Destino:
Veneza - Itália
Por Deborah Sousa
Desde que saímos da nossa casa em Indaiatuba e constatamos
em nosso globo iluminado que Veneza era próximo a Croácia,
estávamos sonhando em ir conhecê-la. Para tanto, reservamos
o feriado de Corpus Crist, que é mundial, para viajar para
lá.
Como até chegar perto a gente não sabe se as coisas
vão dar certo, deixei para organizar tudobem próximo
ao feriado, cerca de três semanas ante. Já estava tudo
lotado, o que não estava, custava mais de 100 Euros. Bem, com
muita ajuda do computador achei um que se encaixava na categoria Hostel.
É tipo albergue, eles não tem obrigação
de ter banheiro e roupas de cama, alguns tem, é preciso perguntar
antes. Esse que eu reservei tinha banheiro e tudo certinho. Aliás
na Europa, isso de ter banheiro no quarto é meio luxo. Em todo
lugar tem que perguntar se tem banheiro e privada. Um amigo do meu
marido foi antes da gente ficou num hotel caro, bem localizado, que
não tinha banheiro no quarto.
Nosso “alberque” ficava na área residencial. Bom
por um lado:conhecemos a Veneza que o pessoal mora. Ruim por outro:
era meio longe dos pontos turísticos, tinha que andar muito.
Bem, esse tipo de viagem que fazemos é para conhecer mesmo,
o máximo possível. Na próxima, a gente fica sentado
e vê a paisagem. Portanto, nosso ritmo é bem canstivo
mesmo.
Mas Veneza é non-stress. Se se perder tudo bem, é bonito
o caminho do mesmo jeito, se pegar o vaporetto errado, tudo bem, vale
o passeio...
Vamos pegar o trem, tudo desde o começo.
Fronteira - Lá pelas tantas, chegamos a Eslovênia
(como o País não é muito grande, e já
esanda um pouco tá na fronteira). Entram os infelizes dos “cães
de guarda” mais conhecidos como “border patrol”.
Apesar de estarmos sempre com tudo certinho, ficamos apreensivos,
nunca se sabe o que se passa na cabeça deles.
O trem estava lotado, muitos estudantes e pessoas em pé pelos
corredores. Nossa cabine também lotada, uma japonesa (professora
de literatura japonesa na Univ. em Zagreb) e um cara que depois soube
ser de Israel.
O guarda foi pedindo primeiro para a gente. Meu marido passou os passaportes
e ficamos esperando. O guarda começa a ver todas as páginas,
olha a foto, olha a gente, olha, olha e começou a fazer perguntas:
Tem outro documentos com vcs? Estão a quanto tempo em Zagreb?
Estão fazendo o que em Zagreb? Isso porque o cara era da Eslovênia
que é um país no qual não iríamos parar,
mas infelizmente fica no meio do caminho.
Foi uma eternidade, depois de mostrarmos nossa carteira de motorista
do Brasil, finalmente colocaram o carimbo para a entrada no País.
Aí com a Japinha foi tranquilo, menos de 2 segundos. Com o
rapaz de Israel a coisa foi difícil. O guarda queria outros
documentos e o cara disse que não tinha, nem olhava na cara
do guarda, estilo não tô nem aí mesmo. O guarda
perguntou se ele tinha dinheiro e o israelense disse que não.
O guarda então mandou sair do vagão e seguir até
o escritório! Jesus! Reclamando muito o rapaz acompanhou os
guardas.
Depois de uns cinco minutos ele volta revoltadíssimo, xingando
bem alto os eslovênos de facistas! Perguntei o que eles fizeram
e ele disse que ficaram olhando nos olhos dele, olharam a foto, fizeram
mais perguntas e ele finalmente ele mostrou o cartão de crédito
para não perder o trem.
Na realidade, ele acreditava que não tinha obrigação
de mostrar nada e não facilictou o trabalho dos guardas. No
final, esse estresse todo acaba socializando os passageiros. Em seguida,
entrou uma estudante de Zagreb na cabine e também reclamou
horrores. Disse que eles pegaram um presunto que ela estava levando
para uns amigos.
Ao entrar na Itália, as policiais viram o passaporte e nem
carimbaram, como os austríacos. Não dá entender
como é feito o controle, coisas do primeiro muindo. Em frente
a estação já tem o lugar para comprar as passagens
para o vaporeto. A única forma de transporte acessível
a turistas não ricos. Os ricos podem pegar os taxis (lanchinhas
que vão aonde você quer, uma furtuna) ou as gôndola
e não ter pressa para chegar e tambem pagar uma fortuna. Nós
pagamos uma pequena fortuna para 72 horas de passagens. Perdida que
estava, perguntei ao bilheteiro se com a passagem poderia pegar qualquer
“ônibus” e ele disse que sim..

