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Buona Gente - 2ª
parte
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Imigração da Fome Entre
1869 a 1892, 24 milhões de italianos SILVIA BOLÍVAR
O Brasil
recebeu a primeira grande leva de imigrantes entre os anos Política A política estava no sangue dos italianos que emigraram. Muitos dos pioneiros que aqui chegaram foram vereadores, prefeitos ou secretários municipais. Romeu Zerbini, 82, filho de imigrantes vindos de Cremona, norte da Itália, iniciou-se na vida política em 1955, como vereador. Em 63, foi vice-prefeito de Ivan Correa de Toledo, 79, que foi cassado pela ditadura militar. Zerbini, assim, assumiu a prefeitura permanecendo no cargo até 68. Em 72 lança-se candidato e faz seu segundo mandato, de 73 a 76. Seu irmão, Hormínio, foi também vereador (de 69 a 72), e durante 20 anos dirigiu a Romaria à Pirapora. Construtores Uma história interessante é a da família de Cesare Zoppi (1865-1944), nascido em Gagliano, distrito de Torrete de Ancona. Ele era geometra, ou projetista-construtor, capacitado a construir prédios de até seis andares. Decidiu sair de sua terra natal para esquecer a morte da esposa e o filho. Em Indaiatuba, o jovem viúvo de 26 anos projetou e construiu inúmeros imóveis residenciais e comerciais. Entre seus desafios, o de projetar a Igreja de São Benedito e assentar as torres da Igreja Matriz. Em 1914, construiu a Casa Paroquial, imóvel até hoje preservado. Casado com Theodora Cerqueira Leite, o casal teve 10 filhos. Seguindo o exemplo do pai, Rêmulo, Antonio e Vitório Zoppi tornaram-se também conhecidos construtores. Fazendeiros Outra família vitoriosa é a Barnabé, que partiu de Mântua, chegando em Itupeva em 1885. A viúva Adriana e os filhos Valeriano, Paulo e Seraphin trabalharam como colonos em lavoura de café. Mais tarde, em Indaiatuba, Valeriano adquiriu as fazendas Bela Vista e Engenho D’Água (atual Jardim Morada do Sol). Ário Barnabé, que nasceu no Brasil, ampliou os negócios da família. Adriana inaugurou o Cemitério da Candelária – é seu o primeiro túmulo do local. Inês Barnabé, 89, neta de Paulo, conta que os Barnabé logo enriqueceram. Para cuidar da instrução dos filhos, contrataram um professor que veio da Itália, afeiçoou-se à família, e nunca mais foi embora. Ela relembra seu tio Antônio, que aos 70 anos, vestindo paletó e chapéu, ia de porta em porta, cedinho, levando a Tribuna de Indaiá aos assinantes. Hoje, o nome da família está também no córrego Barnabé, que atravessa o Parque Ecológico. Matrimônios
Era comum o casamento entre famílias imigrantes. A radialista
Aydil Pinezzi Bonachela, 68, é um exemplo dessa interligação.
Seu avô materno, Eugênio Curti, chegou ao Brasil com 11
anos e foi com a família trabalhar como colono na Fazenda Quilombo,
onde conheceram a família de Antônio Pinezzi, também
avô da radialista. Aydil relata um fato curioso. Ela é
parente dos Barnabé e diz que Renato deixou em testamento as
fazendas para os filhos homens. Já para as mulheres, apenas a
máquina de costura, num arraigado gesto machista. |
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Artes
A inclinação às artes também era natural
a alguns italianos chegados ao Brasil. Uma família, especialmente,
marca Indaiatuba, a de Vittório (ou Vicenzo Lui), nascido em
1864 na cidade de Quistello, província de Mantova. Ele chegou
ao Brasil em 1888 acompanhado da mulher, Pacífica, então
com 26 anos. O destino da família: “Itaicy”. |
| Comércio
Os imigrantes italianos eram muito versáteis, sabendo aproveitar
todas as possibilidades que apareciam. Muitos se especializaram em culinária,
com os filhos e netos seguindo essa tradição. É
o caso dos D’Ercoli, vindos de Quiete. Henrique D’Ercoli
chegou ao Brasil aos 14 anos, em 1898. Em 1911 instalou em Indaiatuba
uma barbearia, trabalhando também em um açougue e marcenaria.
Nos anos 40, abriu um dos primeiros restaurantes da cidade, o Bar e
Restaurante Central. Já a família Mattioni é um
bom exemplo da capacidade de trabalho dos italianos. Primo José
Mattioni já nasceu no Brasil, seu pai veio de Nápoles
e a mãe de Mântua. Em 1954, Jepe, como Primo era conhecido,
recebeu como herança dos pais uma casa na Rua Candelária,
onde a família fixou residência.
