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Rebeldes do Século 21
Ultrapassando os próprios limites
e
superando as barreiras sociais
Mariana Amaral
Colaboração: Daniel Miranda

Denis
Souza
(camisa preta),
James Mella,
Fabiane e
Paula Braga
e Ariane Dias
A
sociedade se tornoupermissiva, hábitos até então
considerados conservadores foram superados. Dormir na casa da namorada
se tornou tão comum quanto um jantar na casa do sogrão.
Usar piercings, ou deixar o corpo repleto de tatuagens, não nos
tornam mais rebeldes. Ficar de pileque, ou mesmo quem sabe fumar maconha,
já está sendo até “tolerado” pelos
pais, que na maioria das vezes, se sentem impotentes diante do comportamento
“transgressor” dos filhos.
O action tornou-se estilo de vida de grande parte da garotada. O barato
agora são as atividades arriscadas, o fascínio de produzir
adrenalina, de ultrapassar os próprios limites. Os jovens estão
se lançando de cabeça nesse novo universo em que a velocidade,
os esportes radicais e as drogas sintéticas, passaram a ser sinônimos
de liberdade.
O Projeto de Juventude do Instituto da Cidadania realizou uma pesquisa
para retratar a juventude brasileira na faixa dos 15 aos 24 anos. Foram
ouvidas 3.501 pessoas de 198 municípios brasileiros. A pesquisa
procurou saber como nós jovens nos vemos. “Não ter
responsabilidade” foi a resposta dada por 45% dos entrevistados,
quando a pergunta foi; “Por que é tão bom ser jovem?”.
E é aí que o bicho pega. Porque apesar de irresponsáveis,
nossos atos terão conseqüências e, cedo ou tarde,
teremos que arcar com elas. Então moçada, vamos prestar
mais atenção antes de sair por aí “quebrando
tudo”.
Viagem
Errada
As
drogas sintéticas têm sido consumidas, aos baldes, nas
raves. A droga chega na balada, e a galera vai tomando, mesmo sem saber
os efeitos que pode causar. E quem acabou de dar as caras no Brasil
é a tão polêmica “cápsula do vento”,
que só de pensar em seus efeitos dá um frio na barriga,
já que o usuário está arriscado a ter alucinações
durante 80 horas. Por isso, o novo “brinquedinho” da moçada
está mudando de nome, agora esse alucinógeno é
conhecido como a “droga do medo”. Trata-se de uma substância
sintética, produzida por laboratórios europeus. É
derivada da tão famosa anfetamina. Pessoas que a usaram relatam
que ficaram quase uma semana sob o seu efeito. O toxicologista Anthony
Wong, do Hospital das Clinicas de São Paulo, alerta para os danos
causados ao organismo. “O usuário pode ter alteração
cardíaca, convulsões, alucinações intensas
e morte”. Para Cleber, 24 anos, que teve uma adolescência
precoce e conheceu a maconha ainda muito cedo e aos poucos teve contato
com outros tipos de drogas, pior do que perder neurônios é
perder o ego, a dignidade. Constatar que não conseguiu ficar
“limpo” mais um dia! Geralmente os familiares não
sabem como ajudar o filho e acabam o expulsando de casa ou encaminhando-o
para uma clínica, com medo de dívidas. Nessas horas oferecer
ajuda e pedir para o filho abrir o jogo é a melhor saída.
Fora o gasto para pagar os traficantes Tiago, 21 anos, confessa que
é comum a venda de objetos de casa como rádios, jóias
ou televisão para comprar o produto.
Outra droga bem cotada nas raves é o special K, um anestésico
usado em cirurgias e animais. É um “primo” do LSD,
comumente usado na década de 60. O efeito provocado é
o despreendimento corporal, o usuário consegue se dissociar do
corpo. O uso freqüente pode causar danos na atenção,
na memória, no estômago, coração e fígado.
Por isso, todo cuidado é pouco, não há nada de
mais em sair para dançar, curtir uma rave, mas em hipótese
alguma entre nessa “onda química”.
Radical
Os
esportes radicais estão tomando conta da galera. Muitos já
não querem mais saber de ficar correndo atrás de bola.
A moçada agora prefere suar frio. “O lance é sentir
o coração bater na boca”, garante Paulo Camarone,
21, adepto do pára-quedismo, esporte repleto de adrenalina, considerado
um dos mais radicais entre as modalidades; “A sensação
de estar em queda livre é única”, afirma Paulo.
Mas não é só no céu que a galera detona,
os rios e montanhas também são invadidos por essa moçada
que está atrás de muita aventura, segundo Adelson Carneiro
Ro-drigues, 35, da agência Ação Aventura.