Veneza-
Vaporetto no Grand Canal
Aventuras na Itália - Italiano não
é Português, dá para se comunicar mas você
nunca sabe quando a palavra é igual ou completmaente diferente.
Era muito mais fácil que na Ástria ou Hungria, onde
não arriscamos falar nada na lingua deles. Na Itália
era toda hora Bon Giorno, Grazie, Per favore il conto....
e por aí vai...era animado.
Mas os italianos não se esforçavam para falar nada em
inglês. Perguntávamos em inglês e iam respondendo
em italiano. A senhorinha da nossa “Locanda” era pior
ainda não falava nada, ela percebeu que era meio difícil
a comunicação e escreveu os horários do café
da manhã num papel.
A cidade estava super lotada e vive 110% de turismo, é difícil
achar um italiano, portanto, acho que eles deveriam tentar falar inglês,
uma língua universal. Percebi que quando não tinha jeito
(Japoneses por exemplo) eles se esforçavam e arranhavam um
inglês......
Uma noite, próximo ao hotel, área bem residencial, uma
menina estava chamando os cachorros aos berros. Imediatamente, saiu
um homem na janela também aos berros para reclamar da gritaria
dela, parecia filme. Tinha também os varais lotados de roupas
por todo o caminho. Como não possuem quintal ou área
de serviço, tem que ser sem privacidade mesmo, era até
bem perfumado passar embaixo dos lençois pindurados. No geral
a cidade é bem calma a noite, as ruas ficam mais desertas e
qualquer sussurro fica mias alto.....

Veneza
– Rua Típica Italiana
Um pouco de História - A cidade é conhecida
como La Sereníssima ( A mais Serena das Repúblicas).
Segundo a lenda, a região é bem antiga. Os refugiados
de Tróia fundaram colônias por lá e depois seguiram
para fundar Roma. Bem como os Celtas, que também estiveram
por lá (parece que estamos seguindo os passos deles...). Enfim,
desde o começo Veneza fazia parte da Itália. Lá
pelo século V começaram as confusões, invasões,
guerras.
Esta parte da Itália passou a pertencer ao império Bizantino,
daí toda a influência da arquitetura na cidade. O litoral
da Croácia que conhecemos, a Istria, era parte de Veneza e
muitas das ilhas da Croácia também, eles dominavam o
Mediterrâneo. Uma curiosidade: Marco Polo, segundo dizem, nasceu
na Croácia, na ilha de Korcula que na época era de Veneza,
a casa em que ele morreu fica em Veneza.
Essa parte da história da Cidade é bem complicada porque
foram muitas invasões, períodos de paz, períodos
de pirataria dentro do Mediterrâneo, de riquezas. Veneza chegou
a ser muito próspera por sua localização estratégica,
afinal era a principal saída para o mundo antes dos Portugueses
e Espanhóis conhecerem outras rotas. A partir daí, começou
o declínio do Império Veneziano.
San Marco - A basílica de San Marco começou a ser construída
por volta de 828 (DC) mas era para outro santo, o Theodoro. Uns marchands
de Veneza foram até Alexandria e roubaram o corpo do apósotolo
San Marco (esconderam-o embaixo de carne de porco) e levaram para
Veneza para que ela tivesse um protetor a altura da sua importância.
Aí começaram a aumentar a igreja que receberia o nome
dele. Esconderam o corpo de São Marco em alguma parte e depois
não sabiam aonde. Anos mais tarde, com a catedral já
em “operação” ,em 1094, o corpo do homem
saiu (caiu) de uma das colunas. Todos acharam que era milagre, hoje
está guardadinho no altar da igreja.
A influência maior é a bizantina, já que todo
o ornamento da igreja é em mosaicos, fica bonito, colorido
e dura bastante. Ah, o pessoal de Veneza também se beneficiou
bastante com as Cruzadas, aproveitaram para saquear Constantinopla
(o que foi considerado uma traição pelos turcos, já
que eles faziam parte do Império) e muitas decorações
da Basílica vieram desses saques.

