
Por MARIA FERNANDA DE CAMPOS *
especial para a Revista da Tribuna
História
O cultivo da mandioca surgiu no primeiro milênio a.C., na
bacia tropical do Amazonas, praticado por índios de várias
etnias e espalhando-se por toda a América.
Desde o início da colonização, os portugueses
perceberam a utilidade da mandioca, como provisão e recurso,
ampliando o seu cultivo e formando uma infinidade de roças.
A mandioca também se tornou importante no tráfico
negreiro: os escravos eram alimentados com ela na viagem para
o Brasil. Foi nessa époça que a mandioca foi introduzida
no continente africano, onde hoje é um alimento essencial.
Os bandeirantes, nas suas entradas para o oeste, deixavam obrigatoriamente
um grupo de brancos e índios plantando mandioca e fazendo
farinha, levando-a aos companheiros que se adiantavam sertão
adentro e formando roças para as próximas expedições
que por ali passassem.
As muitas variedades de mandioca podem ser agrupadas em dois tipos
principais: a brava, venenosa, com alto teor de ácido cianídrico,
e a mansa, também chamada de doce, macaxeira ou aipim.
Os índios deram um salto cultural ao domesticar a mandioca
brava, conseguindo tirar o seu veneno: depois de colhida era descascada
e ralada em uma tábua cravejada de pedrinhas pontiagudas,
a seguir era macerada em um espremedor de palha chamado tipiti,
escorrendo dali o seu suco venenoso. A massa grande restante era
levada ao fogo em grandes frigideiras de barro onde era cozida
e mexida até transforma-se em farinha. Até hoje
muitos índios e não índios continuam a usar
esse processo.
Os índios foram além descobrindo outras utilizações
dessa raiz tão rica: a fécula de mandioca, obtida
da sedimentação de seu suco, chama-se goma ou polvilho.
Se for usado logo a seguir é a chamada goma fresca, ou
polvilho doce. Se o líquido continuar sedimentando por
quinze ou vinte dias, causando assim a fermentação
do amido, passa a ser a goma seca, ou polvilho azedo, por ter
um sabor ligeiramente ácido.
Esse subproduto permitiu vários preparos básicos.
O mais antigo e conhecido é o beiju, apreciado de diversas
maneiras em todo o Brasil. Trata-se de uma espécie de panqueca
que pode ser torrada ou mole, redonda ou retangular, pequena ou
grande, pura ou com ingredientes diversos.
Ainda úmida e espalhada numa chapa ou pedra ao fogo, essa
goma estoura feito pipoca, produzindo grãos levíssimos
e irregulares: a tapioca. Altamente digestiva, a mandioca era
considerada pelos índios alimento dos deuses. Bolos e pudins
de técnicas portuguesas confeccionados com a tapioca passaram
a fazer parte dos doces das famílias brasileiras.
Outro subproduto importante da mandioca é a puba. É
obtida a partir das raízes deixadas de molho em água
de três a cinco dias, quando fermentam, sendo prensadas
a seguir e embaladas em bolotas ou na integra.
A lenda
É a história de Mani, menina nascida da filha de
um chefe indígena, que engravidou sem que a criança
tivesse um pai. O chefe, recusando-se a acreditar, condenou à
morte a filha como mentirosa. Em sonho, o chefe recebe de um velho
branco, o aviso para não executar a filha. Livre da morte,
a filha da à luz a uma menina muito bela e muito branca
que, com um ano falava já desembaraçadamente. Para
desgraça de todos, porém, Mani morre ao completar
um ano, sem queixas ou sinal de sofrimento.
Enterrada, do seu túmulo nasceu uma planta de folhas grandes
que, em poucos meses, faz rachar o chão com suas raízes
fortes e grossas. Os índios, reconhecendo a cor branca
de Mani nas raízes emergentes da terra, batizaram-na com
o nome de Manihoc. E se dedicaram ao seu cultivo para sempre.
Tapioca de Mandioca
Experimentei
esta receita um dia desses por sugestão de uma aluna de
meus cursos de culinária.
É fantástica!!
Vale a pena experimentar!
Ingredientes
1 kg de mandioca
Sal a gosto
Modo de Preparo
1 Descasque e rale a mandioca no
ralo fino. Coloque um pouco de água para ficar levemente
boiando e esprema usando um pano - coloque a mandioca ralada no
meio de um pano de prato e torça – até tirar
todo o líquido.
2 Guarde este líquido em
uma vasilha.
3 Tempere a mandioca com sal a
gosto.
4 Coloque
uma frigideira antiaderente no fogo médio. Quando aquecer
vá colocando a pasta de mandioca com a ajuda de uma colher
até ficar uma panqueca. Deixe dourar e vire do outro lado.
Faça esse procedimento até acabar a “massa”.
5 Recheie com calabresa acebolada, goiabada com queijo coalho,
coco e leite condensado ou simplesmente com manteiga, fica uma
delícia.