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Buona Gente - 1ª
parte
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60%
dos habitantes de Indaiatuba Silvia Bolívar
‘Escravos’
A vontade de abandonar a Itália em busca de um futuro melhor pode ser entendida pela situação vivida por 90% do povo. Por volta de 1800, os latifundiários italianos “contratavam” como meeiros os trabalhadores rurais. Só que estes eram obrigados a pagar a moradia, a comida, e até os instrumentos de trabalho. Acabavam devendo dinheiro aos senhores feudais. Aliás, esse tipo de trabalho escravo ainda existe no Brasil, principalmente na região amazônica. Esses italianos vagavam pelo país, sem fixar moradia ou residência, nada tinham a perder, portanto, aceitando a aventura de trabalhar numa terra onde o frio era inexistente e onde havia a esperança de “fazer a Mérica”. É que os contratos (fuleiros) entre fazendeiros brasileiros e os trabalhadores rurais previa a possibilidade de aquisição de terras a preços módicos. Quando chegaram ao Brasil, depois de viagens estafantes em navios infestados, viram que o paraíso não era bem assim. Muitos deles foram tratados exatamente igual aos escravos negros, sendo presos por algemas, apanhando muito e morando em senzalas. Superando barreiras
Um dos
casos marcantes desse tratamento aconteceu em Capivari, com a família
Cunico, que chegou ao Brasil em 1894 e iria trabalhar numa fazenda naquela
cidade. Ao chegar ao local, encontrou compatriotas fugindo de senzalas.
Os Cunico nem chegaram a se apresentar ao fazendeiro. Junto com os outros
italianos, encontraram abrigo em fazenda vizinha, cujo proprietário
era mais “humano”. Angelo Cunico era o único que
sabia ler e escrever e por isso ficou encarregado de comandar os empregados
da propriedade. Com o que conseguiu arrecadar, comprou um sítio,
com 27 alqueires, ao lado da Fazenda Espírito Santo, e construiu
uma casa para a família morar (a casa permanece em pé
até hoje, embora quase toda a área tenha sido loteada).
A família Creato, originária de Vêneto, desembarcou
no Brasil em novembro de 1891. O patriarca, morreu logo após
chegar ao País, deixando viúva e quatro filhos para criar.
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| FATOS
CURIOSOS
- Ainda hoje, 90% dos italianos não sabem que houve grande imigração de seus compatriotas para o Brasil, principalmente entre os anos de 1874 a 1890. A história do país ficaria “manchada” com o fato dos imigrantes terem vindo substituir a mão-de-obra escrava. A partir do ano 2000 esse quadro está mudando, com os livros escolares de história já registrando esse fato. - “Porco”: assim são chamados os torcedores do Palmeiras, time da 1ª divisão do futebol brasileiro. A origem do termo pejorativo pode ter relação com a polenta, comida desconhecida dos brasileiros e que, para os ricos fazendeiros, “só porcos comiam”. Já para os italianos, arroz e feijão é que eram para os porcos - Durante a Segunda Guerra Mundial, devido a adesão de Benito Mussolini à Hitler, Alemanha e Itália passaram a ter seus imigrantes rejeitados em outros países. No Brasil, os italianos só podiam sair às ruas com carteira de salvo-conduto. Todas as contas bancárias de italianos ou descendentes ficaram congeladas até o fim da guerra. Em Indaiatuba, muitos não saíam de casa porque eram freqüentes os insultos - Em Caxias do Sul (RS) quase todo mundo fala o dialeto vêneto (da Veneza e região). Nesses locais a cultura italiana está bem preservada - São Paulo é a cidade “mais italiana” do mundo, com mais de cinco milhões de descendentes - A pizza é o resultado de uma receita errada. Uma das teorias diz que a massa não cresceu e que para não ser jogada fora, foram colocadas sobras de queijo ou frios em cima, com lascas de tomate e orégano (tempero obrigatório). Ainda segundo especulações, a pizza do norte da Itália (cidades mais ricas e avançadas) seria fina porque o que importaria mesmo era o recheio/cobertura – em geral, o que é caro. O sul, pobre, teria massa grossa justamente para matar a fome sem gastar muito |
| Sociedade
Ítalo-Brasileira Em todo o Brasil, descendentes de italianos buscam se agrupar em colônias nas quais a cultura do país de seus ancestrais é estudada. Em Indaiatuba, a Sociedade Ítalo-Brasileira funciona precariamente. Segundo Massimo Bincelli, 54, italiano que chegou ao Brasil aos quatro anos e que é o atual presidente da entidade, Indaiatuba é uma das poucas cidades em que a Sociedade ainda não “deslanchou”. “Um dos motivos, talvez, é que por não ter sede própria, funcionamos um tempo em Videiras (bairro com agricultores italianos), num anexo da igreja. Como era afastado, desistimos. No Centro, tivemos uma sala no Sindicato Rural, mas atualmente não podemos usar o espaço. Os ensaios do grupo de dança da Sociedade são feitos no Ginásio de Esportes, aos sábados, às 17h30. Como todo italiano ou descendente, sou lutador, e vamos conseguir formar uma sociedade atuante”, garante Massimo. Informações pelo telefone 3875-8946. |
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