Veneza- Deborah na Praca S.
Marco

Veneza-
Detalhe da S. Marco
O local é bem bonito, mas é preciso ficar numa fila
enorme para entrar, debaixo de sol. Também é preciso
vestir-se com uma roupa que eles considerem decente, se não,
não entra. Eu não sabia antes e já comecei a
rezar na fila pois estava de vestido com alça, mas tinha uns
babadinhos que lembravam bem de longe uma manguinha. A menina da frente
de mim e a mulher de trás tinham certeza que eu não
ia entrar. Me fiz de tonta, fiz meu marido ficar na frente e não
olhei para o guarda, a mulher de trás falou que ele ficou olhando
muito a minha roupa, mas deixou entrar. Afinal não era indecente,
estava um super calor
Para entrar não é preciso pagar, mas se você quiser
ver o altar, paga. Se quiser ver relíquias como um suposto
espinho da coroa de Cristo tem que pagar, os cavalos verdadeiros que
foram roubados de Constantinopla, tem que pagar. Ficamos só
vendo a igreja mesmo......
Ao chegarmos à Cidade fomos direto a torre ao lado da igreja,
o campanário, onde ficam os sinos e onde se tem uma bela vista
da cidade, vale pelas fotos.
O horário de verão é para valer na Europa. Em
Veneza, escurecia depois das nove horas da noite e as 4h30 da manhã
já começava a ficar claro. Para nós, que estávamos
passeando, foi ótimo, o dia rendia muito.

Veneza
–Praca S. Marco e Palácio Ducale
Napoleão ao chegar a Veneza ( e conquistá-la), disse
que a Praça São Marco é o quadrado mais perfeito
da Europa. O que faz a moldura é o Palácio Ducale, onde
moravam os reis e duques, onde era o Parlamento, as prisões,enfim,
um lugar enorme.
O palácio Ducale comecou a ser contruído no século
IX. Boa parte do prédio pegou fogo em 1577. Contudo, está
bem conservado internamente e vale a visita, bem interessante, não
podia tirar fotos, mas alguma coisa nós conseguimos.
Veneza
– Palacio Ducale por dentro
Ao
entrar na praça, do mar, já se vêem duas grandes
colunas, uma com um figura que simboliza San Marco com um peixe, e
outra coluna de um leão alado, símbolo de Veneza.
A praça hoje é um local totalmente voltado aos turistas.
As pombas estão lá porque o pessoal vende um pacotinho
de milho que custa 1 Euro e todo mundo compra para dar para as bichanas,
é bem nogento. Só de chegar mais perto elas querem subir
em você.
Na praça, embaixo do palácio tem desde lojas que vendem
os suviniers mais óbvios, até peças de murano,
máscaras, até jóias, e obras de arte de Picasso
e Dalí.....
Tem também três cafés que dominam o local.Eles
armam dois palquinho nas laterais da praça com poucos músicos
que se revesam na apresentações, cada três músicas,
ou mais, é um lado da praça que toca. Ao sentar-se,
em um dos exclusivíssimos cafés da praça, você
tem o privilégio de escutar a banda bem de perto, depois vc
se vira e escuta a banda do outro lado, é muito agradável,
mas são uns dos cafés mais caros do mundo. Um capuccino
sai por cerca de 8 Euros,os preços eram tão estratoeféricos
que ficamos como os outros turistas ouvindo de pé memo....

