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Cursos do Funssol
promovem a valorização
de pessoas


Mais do que preparar receitas ou costurar belas
peças, o foco maior é a promoção do ser humano


Os alunos da Casa de Oficinas Artesanais do Fundo Social de Solidariedade (Funssol) de Indaiatuba descobriram, na prática, que aprender um ofício pode ser mais prazeroso do que se imagina. Isso, porque o objetivo da direção do Funssol é fazer com que os participantes dos cursos semi-profissionalizantes da Casa aprendam, também, a se valorizar como seres humanos capazes, inclusive, de proverem o próprio sustento e o sustento da família.

O projeto Favos de Mel, por exemplo, oferece cursos de Padaria Artesanal, de Doces e também de Salgados. Além de aprenderem a preparar receitas maravilhosas, os participantes ainda recebem dicas sobre planejamento de vendas e custos e postura correta com relação à higiene na cozinha. “Também encaminhamos nossas alunas para o curso de Manipulação de Alimentos oferecido pela Vigilância Sanitária”, avisa a professora do projeto, Silvana Depieri Barduchi. “Elas vêm em busca de algo para fazer que possa lhes gerar renda e muito mais que preparar receitas, elas acabam aprendendo a redirecionar suas vidas”, acrescenta.

No projeto Passo a Passo, Patchwork, Corte e Costura, Bichinhos e Bonecas de Pano, as alunas recebem noções básicas de costura para a confecção de roupas, enxovais, decoração e, no mesmo molde dos cursos de culinária, enquanto confeccionam as peças, são estimuladas a auto-estima, as relações pessoais e a criatividade.

O sucesso dos projetos do Funssol se reflete na grande procura pelos cursos. Quem faz um, quer fazer todos e como o número de vagas não é grande, tem sempre uma fila de espera considerável. Além das pessoas que procuram pela casa de Oficinas Artesanais por conta própria, muitos alunos são encaminhados pela Secretaria Municipal da Assistência e Bem Estar Social (Sabes), provenientes de programas como Renda Cidadã e Bolsa Família.

Os cursos têm duração de quatro meses e, ao final, o aluno recebe um certificado de conclusão. E as Oficinas Artesanais representam apenas uma parte dos trabalhos realizados pelo Funssol de Indaiatuba, que também possui o Projeto Doce Lar, com cursos de Auxiliar do Lar e Babá, além das ações e programas sociais que envolve crianças, jovens, adultos e terceira idade.

Cronograma dos cursos do Funssol
Padaria Artesanal: segunda-feira (manhã e a tarde) na Casa de Oficinas Artesanais; quarta-feira (manhã e a tarde) no Instituto de Estudos Sociais e Combate às desigualdades de Indaiatuba (Iescodin), no Jardim Morada do Sol

Salgados:
terça-feira (manhã e a tarde)

Doces:
quinta-feira (manhã e a tarde)

Passo a Passo:
terça e quinta-feira (a tarde)
Patchwork: terça e quinta-feira (a tarde); grupo de voluntárias de segunda e sexta-feira (a tarde)

Corte e Costura:
quarta-feira (manhã e a tarde) em parceria com o Sesi

Bonecas e Bichinhos de Pano:
quinta-feira (manhã)


Padaria Artesanal forma multiplicadores
A salvação. Esta foi a definição da dona de casa Maria Lucineide Martins Guimarães, 33 anos, (foto ao lado) para o curso de Padaria Artesanal do Projeto Favos de Mel, desenvolvido pelo Funssol de Indaiatuba. “Eu estava precisando muito de um emprego, mas não tinha profissão e nem estudo. Consegui uma vaga para fazer o curso de pães no ano passado e já no primeiro dia, quando fizemos pão de batata, terminou a aula e saí vendendo. Tinha muita disposição e força de vontade, só me faltava um direcionamento, o que consegui aqui, nas Oficinas de Artesanato do Funssol”, declara.

Com tanta garra e “mãos boas” para a cozinha, não precisou muito tempo para Maria Lucineide ganhar uma clientela cativa entre os amigos e também em alguns comércios da cidade vendendo seus pães, roscas e sonhos. Como também participava de aulas de pintura em tecido e de bijuterias no Educandário Deus e a Natureza (Jardim Adriana), aproveitava para vender seus pães, sonhos e outras delícias que aprendeu a fazer no curso do Funssol.

E foi pelo paladar que a dona de casa conquistou um emprego fixo. “Vendi meus pães para a diretora do Educandário e ela gostou tanto que me convidou para dar aulas lá. “Aceitei na hora, tanto que voltei ao curso para fazer uma reciclagem dos meus conhecimentos e poder ensinar com mais propriedade. Agora sou uma multiplicadora do projeto. Vou fazer o que gosto e ainda vou ser registrada e ter um salário fixo, tudo graças a oportunidade que o pessoal do Funssol me ofereceu”, explica Maria Lucineide.

