www.revistadatribuna.com.br

Capa
Corpo
Crônica do Penna
Cultura
Decoração
Educação
Elegantes do Mês
Gastronomia
Moda
Revisteen
Saúde
Superinteressante
Turismo
Diário de Viagem

Destino: Veneza - Itália

Por Deborah Sousa

Desde que saímos da nossa casa em Indaiatuba e constatamos em nosso globo iluminado que Veneza era próximo a Croácia, estávamos sonhando em ir conhecê-la. Para tanto, reservamos o feriado de Corpus Crist, que é mundial, para viajar para lá.
Como até chegar perto a gente não sabe se as coisas vão dar certo, deixei para organizar tudobem próximo ao feriado, cerca de três semanas ante. Já estava tudo lotado, o que não estava, custava mais de 100 Euros. Bem, com muita ajuda do computador achei um que se encaixava na categoria Hostel.

É tipo albergue, eles não tem obrigação de ter banheiro e roupas de cama, alguns tem, é preciso perguntar antes. Esse que eu reservei tinha banheiro e tudo certinho. Aliás na Europa, isso de ter banheiro no quarto é meio luxo. Em todo lugar tem que perguntar se tem banheiro e privada. Um amigo do meu marido foi antes da gente ficou num hotel caro, bem localizado, que não tinha banheiro no quarto.

Nosso “alberque” ficava na área residencial. Bom por um lado:conhecemos a Veneza que o pessoal mora. Ruim por outro: era meio longe dos pontos turísticos, tinha que andar muito. Bem, esse tipo de viagem que fazemos é para conhecer mesmo, o máximo possível. Na próxima, a gente fica sentado e vê a paisagem. Portanto, nosso ritmo é bem canstivo mesmo.
Mas Veneza é non-stress. Se se perder tudo bem, é bonito o caminho do mesmo jeito, se pegar o vaporetto errado, tudo bem, vale o passeio...

Vamos pegar o trem, tudo desde o começo.
Fronteira - Lá pelas tantas, chegamos a Eslovênia (como o País não é muito grande, e já esanda um pouco tá na fronteira). Entram os infelizes dos “cães de guarda” mais conhecidos como “border patrol”. Apesar de estarmos sempre com tudo certinho, ficamos apreensivos, nunca se sabe o que se passa na cabeça deles.

O trem estava lotado, muitos estudantes e pessoas em pé pelos corredores. Nossa cabine também lotada, uma japonesa (professora de literatura japonesa na Univ. em Zagreb) e um cara que depois soube ser de Israel.

O guarda foi pedindo primeiro para a gente. Meu marido passou os passaportes e ficamos esperando. O guarda começa a ver todas as páginas, olha a foto, olha a gente, olha, olha e começou a fazer perguntas: Tem outro documentos com vcs? Estão a quanto tempo em Zagreb? Estão fazendo o que em Zagreb? Isso porque o cara era da Eslovênia que é um país no qual não iríamos parar, mas infelizmente fica no meio do caminho.
Foi uma eternidade, depois de mostrarmos nossa carteira de motorista do Brasil, finalmente colocaram o carimbo para a entrada no País.

Aí com a Japinha foi tranquilo, menos de 2 segundos. Com o rapaz de Israel a coisa foi difícil. O guarda queria outros documentos e o cara disse que não tinha, nem olhava na cara do guarda, estilo não tô nem aí mesmo. O guarda perguntou se ele tinha dinheiro e o israelense disse que não. O guarda então mandou sair do vagão e seguir até o escritório! Jesus! Reclamando muito o rapaz acompanhou os guardas.
Depois de uns cinco minutos ele volta revoltadíssimo, xingando bem alto os eslovênos de facistas! Perguntei o que eles fizeram e ele disse que ficaram olhando nos olhos dele, olharam a foto, fizeram mais perguntas e ele finalmente ele mostrou o cartão de crédito para não perder o trem.

Na realidade, ele acreditava que não tinha obrigação de mostrar nada e não facilictou o trabalho dos guardas. No final, esse estresse todo acaba socializando os passageiros. Em seguida, entrou uma estudante de Zagreb na cabine e também reclamou horrores. Disse que eles pegaram um presunto que ela estava levando para uns amigos.