O rapel tem sido muito procurado pelos jovens que curtem descer de penhascos
pre-sos por uma corda, o que causa um certo medo por estar tão
solto em uma altura considerável. Mas o campeão de audiência
tem sido o rafting, que utiliza um barco inflável para descer
rios com águas turbulentas, exigindo muito sangue frio e coragem.
Quanto maior o volume de água do rio, maior é o grau de
dificuldade, “quando chove a semana inteira, todo mundo fica reclamando,
mas pra mim, quanto mais chuva, melhor, o rio sobe, fica borbulhando,
a velocidade das águas é imensa, não tem coisa
melhor. Minha vida se resume ao rafting , ao risco constante”,
conta André Morbideli, 19, praticante assíduo do esporte
há mais de cinco anos.
Games
Por
meio dos games os limites são facilmente manipuláveis,
podemos fazer as próprias leis, construir ou destruir cidades,
pode-se agir somente para o próprio prazer, e até matar
se for preciso. Milhares de jovens (e adultos também), passam
horas e horas entretidos pelos jogos eletrônicos. E a maioria
adora ver “esguichar sangue” pelo visor. Quantos você
roubou, aprisionou, aniquilou, derrubou? Se o número for alto,
parabéns, você venceu!
Educadores acreditam que toda essa violência gerada nos jogos,
reflete-se no cotidiano dos jovens. “Eu passava muitas horas por
dia em frente ao computador roubando carros e atropelando pessoas. Quando
saía de casa, ainda me sentia dentro do jogo, com uma vontade
enorme de pegar o carro e simplesmente passar por cima de todos que
andavam pelas ruas. Foi aí que percebi o quanto estava envolvido.
Decidi então nunca mais jogar”, conta Yuri Graneiro, 21,
que passava em média cinco horas por dia em torno do seu PC.
Jogar videogame é realmente divertido, mas tu-do tem um limite,
não? Existem muitas coisas a serem exploradas, saia da frente
do computador e você verá que a realidade não-virtual
também é cheia de aventura e, infelizmente, também
é repleta de violência.
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Marombado
A fixação em obter um corpo mais que perfeito, faz
a garotada se submeter a horas e horas de malhação,
regimes extremos, e muito anabolizante. Não há limites
para quem quer ficar “bombadão” (é claro
que existem muitas exceções). Essa maratona, nem um
pouco saudável, serve para esculpir uma forma física
que obedeça aos padrões rígidos ditados pela
moda.
Fazer exercícios regularmente, com acompanhamento de um especialista,
e se alimentar adequadamente é o grande segredo para alcançar
um corpinho sarado. Mas para alguns o corpo virou um verdadeiro
santuário dos músculos. Não há limites
para aqueles que querem se transformar nos tão conhecidos
“pit boys”. O desenvolvimento dos bíceps, cinturas,
coxas, nádegas, são contados centímetro a centímetro.
Em alguns casos, o aumento da massa muscular não se deve
ao levantamento de peso, e sim ao uso indiscriminado de esteróides
anabolizantes, que são drogas fabricadas para substituir
o hormônio masculino testosterona em pessoas com deficiência
em sua produção. Eles ajudam no crescimento dos músculos
e em outras características masculinas. Mas a galerinha não
quer perder muito tempo para ver aflorar seus belos e endeusados
músculos, e vai se entupindo de anabolizantes, utilizando
de 10 a 100 vezes mais a dose médica recomendada e normalmente
mistura dois ou mais esteróides diferentes. Alguns malucos
chegam a utilizar compostos veterinários. Os bobos acreditam
que se misturarem todos os compostos possíveis e imagináveis,
vão se tornar o “mister músculo” e sair
por aí arrasando. Na verdade, o máximo que vão
conseguir é arrasar a saúde. Para garantir o crescimento
de massa muscular, Flávio, 26, consumiu diversos tipos de
anabolizantes. “Começaram a surgir manchas e erupções
em meu corpo, cortei na hora o uso desses medicamentos”, revela.
Segundo Flávio, os esteróides são muito fáceis
de obter, sendo freqüente a compra pela internet.
São diversos os danos causados ao corpo pelos esteróides.
Em pré-adolescentes e adolescentes, o crescimento é
finalizado prematuramente, impedindo o crescimento, deixando-os
com estatura baixa. Há ainda a redução da produção
de esperma e impotência. Para completar esse quadro de horrores,
tem-se ainda o crescimento irreversível das mamas, acne,
e o terrível aparecimento de tumores (câncer) no fígado.
O sujeito, além de tudo isso, se torna agressivo, envolvendo-se
em brigas. Assim, podemos entender melhor, porque os pit boys vivem
batendo em todo mundo. Você que está nessa de ficar
tomando “bomba”, sai fora! Alcance o corpo que tanto
deseja de uma forma equilibrada e saudável.
(*Os nomes dos jovens entrevistados são
fictícios) |
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