Olarias
Um fato curioso é a propensão de alguns desses imigrantes
a se tornarem proprietários de olarias. Nas décadas de
20, 30 e 40, com a cidade crescendo rapidamente, era preciso tijolos
e telhas para os imóveis. Pós-Guerra
Outras duas importantes ondas de imigração aconteceram
após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, quando a Europa,
devastada pelos conflitos, não oferecia grandes oportunidades
de crescimento. Foi nessa época que aportaram no Brasil famílias
como Mirone, Dall’Alba, Fantelli, Giomi (estes três se tornaram
prósperos industriais), entre outros. |
| OS PRIMEIROS A CHEGAR Documentos registram Francesco Squittini, Franscisco Lanzi e José Tancler como pioneiros ADRIANA
CARVALHO KOYAMA O primeiro
registro de imigração italiana encontradonos documentos
da cidade é o de Francesco Squittini, dono do hotel d’Itália,
em 1873. Em seguida encontramos referência a Francisco Lanzi,
que em 1881 casa-se em Indaiatuba e será vereador na última
câmara do período imperial. José Tancler veio para
Itu em 1875, com 25 anos, trabalhando como mascate nas fazendas da região.
Em 1880, estabeleceu-se em Indaiatuba com a loja Sempre Avanti
Participação comunitária A grande participação dos italianos em Indaiatuba no final do século 19 pode ser percebida na Câmara Municipal: desde a chegada dos primeiros imigrantes o número de eleitores de origem italiana não parou de crescer: em 1892 votaram na eleição para Presidente do Estado os Schettini (Francesco, José e Domingos) e os Tancler ( Vicente e José)Squittini, Lanzi e Tancler. Em 1900 assinam como eleitores Cesare Lisoni, Enrique Brazzi, Giovanno Pessoto, Angelo Pefsoto, Giovanni Zamboni, eng/arq. Rômulo Zambom, Lourenço e Luiz Salla, Carlo Montibello, Giovanni Panzetti, Cesare Zoppi, Paulo e Valeriano Bernabé, Angelo Fanti, João Ungaretti, Andréa Tomaggio, Dante e Luiz Coppini, Luiz Pieropini, Pascuale Ciampi, Luigi Minioli, Agostino e Pietro Marcolongo, Rodolfo Ferretti, Carlos Tancler, Ferrucio Lucchesi, Francesco Zancheta, Horacio Ostranti, José Artoni, Tomazo Ripabelo, Eugênio Chechinato, Luiz Bosquetto, Ferrucio Carletti, Antonio Madari, João Vitto, Ricardo Righetto, Guido Fiorini, Jacinto Burgato, Guise Castelan, José Fasignato, Antonio Merli e Natale Furgeri. Nessa época, um terço dos eleitores de Indaiatuba era de origem italiana. Economia
Na vida econômica urbana a presença italiana também
é notável: recebemos mestres artesãos, negociantes
e construtores. Em1895, tínhamos uma fábrica de cerveja
e um curtume, ambos de Carlo Montibello; um bilhar, de José Tancler;
lojas de tecidos, de José Tancler e José Schettini; sapatarias
de Fortunato Baroni e de Francisco Canatta; padarias, de Cesar Lisoni
e de Roberto Pinfaro; lojas de Secos e Molhados, de João Sargentelli,
Domingos Schettini, Luiz Brassi, Theodoro Proia, Francisco Canatta,
João Ungaretti, Honorato Manfredi, Jacob Campagna, Angelo Fantin,
Francesco Schettini e Vicente Tancler, que também vendia ferragens
e artefatos de folha de flandres. Nos sítios negociavam Julio
Bertucci, Fortunato Baroni e Bordini & Companhia. |
| Cidadania
– como requerer O Consulado da Itália em São Paulo tem mais de 30 mil processos de brasileiros pedindo cidadania italiana. Desses, apenas 5% conseguem o benefício, que dá direito a uma série de regalias como morar, trabalhar, estudar, acesso à saúde e educação em todos os países da União Européia. Com a cidadania ítalo-brasileira obtém-se também um passaporte especial, livremente aceito em países onde os brasileiros têm certas restrições, como os Estados Unidos. Entretanto, não se deve confundir cidadania com naturalização, que é quando se renuncia à cidadania de seu país natal. A naturalização pode ser requerida por qualquer pessoa em qualquer país, desde que se adeqüe a algumas regras (morar por determinados anos nesse país, ou ter filhos nascidos lá, por exemplo). A cidadania italiana é obtida por direito de sangue (Jus sanguinis, de acordo com a Constituição Italiana), ou seja, podem requerê-la descendentes de um italiano via paterno em linha direta e via materno, quando os filhos da mulher italiana tenham nascido a parir de 01/01/1948. Para isso, é necessário prova documental. E é aí que a porca torce o rabo, já que em muitos casos os registros de nascimento eram feitos nas paróquias locais. Carlos Alberto Creato , que mora em Indaiatuba, trabalha há oito anos com pesquisas de documentos para quem busca a dupla cidadania. “É preciso fazer a árvore genealógica do pai e da mãe do requerente, buscar documentos de batismo ou registros de nascimento e casamento para os italianos nascidos após 01/9/1871, quando foi instituído o Stato Civile Italiano. Busco dados em arquivos militares também”, esclarece. Quem desejar obter a cidadania italiana precisa saber também a cidade de origem de seus antepassados. Os interessados podem entrar em contato com o pesquisador através do e-mail de Carlos Alberto: buscadoc@terra.com.br. |
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