Expediente Redação Anuncie Opinião
   00:00:00


Adestramento: união de amor e disciplina


Profissional explica vantagens de condicionar
um cão para que ele seja disciplinado


:: Por CYNTHIA SANTOS

Ter um cão recém-nascido é uma delícia. Ele é pequenininho, faz inúmeras gracinhas, destroça chinelos, tapetes, tudo o que vê pela frente e os donos acham graça. Mas chega uma hora em que é preciso impor limites e treinar o animal para que ele faça suas necessidades no local correto, não destrua vasos de flores, enfim, se comporte adequadamente, para evitar transtornos. Isso é possível graças ao adestramento, a arte de condicionar os cães a terem o comportamento desejado pelos donos.

O adestrador Paulo de Tarso Silva, popularmente conhecido como ‘Paulão’ e dono da Major Adestramento para Cães, defende que o cão não é “adestrado” e sim “condicionado” a ter determinado comportamento. Ele trabalha com dois tipos de adestramento, o simples e o complexo, que envolve treinos de obediência e guarda. “Não trabalho com adestramento de cães de companhia, para ensinar a fazer gracinha”, explica. Paulão também é contra dar ração para o condicionamento dos cães. Seu trabalho consiste apenas em utilizar o toque e a voz, com adestramento à curta e média distância.

Entre os cães de grande porte, Paulão diz que treina todas as raças. Já entre os de pequeno porte, os que mais procuram adestramento são os donos das raças poodle e cocker. “O poodle grava mil palavras na memória”, garante.

O adestramento complexo, de obediência e guarda, dura de dez meses a um ano. Embora o tempo seja relativamente longo, Paulão diz que não é difícil adestrar o animal. “Mais complicado é ‘adestrar’ o do­no”, revela. “Alguns donos de cachorros acham que o adestrador é bombeiro, para ficar chamando na hora da emergência”, explica. “Às vezes o dono me pede para ensinar algo, mas não consegue fazer depois, em casa, porque não prestou atenção às aulas.” O adestrador também revela o risco de querer treinar o animal para o ataque. “O dono acha ‘bonito’, mas tem que ter voz de comando para segurar na hora do ataque”, lembra.

Muitos donos procuram o adestramento para corrigir atitudes erradas dos cães dentro de casa. O adestrador ensina, então, o que se deve fazer para que o animal seja disciplinado. “O cão também tem que ser condicionado a comer nos horários corretos, por exemplo”, esclarece. “Mas se o cachorro já tem outro adestrador e o dono quer que eu corrija o que está errado eu não aceito.”

Depois do adestramento, é importante que o dono do animal mantenha uma rotina, inclusive com passeios. “Tem dono que não leva o cão para passear depois que ele foi adestrado, mas não pode, porque o cachorro fica muito agitado se ficar somente dentro de casa”, explica.

O profissional explica que até os dez meses o cachorro é considerado “criança”, dos dez meses até um ano e meio é “adolescente” e a partir daí entra na fase adulta. “Quando vamos adestrar um animal temos que ter cuidado com sua estrutura, porque nos primeiros meses ele é muito frágil”, diz.

Atualmente, o treinamento é feito na casa do proprietário. Mas Paulão está construindo uma pista de adestramento no quilômetro 5 da Rodovia Cônego Cyriaco Scaranello Pires, que liga Indaiatuba a Monte Mor. As aulas ocorrem duas vezes por semana, num total de oito aulas por mês.

Além de ser exímio adestrador, Paulão revela que desenvolveu uma técnica para evitar que cachorras acabem comendo os filhotes após o parto. “Descobri que trabalhar com música clássica e barulho de água correndo no final da gravidez serve para acalmar as fêmeas”, revela. “Depois que comecei a usar esta técnica nunca mais tive notícias de cão comendo o filhote”, completa.

Arte
Paulão trabalha com cães há 31 anos e aprendeu o ofício no 5º Batalhão da Polícia Militar de Taubaté. Ele enfatiza que o adestramento não é uma profissão, mas uma arte. “Não adianta fazer curso para se tornar adestrador se não tiver o dom”, argumenta. O profissional observa que a “essência” do adestrador está acabando. “Hoje a maioria dos adestradores trabalha somente usando petisco”, aponta. “Isso acontece porque tem cão que não presta atenção, é preguiçoso, e quem usa petisco quer resultados rápidos. A recompensa que eu dou é o carinho.”

Os requisitos para atuar como adestrador, segundo ele, são: ter paciência, persistência, perseverança, carinho pelos animais e capacidade de observação. “Tem que gostar do que faz, não trabalhar só por dinheiro”, acredita. “Não adianta apenas ter o curso de adestrador.”

Os telefones da Major Adestramento para Cães são 3834-8555, 3318-0937 e 9665-2008.

<< volta

 
ANUNCIE
3834-2508
 
 
Revista da Tribuna - encartada no jornal de maior circulação na cidade - Tribuna de Indaiá

© 2009 - Revista da Tribuna - Tribuna de Indaiá
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

REVISTA DA TRIBUNA
RUA HÉRCULES MAZZONI, 873 - CENTRO
FONES - PUBLICIDADE 3825.5500
                      REDAÇÃO 3834.2926