Ao entrar na Itália, as policiais viram o passaporte e nem carimbaram, como os austríacos. Não dá entender como é feito o controle, coisas do primeiro muindo. Em frente a estação já tem o lugar para comprar as passagens para o vaporeto. A única forma de transporte acessível a turistas não ricos. Os ricos podem pegar os taxis (lanchinhas que vão aonde você quer, uma furtuna) ou as gôndola e não ter pressa para chegar e tambem pagar uma fortuna. Nós pagamos uma pequena fortuna para 72 horas de passagens. Perdida que estava, perguntei ao bilheteiro se com a passagem poderia pegar qualquer “ônibus” e ele disse que sim..

Veneza- Vaporetto no Grand Canal
Aventuras na Itália - Italiano não é Português, dá para se comunicar mas você nunca sabe quando a palavra é igual ou completmaente diferente. Era muito mais fácil que na Ástria ou Hungria, onde não arriscamos falar nada na lingua deles. Na Itália era toda hora Bon Giorno, Grazie, Per favore il conto....
e por aí vai...era animado.
Mas os italianos não se esforçavam para falar nada em inglês. Perguntávamos em inglês e iam respondendo em italiano. A senhorinha da nossa “Locanda” era pior ainda não falava nada, ela percebeu que era meio difícil a comunicação e escreveu os horários do café da manhã num papel.
A cidade estava super lotada e vive 110% de turismo, é difícil achar um italiano, portanto, acho que eles deveriam tentar falar inglês, uma língua universal. Percebi que quando não tinha jeito (Japoneses por exemplo) eles se esforçavam e arranhavam um inglês......
Uma noite, próximo ao hotel, área bem residencial, uma menina estava chamando os cachorros aos berros. Imediatamente, saiu um homem na janela também aos berros para reclamar da gritaria dela, parecia filme. Tinha também os varais lotados de roupas por todo o caminho. Como não possuem quintal ou área de serviço, tem que ser sem privacidade mesmo, era até bem perfumado passar embaixo dos lençois pindurados. No geral a cidade é bem calma a noite, as ruas ficam mais desertas e qualquer sussurro fica mias alto.....

Veneza – Rua Típica Italiana
Um pouco de História - A cidade é conhecida como La Sereníssima ( A mais Serena das Repúblicas). Segundo a lenda, a região é bem antiga. Os refugiados de Tróia fundaram colônias por lá e depois seguiram para fundar Roma. Bem como os Celtas, que também estiveram por lá (parece que estamos seguindo os passos deles...). Enfim, desde o começo Veneza fazia parte da Itália. Lá pelo século V começaram as confusões, invasões, guerras.
Esta parte da Itália passou a pertencer ao império Bizantino, daí toda a influência da arquitetura na cidade. O litoral da Croácia que conhecemos, a Istria, era parte de Veneza e muitas das ilhas da Croácia também, eles dominavam o Mediterrâneo. Uma curiosidade: Marco Polo, segundo dizem, nasceu na Croácia, na ilha de Korcula que na época era de Veneza, a casa em que ele morreu fica em Veneza.
Essa parte da história da Cidade é bem complicada porque foram muitas invasões, períodos de paz, períodos de pirataria dentro do Mediterrâneo, de riquezas. Veneza chegou a ser muito próspera por sua localização estratégica, afinal era a principal saída para o mundo antes dos Portugueses e Espanhóis conhecerem outras rotas. A partir daí, começou o declínio do Império Veneziano.
San Marco - A basílica de San Marco começou a ser construída por volta de 828 (DC) mas era para outro santo, o Theodoro. Uns marchands de Veneza foram até Alexandria e roubaram o corpo do apósotolo San Marco (esconderam-o embaixo de carne de porco) e levaram para Veneza para que ela tivesse um protetor a altura da sua importância.
Aí começaram a aumentar a igreja que receberia o nome dele. Esconderam o corpo de São Marco em alguma parte e depois não sabiam aonde. Anos mais tarde, com a catedral já em “operação” ,em 1094, o corpo do homem saiu (caiu) de uma das colunas. Todos acharam que era milagre, hoje está guardadinho no altar da igreja.
A influência maior é a bizantina, já que todo o ornamento da igreja é em mosaicos, fica bonito, colorido e dura bastante. Ah, o pessoal de Veneza também se beneficiou bastante com as Cruzadas, aproveitaram para saquear Constantinopla (o que foi considerado uma traição pelos turcos, já que eles faziam parte do Império) e muitas decorações da Basílica vieram desses saques.


