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por FÁBIO ALEXANDRE
Compreensão.
Eis a palavra de ordem para um relacionamento sincero e duradouro,
segundo o casal Esther Maria Maricato Cason,
73 anos, e Luiz Antonio Padovani, 76 anos, (foto)
juntos há 32 anos. Mesmo sem oficializar a união,
os dois se consideram eternos apaixonados e neste Dia dos Namorados
que se aproxima, aproveitam para contar um pouco do segredo de
uma vida a dois repleta de muito respeito e paixão.
O casal considera sua união uma “obra do destino”.
“O Luiz acabara de se separar da ex-esposa e meu irmão
tinha amizade com o sobrinho dele”, conta Esther. “Logo
eles armaram nosso encontro. Meus amigos passaram a me convidar
para ir até a casa onde Luiz morava para jogar baralho,
mas nem imaginava qual era a real intenção deles”,
recorda. “No dia 21 de dezembro de 1974 aconteceu a festa
de aniversário do sobrinho dele. Insistiram muito para
que eu fosse e então passei a suspeitar de alguma coisa.”
No primeiro contato, Esther já se encantou com a cordialidade
do futuro companheiro. “Quando cheguei na festa às
22 horas, ele me esperava na portaria do prédio”,
observa. “Durante a festa, como as mulheres eram maioria,
eu dançava com algumas amigas quando me levaram para dançar
com ele. Neste momento, percebi que haviam tramado tudo”,
recorda. “Começamos a nos encontrar e a freqüentar
bares, teatros e cinemas e então, em abril de 75, oficializamos
o namoro, que dura até hoje”, celebra.
Contudo, diferente dos dias de hoje, Esther resolveu conversar
com a família, apesar de seus 40 anos de idade. “Como
o Luiz era separado, consultei meus familiares para saber o que
eles achavam e todos concordaram que, se eu achasse que aquele
relacionamento era o melhor para mim, então deveria continuar
com ele”, revela Esther. “Já fui noiva quando
jovem, mas acabou não dando certo, mas acabei encontrando
a pessoa certa. Eu tinha 40 anos e ele, 44 anos”, lembra.
“O mais engraçado de tudo é que passava todos
os dias em frente a casa do Luiz e nunca o tinha visto. Precisamos
mesmo da ‘ajuda’ de alguns amigos para ficarmos juntos.”
Segredos
Uma vez mais, o destino e o Cupido acertaram “na mosca”.
“O Luiz não quis casar novamente e resolvemos viver
como eternos namorados”, conta Esther. “Creio que
o fundamental em uma relação é a compreensão”,
enfatiza. “Não vou mentir e dizer que eu e o Luiz
não brigamos ou divergimos em certas situações.
Compreendemos nossas diferenças, mas não as estimulamos.”
Sobre os relacionamentos modernos, Luiz faz uma comparação.
“Antigamente, casava-se muito cedo e separar-se era muito
difícil”, recorda. “Hoje em dia, qualquer briga
é motivo para se separar. No momento em que as pessoas
precisam se unir para resolver determinado problema, acabam entrando
em guerra”, analisa.
O casal praticamente não se desgruda. “No cotidiano,
fazemos tudo juntos”, observa Luiz. “Se vamos a algum
lugar sozinho, as pessoas já perguntam pelo outro”,
revela. Mas a distância também incomoda os dois.
“Quando ficamos um certo tempo longe, já nos preocupamos
com o outro”, analisa Esther. “Este é o nosso
jeito de viver”, acrescenta.
Luiz lembra que não é um romântico nato. “Não
sou daqueles de levar flores”, conta. Mas Esther discorda.
“Do jeito dele, ele é romântico. Toda noite
me beija antes de dormir”, revela. “O importante é
ele se adaptar à minha personalidade e vice-versa. Depois
que assimilamos as diferenças, nos tornamos companheiros
inseparáveis”, acrescenta.
Independente da idade, apaixonar-se é muito mais que um
remédio para brigas ou discussões, mas uma ferramenta
para compreender o outro e partilhar uma vida a dois. Neste Dia
dos Namorados, presenteie sua outra metade ou prepare-se para
encontrá-lo sozinho ou com um “empurrãozinho”
do Cupido.
São
Valentim é inspiração

A gênese do Dia dos Namorados não é muito
romântica.Durante seu governo, o imperador Claudius II,
proibiu a realização de casamentos, visando aumentar
seu exército. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar
casamentos.
Seu nome era Valentim. No Brasil, a data é comemorada em
12 de junho, véspera do Dia de Santo Antônio, santo
português com tradição de casamenteiro, provavelmente
devido às suas pregações a respeito da importância
da união familiar.
O Dia dos Namorados foi criada pelo comércio paulista e
ganhou todo o Brasil.