de brinquedos
eróticos
Silvia Bolívar
Os
proprietários Eliana e Edvaldo Bertipaglia com alguns de seus
produtos
A linha
que divide o erotismo da pornografia é muito fina, quase inexistente.
Erradamente confundido com pornografia, o erotismo lida com o lado,
vamos assim classificar, sadio da sexualidade. Num paralelo, daria para
dizer que no erotismo faz-se amor; na pornografia, transa-se. Há
paixão no erotismo e há apenas tesão na pornografia.
O erotismo está sendo entendido e aceito; já a pornografia,
que pode incluir até crianças pequenas, deve ser combatida.
Para algumas pessoas, erotismo é apenas sexo, algo vergonhoso
e inaceitável dentro dos seus preceitos de uma criação
fechada, arcaica e preconceituosa. Já para muitos, sexo é
prazer, liberdade da alma e da carne. Na verdade, a sexualidade é
o complemento de uma união afetiva, um companheirismo cuja cumplicidade
se completa na cama. Com essa visão mais aberta, uma nova geração
está sendo educada para ver a atividade sexual como algo natural,
prazeroso, mas que requer cuidados especiais, bem como uma avaliação
moral ou ética antes de se envolver nela. A mudança de
conceitos começou nos anos 60, com o Festival de Woodstock e
as feministas pregando direitos iguais entre os sexos (inclusive o “direito”
de ter prazer).
Agora, em pleno século XXI, as lojas que vendem brinquedinhos
eróticos, como são chamados, deixaram de ser sex shops
para tornarem-se destaques em boutiques luxuosas, clínicas estéticas
ou salões de beleza. Assim, não há o constrangimento
de ser visto entrando “num lugar desses”.
Hot
Flowers é aqui
Pouca
gente sabe, mas está em Indaiatuba uma das mais importantes indústrias
de artigos eróticos e a principal referência nacional no
gênero. A Hot Flowers, sensação na 9ª
Erotika Fair, que aconteceu em maio passado, expandiu em 3.900%
seus produtos e vendas em um ano. Esse número expressivo não
é isolado, embora a Hot Flowers tenha se destacado entre as demais.
O mercado de produtos eróticos cresce, no Brasil, em média
15% ao ano, movimentando mais de R$ 700 milhões.
Francelina
Chiquie, responsável pelo atendimento do setor atacadista, confere
qualidade de prótese peniana, aparando possíveis rebarbas
da peça
“Começamos
há cerca de dois anos vendendo os produtos apenas para motéis
– hoje, inclusive, atendemos a 80% dos motéis da região,
incluindo o sul de Minas Gerais – depois, como a demanda era grande
também para o varejo, resolvemos entrar de vez nesse segmento”,
explicam os proprietários, o casal Eliana e Edvaldo Bertipaglia.
A indústria foi sendo ampliada e hoje já conta com 800
itens, alguns deles terceirizados, como camisinhas e fantasias descartáveis.
“O crescimento foi muito rápido e já estamos de
mudança para um galpão no Distrito Industrial. A expansão
do quadro de funcionários segue na mesma medida, com previsão
de 45 pessoas”, revela Eliana, quintanista numa faculdade de direito.
Os produtos com maior saída são os cosméticos,
como óleos e lubrificantes (veja box pág), mas as próteses
penianas - com ou sem vibradores - também são muito pedidas.
Para chegar à densidade e textura mais próxima do órgão
natural, Edvaldo percorreu longo caminho. O resultado é guardado
a sete chaves. “Inicialmente fazíamos o produto em PVC
(o mesmo material usado para bonecas), mas não era exatamente
o resultado desejado. Chegamos a vender milhares de itens, que foram
até bem aceitos. Tivemos problemas com alguns fabricantes de
brinquedos, que não queriam produzir no mesmo local os pênis
de PVC. Foi quando resolvi testar uma fórmula usando silicone
anti-alérgico e látex. O resultado impressiona.”,
revela Edvaldo.
De
fato, a reportagem ficou surpresa com a similaridade. O material passa
regularmente por análises no Laboratório Falcon Bauer
(o mesmo que realiza testes para o Inmetro). Para quebrar mais ainda
os tabus, as próteses são coloridas, de vários
formatos e tamanhos (o menor tem 11 cm de comprimento por 3 cm de circunferência
– o maior, 22,5 cm por 6 cm). Existem também vaginas em
silicone, anéis estimuladores clitorianos, kit com nécessaire
feminino e masculino, jogos de dados, lingeries e fantasias descartáveis.
Gargalhadas
A
fábrica não faz venda direta no varejo. Um esquema usado
e que traz mais intimidade é o comércio via “sacoleiras”,
como são chamadas as vendedoras independentes, como Vilma Trambaioli,
há oito meses na função. Ela calcula ter vendido
mais de 500 itens nesse tempo.
“Através do boca-a-boca, promovo reuniões só
de mulheres e apresento os brinquedos eróticos. Para quebrar
o gelo, pergunto: ‘Vocês conhecem a Família dos Meninos?’,
aí mostro justamente a prótese maior, que tem 22,5 cm
por 6 cm (um pouco maior que a embalagem comum de um detergente de cozinha)
e na cor azul ou laranja. O pessoal, quando vê aquilo, acaba caindo
na gargalhada, ainda mais que essa prótese vem até com
a bolsa escrotal”, diverte-se Vilma. Depois, ela passa a mostrar
os lubrificantes, as lingeries e as fantasias feitas com material descartável.
Pronto, a descontração já dominou o ambiente. Vilma
não revela quem são as clientes, mas conta que pertencem
a classes sociais variadas e de todas as idades.
Segundo as “sacoleiras” e os fabricantes, os produtos eróticos
são usados basicamente por casais heterossesuxais de todas as
idades. A mulher responde por 80% da compra desses produtos, 10% são
vendidos para homens e 10% para o público GLS. A iniciativa,
em geral, parte da mulher. “Homem não entra em sex shop
porque acha que fere sua masculinidade”, avalia Edvaldo. “São
só balconistas femininas, pois as mulheres e os homens se sentem
mais à vontade”, diz Eliana, acrescentando que o casal
pode realizar suas fantasias, evitando a busca fora de casa.
Informações:
www.hotflowers.com.br
e-mail: hotflowers@hotflowers.com.br
Indaiatuba-SP – Fone 3875-1985.
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