Veneza- Deborah na Praca S. Marco

Veneza- Detalhe da S. Marco
O local é bem bonito, mas é preciso ficar numa fila enorme para entrar, debaixo de sol. Também é preciso vestir-se com uma roupa que eles considerem decente, se não, não entra. Eu não sabia antes e já comecei a rezar na fila pois estava de vestido com alça, mas tinha uns babadinhos que lembravam bem de longe uma manguinha. A menina da frente de mim e a mulher de trás tinham certeza que eu não ia entrar. Me fiz de tonta, fiz meu marido ficar na frente e não olhei para o guarda, a mulher de trás falou que ele ficou olhando muito a minha roupa, mas deixou entrar. Afinal não era indecente, estava um super calor
Para entrar não é preciso pagar, mas se você quiser ver o altar, paga. Se quiser ver relíquias como um suposto espinho da coroa de Cristo tem que pagar, os cavalos verdadeiros que foram roubados de Constantinopla, tem que pagar. Ficamos só vendo a igreja mesmo......
Ao chegarmos à Cidade fomos direto a torre ao lado da igreja, o campanário, onde ficam os sinos e onde se tem uma bela vista da cidade, vale pelas fotos.
O horário de verão é para valer na Europa. Em Veneza, escurecia depois das nove horas da noite e as 4h30 da manhã já começava a ficar claro. Para nós, que estávamos passeando, foi ótimo, o dia rendia muito.

Veneza –Praca S. Marco e Palácio Ducale
Napoleão ao chegar a Veneza ( e conquistá-la), disse que a Praça São Marco é o quadrado mais perfeito da Europa. O que faz a moldura é o Palácio Ducale, onde moravam os reis e duques, onde era o Parlamento, as prisões,enfim, um lugar enorme.
O palácio Ducale comecou a ser contruído no século IX. Boa parte do prédio pegou fogo em 1577. Contudo, está bem conservado internamente e vale a visita, bem interessante, não podia tirar fotos, mas alguma coisa nós conseguimos.

Veneza – Palacio Ducale por dentro
Ao entrar na praça, do mar, já se vêem duas grandes colunas, uma com um figura que simboliza San Marco com um peixe, e outra coluna de um leão alado, símbolo de Veneza.
A praça hoje é um local totalmente voltado aos turistas. As pombas estão lá porque o pessoal vende um pacotinho de milho que custa 1 Euro e todo mundo compra para dar para as bichanas, é bem nogento. Só de chegar mais perto elas querem subir em você.
Na praça, embaixo do palácio tem desde lojas que vendem os suviniers mais óbvios, até peças de murano, máscaras, até jóias, e obras de arte de Picasso e Dalí.....
Tem também três cafés que dominam o local.Eles armam dois palquinho nas laterais da praça com poucos músicos que se revesam na apresentações, cada três músicas, ou mais, é um lado da praça que toca. Ao sentar-se, em um dos exclusivíssimos cafés da praça, você tem o privilégio de escutar a banda bem de perto, depois vc se vira e escuta a banda do outro lado, é muito agradável, mas são uns dos cafés mais caros do mundo. Um capuccino sai por cerca de 8 Euros,os preços eram tão estratoeféricos que ficamos como os outros turistas ouvindo de pé memo....

