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Chandy
O rei das charges
Aptidão
foi aprimorada com esforço próprio

Mariana Amaral
Algumas
pessoas são presenteadas ao nascer com um dom especial. É
a capacidade de se expressar através de vertentes artísticas.
Alexandre Brito, o Chandy, 28, é um desses privilegiados. A arte
de desenhar nasceu com ele e sempre o acompanhou, e hoje seu trabalho
é reconhecido na cidade por charges que cria e retrata situações
do cotidiano. Chandy, nascido numa família humilde, não
teve a possibilidade de fazer um curso de desenho. “Aprimorei
meus cartoons com a prática diária, me superando a cada
dia”, revela. Foi na segunda série do ensino fundamental,
na Escola Helena Campos Camargo, que Chandy se deu conta do potencial
artístico que tinha. “Nos trabalhos escolares que tínhamos
que fazer, em qualquer matéria, eu sempre acabava usando mais
ilustrações. As professoras me davam cartolinas para fazer
nelas desenhos em casa”, conta, acrescentando que os colegas gostavam.
Um determinado desenho agradou a uma professora, que o inscreveu em
um concurso.” Quando a diretora da escola foi comunicar a Chandy
que ele tinha sido premiado, a reação foi de surpresa.
“Eu nem sabia que tinha sido inscrito”, relembra o desenhista.
Alexandre começou a publicar seus desenhos no livro Sucesso Contra
o Vírus N, de Villi Enderle, iniciando assim sua promissora carreira
profissional. Não demorou muito para que seu trabalho fosse reconhecido,
sendo convidado para fazer personagens, tiras e charges para jornais,
revistas e empresas. Em 1996 a Tribuna de Indaiá o chamou para
fazer algumas ilustrações, e, mais tarde fez o mesmo serviço
no jornal Votura. Foi aí, com a convivência de colegas
no jornal – onde aprendeu a tratar no computador seus desenhos
– que começou a trabalhar no Centro de Processamento de
Dados (CPD), ocasião em que mostrou seu lado irônico, fazendo
charges da situação política e social de Indaiatuba.
As charges, além de causarem risos, transmitiam um posicionamento
crítico sobre fatos políticos, nem sempre agradando a
“vítima”.
Um exemplo disso, foi o processo que a empresa jornalística sofreu
em 2000, devido a uma charge que ilustrava um candidato a prefeito da
época editando uma fita de comício. “Os desenhos,
na maioria das vezes, são tão informativos quanto textos,
crônicas e editoriais”, afirma Chandy, ressaltando que algumas
charges revelavam fatos positivos. “Muitos dos retratados pediam
cópias coloridas do desenho para guardarem”, completa.
Desafios
O estresse e a pressão na empresa levaram Chandy a novos desafios.
“Eu desenhava as charges de madrugada, e também nessa hora
ilustrava a capa do jornal Gazeta; essa maratona começou a me
desgastar, as charges foram perdendo a qualidade e meu trabalho não
estava mais rendendo devido ao cansaço. Então, em 2002,
resolvi sair da empresa”, explica. Atualmente Chandy trabalha
como designer na Oliver Móveis e faz charges para a Tribuna de
Indaiá e Revista da Tribuna. Também realiza trabalhos
artísticos para a multinacional 3M do Brasil e a Companhia Paulista
de Força e Luz (CPFL).
O desenhista se casou cedo, quando tinha apenas 20 anos e sua mulher,
Priscila, hoje com 20 e na época com 15 anos. “Em vez de
um namoro interminável, resolvemos dizer ‘sim’ ao
casamento. Estamos ainda em lua-de-mel, os filhos ficarão para
mais tarde, agora queremos aproveitar nossa juventude”, diz Chandy.
Ele também resolveu aceitar um convite feito por inúmeras
vezes: a participação no Mapa Cultural Paulista 2005/2006,
concurso estadual para revelar destaques artísticos em diversas
modalidades. Chandy foi aprovado e é o representante municipal
do Mapa com as seguintes ilustrações: índios mirins
passando fome, Lula falando para sem-terras e um peixinho num lago poluído
ligando para o disk-água. Em novembro, as cidades de Capivari
e Sumaré receberão os desenhos de humor da fase regional,
cujo resultado levará o vencedor para a fase final, que terá
36 trabalhos. O primeiro colocado receberá R$ 4 mil; o segundo,
R$ 3 mil e R$ 1,5 mil para o 3º lugar. Vamos torcer para que Chandy
chegue lá. Para que esse dom nascido com ele o leve ao reconhecimento
do Estado de São Paulo.
Chandy merece.
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