Veneza-
Café Florian
Murano
- Para chegar até lá basta pegar o Vaporetto
que nós já havíamos pago para usar indiscriminadamente
por um período de três dias. A viagem dura um pouco mais
de meia hora, o ideal é tentar pegar um dos poucos lugares
do lado de fora e ir curtindo a paisagem. Essas cadeiras são
diputadíssimas, algumas vezes conseguimos sentar do lado de
fora. No caminho vimos o cemitério, eles deixaram uma das ilhas
só para enterrar os mortos, boa idéia.
Murano é uma graça, menor que Veneza e cheio de lojinhas,
não dava para saber onde comprar. Eu sou louca por essas mandalinhas
de vidro e não sabia o que fazer, tirei muita foto e comprei
um pouquinho, mas as coisas são muito bonitas.
Como começou- Na verdade, esse pessoal que trabalha com vidro
era de Veneza mesmo, lá pelos anos de 1200 e tantos resolveram
se mudar porque eles usavam fogo (era perigoso) e queriam preservar
os segredos desta arte. Por sinal, guardados até hoje. Não
conseguimos ver como fazem os vidrinhos, o pouco que vimos, era para
distrair turista, uns cavalinhos bem sem graça.
Se não quiser, não precisa ir até lá,
tudo tem em Veneza, inclusive no final achamos uma loja bem barata
por lá, mas a visita vale a pena.

Veneza –Fabrica de Vidros
em Murano
Veneza
– Vitrine de Murano

Veneza
– Primavera em Murano

Veneza
- Lustre de Murano

Veneza
– Coraçoes de Murano
Dali se pega outro vaporeto que vai até Burano, outra ilha
a cerca de meia hora que se especializou no crochê. As peças
são bonitas, mas como disse o nosso guia (do livro) tem que
se ter cuidado porque muita coisa barata vem da China mesmo.
O passeio vale é pelo colorido. Eles pintam as casas de todas
as cores, é lindo, nunca vi tanta casa tão colorida
na minha vida, parece um cenário.

Veneza – Casas de Burano

Veneza-
Casa de Burano Azul
Deveríamos
ter ido também a Torcello, mais para frente de Burano e dizem
ser onde tudo começou, inclusive Veneza, mas não deu
tempo...fica para a próxima.
Na temporada de verão muitos cruzeiros partem de lá,
a maiorias dos navios quehavíamos feito um mini-crizeiro em
fevereiro deste anos no litoral do Rio e São Paulo. Uma das
fotos impressionam é do grende transatlântico Milleninum,
parecia que ele atropelar Veneza, a entrada dele no Grande Canal é
uma foto que dispensa comentários.
Diziam os antigos que o Grand Canal é a “rua”mais
bela do mundo. Realmente o passeio é de tirar o fôlego,
muito bonito. Grandes casarões voltados para o mar, belas fachadas,
muita história. De lá partem a maioria dos passeios
de gondola. De vez em quando, as gôngolas entram por uma “ruela”
(um pequeno canal dentro da cidade) e de longe você é
surpreendido pelos remadores cantando, geralmente acompanhados por
acordeom, ecoando a noite pelos cantos charmosos de Veneza.

Veneza- Rumo ao Baile de Mascaras

Veneza-
Detalhe da Gondola

Veneza-
Cartao Postal

Veneza-
Igreja
Perfumes
- Já tinha ouvido falar que era um horror, que a cidade
era fedida, que era só cheiro esgoto, etc,etc...Para mim, isso
é desculpa de quem não quer sair de casa. vale o passeio.
É muito bonito, diferente e os cheiros são bem normais.
Certas vezes, o aroma lembrava Paraty, numa rua tinha aquele cheiro
MARAVILHOSO de maresia, outra não era tão bom assim,
vira outra só cheiro de flores, de jasmim, de rosas, uma delícia...A
primavera estava a toda na cidade e todos colaboram cultivando flores
nas janelas, é muito bonito......

Veneza – Barco de Flores
A cidade está começando a se programar para o futuro.
O nível dos marés está realmente subindo e pelas
progressões em 2100 ,se não fizerem nada, ela estará
inabitável. Pelo que li no guia (sempre que falo guia é
o livro da Lonely Planet) eles vão começar a construir
umas comportas para conter as águas dos braços de mar
que chegam à Cidade.
Muitas lojas e casas tem pequenas comportas, na época de cheia,
tocam alarmes para o povo se proteger. Parece que isso está
se tornando rotina
Bem, espero ter ajudado a quem pretende um dia ir até lá.
Se soubesse dos detalhes que conto aqui antes, teria economizado umas
horinhas de corrria por lá e curtido mais a paisagem. Enfim,
desejo a todos, uma ótima viagem.
A r r i v e r d e r c i ! !