:: Por CYNTHIA SANTOS
Conhecer
o amor de sua vida é o grande desejo de muitas pessoas.
A questão é: onde procurar? Na locadora? No supermercado?
Em um bar? Na faculdade? Na balada? Muitos optariam por uma dessas
respostas e completariam que “na balada não é
lugar para encontrar um(a) namorado(a)”. Mas há relatos
que desmentem essa teoria e provam que, sim, os baladeiros também
amam. E nada melhor que o Dia dos Namorados, comemorado em 12
de junho, para compartilhar uma história de amor que começou
exatamente na maior balada de Indaiatuba.
O casal Fabíola Gozzo, 29 anos, e Marcelo
Falsi, 32 anos, é a prova de que em uma balada
há possibilidades de se encontrar pessoas interessantes
e dispostas a um relacionamento sério. Caso existam afinidades
e os dois estejam abertos a novas experiências, é
possível que um “ficante” se torne namorado,
e até marido.
Fabíola e Marcelo se conheceram na Zoff Club no dia 5 de
novembro de 2004. Fabíola é indaiatubana, mas mora
em São Paulo há anos. Marcelo sempre morou na capital.
Nos finais de semana, os dois costumavam vir para Indaiatuba,
onde se divertiam com amigos na badalada casa noturna. “Eu
estava com uma amiga na Zoff, quando tropecei e esbarrei no Marcelo”,
lembra. “Ele me segurou e aí começamos a conversar.”
O bom papo foi o principal ponto de atração entre
o casal. A conversa fluiu e os dois descobriram uma série
de gostos em comum. “A gente ia para as mesmas festas, aos
mesmos lugares, tinha a mesma religião”, relata Fabíola.
Os dois acabaram “ficando” e Marcelo se interessou
tanto por Fabíola que pegou seu telefone, e-mail e Orkut.
E, sim, mulheres, ele ligou para ela três dias depois. “Eu
gostei da Fá e meus amigos também. Eles ficavam
falando para eu ligar para ela porque ela era legal”, revela.
Apesar das afinidades, o namoro não engatou rápido.
Devido a compromissos profissionais dos dois, mesmo morando na
mesma cidade, Fabíola e Marcelo ficaram durante um mês
apenas se falando por telefone. Numa sexta-feira, marcaram de
se encontrar, mas em cima da hora tiveram que desmarcar. “Fiquei
estressada e pensei em dar um gelo nele”, comenta Fabíola.
Duas semanas depois do encontro desmarcado, Marcelo veio para
Indaiatuba e ligou para Fabíola, mas ela estava em um curso
durante todo o final de semana e não poderia encontrá-lo.
“Nesse dia a gente combinou que iria se encontrar de qualquer
jeito”, recordam. Romântico, na sexta-feira seguinte
Marcelo levou Fabíola até o restaurante Fidel, na
Lapa, em São Paulo. “Adorei lá, porque não
é um lugar para ficantes”, explica Fabíola.
“É um lugar onde te levam para ‘engatar’
alguma coisa.”
Depois desse segundo encontro, os dois nunca mais se desgrudaram.
No final de semana seguinte, Marcelo já convidou Fabíola
para uma festa promovida por amigos e assim continuaram. O casal
conta que Marcelo não chegou a fazer um pedido formal de
namoro. “A gente sabia que estava namorando, não
precisava pedir”, justifica Marcelo. “Mas a gente
só se tocou disso quando, no carnaval de 2005, um amigo
perguntou quando a gente ia começar a namorar e respondemos
que já estávamos namorando há muito tempo.”
Local
Fabíola revela que tinha uma ponta de esperança
de que encontraria uma pessoa legal, para namorar, em alguma balada.
“Acreditava que seria possível, porque é na
balada que as pessoas estão abertas para se relacionarem.
Ninguém chega em você em um café e te chama
para sair”, argumenta. “Na época eu só
ia para a balada, então não tinha outro lugar para
eu arrumar um namorado.” Já Marcelo era mais cético
nesse sentido. “Condenava quem falava que ia para a balada
para arrumar namorada”, explica. “Por isso, nunca
diga ‘nunca’.”
Marcelo e Fabíola são um casal animado, que gosta
de sair e freqüenta baladas até hoje, obviamente que
com uma freqüência bem menor do que quando se conheceram.
“A gente vai para a balada para se divertir, sem estresse
por causa de ciúme”, garantem. A ótima relação
dos dois culminou na decisão de se casarem. A união
está marcada para o final do ano e os dois já montaram
o apartamento. O casamento foi um desfecho natural da harmonia
entre Fabíola e Marcelo. “Nós decidimos olhar
para o futuro e construir alguma coisa juntos, ter um espaço
para receber os amigos”, diz Fabíola. “Quando
o casal fala a mesma língua, o casamento acaba fluindo”,
completa o namorado.
O mais gratificante, segundo o casal, são as conquistas
e a sintonia. “Nós sempre trabalhamos muito, sempre
tivemos responsabilidade, e o que temos hoje é fruto do
nosso esforço”, enfatizam. “O casal, para dar
certo, precisa ter um ‘norte’ e objetivos em comum.”
Para comprovar que o casamento fluiu naturalmente, os dois dizem
que nunca pensaram em se casar, com cerimônia e festa para
família e amigos. “Na verdade acho que eu não
tinha encontrado uma pessoa que me fizesse ter vontade de casar”,
observa Fabíola.
O segredo do bom relacionamento é “simples”:
respeito ao próximo. “Você tem que respeitar
o espaço do outro”, acreditam. “Não
pode fazer o relacionamento virar um peso nas costas e sim um
alívio para os problemas do dia-a-dia. Amor não
é cobrança.”
Os dois lembram que em muitos relacionamentos a mulher ou o homem
acaba virando uma “âncora” na vida do outro.
“Tem gente que não enxerga que foi cerceando a liberdade
da pessoa”, opinam. “Mas também é importante
não confundir liberdade com libertinagem.”