Veneza- Café Florian
Murano - Para chegar até lá basta pegar o Vaporetto que nós já havíamos pago para usar indiscriminadamente por um período de três dias. A viagem dura um pouco mais de meia hora, o ideal é tentar pegar um dos poucos lugares do lado de fora e ir curtindo a paisagem. Essas cadeiras são diputadíssimas, algumas vezes conseguimos sentar do lado de fora. No caminho vimos o cemitério, eles deixaram uma das ilhas só para enterrar os mortos, boa idéia.
Murano é uma graça, menor que Veneza e cheio de lojinhas, não dava para saber onde comprar. Eu sou louca por essas mandalinhas de vidro e não sabia o que fazer, tirei muita foto e comprei um pouquinho, mas as coisas são muito bonitas.
Como começou- Na verdade, esse pessoal que trabalha com vidro era de Veneza mesmo, lá pelos anos de 1200 e tantos resolveram se mudar porque eles usavam fogo (era perigoso) e queriam preservar os segredos desta arte. Por sinal, guardados até hoje. Não conseguimos ver como fazem os vidrinhos, o pouco que vimos, era para distrair turista, uns cavalinhos bem sem graça.
Se não quiser, não precisa ir até lá, tudo tem em Veneza, inclusive no final achamos uma loja bem barata por lá, mas a visita vale a pena.


Veneza –Fabrica de Vidros em Murano


Veneza – Vitrine de Murano


Veneza – Primavera em Murano


Veneza - Lustre de Murano

Veneza – Coraçoes de Murano
Dali se pega outro vaporeto que vai até Burano, outra ilha a cerca de meia hora que se especializou no crochê. As peças são bonitas, mas como disse o nosso guia (do livro) tem que se ter cuidado porque muita coisa barata vem da China mesmo.
O passeio vale é pelo colorido. Eles pintam as casas de todas as cores, é lindo, nunca vi tanta casa tão colorida na minha vida, parece um cenário.


Veneza – Casas de Burano

Veneza- Casa de Burano Azul
Deveríamos ter ido também a Torcello, mais para frente de Burano e dizem ser onde tudo começou, inclusive Veneza, mas não deu tempo...fica para a próxima.
Na temporada de verão muitos cruzeiros partem de lá, a maiorias dos navios quehavíamos feito um mini-crizeiro em fevereiro deste anos no litoral do Rio e São Paulo. Uma das fotos impressionam é do grende transatlântico Milleninum, parecia que ele atropelar Veneza, a entrada dele no Grande Canal é uma foto que dispensa comentários.
Diziam os antigos que o Grand Canal é a “rua”mais bela do mundo. Realmente o passeio é de tirar o fôlego, muito bonito. Grandes casarões voltados para o mar, belas fachadas, muita história. De lá partem a maioria dos passeios de gondola. De vez em quando, as gôngolas entram por uma “ruela” (um pequeno canal dentro da cidade) e de longe você é surpreendido pelos remadores cantando, geralmente acompanhados por acordeom, ecoando a noite pelos cantos charmosos de Veneza.



Veneza- Rumo ao Baile de Mascaras


Veneza- Detalhe da Gondola


Veneza- Cartao Postal

Veneza- Igreja
Perfumes - Já tinha ouvido falar que era um horror, que a cidade era fedida, que era só cheiro esgoto, etc,etc...Para mim, isso é desculpa de quem não quer sair de casa. vale o passeio. É muito bonito, diferente e os cheiros são bem normais.
Certas vezes, o aroma lembrava Paraty, numa rua tinha aquele cheiro MARAVILHOSO de maresia, outra não era tão bom assim, vira outra só cheiro de flores, de jasmim, de rosas, uma delícia...A primavera estava a toda na cidade e todos colaboram cultivando flores nas janelas, é muito bonito......


Veneza – Barco de Flores
A cidade está começando a se programar para o futuro. O nível dos marés está realmente subindo e pelas progressões em 2100 ,se não fizerem nada, ela estará inabitável. Pelo que li no guia (sempre que falo guia é o livro da Lonely Planet) eles vão começar a construir umas comportas para conter as águas dos braços de mar que chegam à Cidade.
Muitas lojas e casas tem pequenas comportas, na época de cheia, tocam alarmes para o povo se proteger. Parece que isso está se tornando rotina
Bem, espero ter ajudado a quem pretende um dia ir até lá. Se soubesse dos detalhes que conto aqui antes, teria economizado umas horinhas de corrria por lá e curtido mais a paisagem. Enfim, desejo a todos, uma ótima viagem.
A r r i v e r d e r c i ! !

 

© 2005 - Revista da Tribuna - Tribuna de Indaiá - Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.
   
Expediente
Redação
Anuncie
Opinião