A agente comunitária do Posto de Saúde da Família (PSF) do Jardim Carlos Aldrovandi, Olívia W. Paes de Almeida, 54 anos, é outra multiplicadora do curso de Padaria Artesanal. Ela fez o curso no ano passado e passou por uma reciclagem na última turma, que se formou no dia 21 de maio. “Uma vez por semana, reunimos algumas mulheres atendidas no PSF para ensinar a fazer pães. O prefeito doou um fogão e alguns equipamentos de cozinha e a direção do Centro Comunitário de Helvetia, emprestou o espaço”, conta.

Segundo Olívia, o curso funciona como um complemento do atendimento feito no posto e envolve, inclusive, muitas pacientes com problemas de depressão. “Nossa proposta é fazer com que essas mulheres sintam-se úteis e valorizadas, além de dar uma oportunidade para que elas consigam uma renda extra e possam ajudar nas despesas da família, sem ter de se afastar de seus compromissos como mãe e dona de casa”, completa.

Homens também procuram cursos
O jovem Maicon de Moura Gomes (foto), é a prova de que os homens estão deixando o preconceito de lado e invadindo a cozinha. Ele é um exemplo desses homens que querem mostrar que têm competência no forno e fogão, igual e até melhor do que muitas mulheres. Em busca de uma profissão e até mesmo para aperfeiçoar seus dotes culinários, Maicon reinou absoluto na última turma do curso de Doces do projeto Favos de Mel, do Funssol. Com voz baixa e uma timidez indisfarçável, o jovem conta que gosta de cozinhar e já possuía algumas noções de cozinha, mas que aprendeu muita coisa nova. “Gostei tanto do curso que logo que passar o meu alistamento militar vou procurar emprego nesta área”, avisa. De todas as receitas que aprendeu a fazer, a torta holandesa é sua preferida. Mas o rapaz também administra, com maestria, receitas de petit gateau, camafeu, brigadeiro, beijinho, bolos e várias outras tentações adocicadas.

Oportunidade de mudança de vida
Uma pequena matéria em um jornal local somada à necessidade financeira e muita vontade de vencer as adversidades que a vida lhe oferecia, levou a dona de casa Mara Aparecida Squio, (foto) 42 anos, até a Casa de Oficinas Artesanais do Funssol.
Separada, com quatro filhos para criar e desanimada de tanto procurar emprego e não conseguir nenhuma chance de trabalho, Mara confessa que estava à beira de uma depressão quando conseguiu uma vaga no curso de Salgados. “Precisava de uma chance para aprender a fazer algo que pudesse gerar uma renda. Tenho filhos para criar e só a pensão alimentícia que eles recebem é insuficiente”, justifica.

Segundo a dona de casa, mal começou a fazer o curso e as encomendas começaram a aparecer. Os familiares, os vizinhos e os amigos da igreja que freqüenta foram os primeiros clientes. “Por meio de amigos, também fui convidada para fazer o lanche dos funcionários de uma empresa, o que ajudou bastante a divulgar meu trabalho, tanto que hoje recebo encomendas dos funcionários daqui da cidade e até de São Paulo”, comenta.

A experiência foi tão boa, que Mara agora participa do curso Passo a Passo, no qual aprende a fazer aventais, cortinas, móbiles, fuxico e várias outras peças. “Também já recebo encomenda dessas peças. Não tenho como negar que minha vida mudou. Cheguei aqui, no Funssol, triste, cansada de tanto ouvir não e hoje, meus filhos dizem que até meu semblante melhorou”, conta animada.
A mudança também foi observada pelas professoras da Casa, que lembram do esforço de Mara para participar das aulas. Algumas vezes, sem dinheiro para o ônibus, ela vinha a pé, mas não faltava das aulas. Outras, aproveitava que vinha fazer faxina ou mesmo pagar alguma conta no Centro e ficava na praça, sem almoço, esperando dar o horário da aula. “Estou mais feliz, mais realizada, graças à oportunidade que me deram. Falo para meus filhos que, se Deus quiser, logo conseguirei ter minha empresa”, conclui.


Ajudar o próximo enquanto se ajudam
Depois de concluir o curso de Patchwork, um grupo de voluntárias se reúne duas vezes por semana na Oficina de Artesanato para confeccionar peças que serão comercializadas no Bazar da Solidariedade do Funssol.
A engenheira agrônoma Oseli Jacobsen, 56 anos, é uma dessas voluntárias que, apesar da dificuldade que diz encontrar no manuseio da máquina de costura, está muito contente em poder ajudar nos projetos sociais do Fundo. “A reunião em grupo para fazer trabalhos manuais e o voluntariado também estão me ajudando a vencer alguns problemas pessoais. Este trabalho é importante porque faz com que o Funssol atinja seu objetivo de proporcionar melhoria social às pessoas atendidas por projetos sociais e ainda está me fortalecendo emocionalmente”, declara.
Outras voluntárias concordam com Oseli e falam do prazer em poder ajudar enquanto participam de um bate-papo gostoso, trocam experiências e conquistam novas amizades.


 
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