OS
PRESOS
SOMOS NÓS!
Procura por indústria da segurança dispara
Estrangeiros que visitam Indaiatuba e outras cidades se espantam
com os muros altos, o tamanho e quantidade de grades e os siste-
mas de segurança nas residências. Rolos de arame farpado
e cercas elétricas nos muros já são fatos corriqueiros
para nós. Não para quem é de outro país.
E eles brincam: vocês é que estão presos.
De fato, assim como a educação e saúde, muita
gente tem de recorrer a sistemas privados de segurança, embora
os impostos pagos pela população preveja que esses serviços
sejam públicos e, teoricamente, de qualidade. Indaiatuba, antes
considerada tranqüila e aprazível, tem registrado índices
crescentes de roubos e assaltos. E pelo menos uma dúzia de
pessoas já foram vítimas de seqüestro. Nós,
brasileiros, nos tornamos reféns dos bandidos.

Hueiman R. Vitorello Belgini, Jany Vitorello e Sidney Belgini é
uma das famílias que se precavêm
Por isso, a indústria de segurança no Brasil cresce
ano a ano. Em 2006, com os ataques do PCC, setores de segurança
estimam que a procura por algum tipo de equipamento cresça
40% em relação ao ano anterior. Segundo Edson Pin, da
Indasigma, a demanda aumenta mesmo quando algum crime acontece na
cidade. É o que confirma Wagner Proença, da Vitor Materiais
Elétricos. “Vendemos em média vinte aparelhos
de sensor de presença por semana, mas quando a mídia
registra um crime de impacto, esse número pode dobrar”,
garante o comerciante. Esse artefato acende uma forte luz a qualquer
movimento e é muito usada por quem tem chácaras ou casas
com quintais.
Todas as classes sociais hoje buscam algum equipamento de segurança
para sua residência ou comércio. Os preços podem
variar de R$ 120 (custo médio de um porteiro eletrônico
comum) a espantosos R$ 20 mil. Existe uma variedade de serviços
e equipamentos que podem abranger sofisticações apenas
vistas em cinema. Uma imagem chocante, infelizmente bastante comum,
é ver muros com aparatos que mais lembram um campo de concentração.
São cercas elétricas, arame farpado, câmeras estratégicas
que enviam imagens para uma central de monitoramento e a concertina
(parecida com arame farpado, mas feita de aço e com pontas
que lembram pequenos canivetes). O antigo estratagema de cacos de
vidro nos muros já não é tão eficiente
e, por servir de criadouro para o mosquito da dengue, seu uso é
vetado na maioria dos municípios.
SEGURANÇAS
No Centro, ou em bairros residenciais, é comum ver homens vestindo
colete preto escrito “segurança” nas costas. A
maioria é informal, ou seja, não pertence a empresas
de segurança e fazem bico nessa função. Eles
não podem usar armas e rádios de comunicação.
Sua grande arma é a presença (que intimidaria ação
de bandidos) e um celular (ao avistar suspeitos, pode chamar a Polícia
Militar ou a Guarda Municipal). A ação desses informais
nem sempre é aprovada.
Muitos comerciantes temem que a recusa por esse serviço (em
média R$ 30 por mês) gere uma resposta criminosa. “Parece
uma extorsão, se a gente não concorda com o ‘policiamento’,
no dia seguinte a loja é furtada ou danificada”, relata
S.E.P, 42, comerciante que sofreu esse ataque. Jair Sigrist, presidente
da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária
de Indaiatuba (Aciai), acha que a população precisa
se unir para reivindicar mais reforços policiais para a cidade.
INDÚSTRIA
Com medo de assaltos, muitos foram morar em edifícios ou condomínios
fechados. Mas indústrias, prestadores de serviços e
comércios não têm como cerrar portas. Em face
disso, cresceu bastante a procura por empresas especializadas em segurança
patrimonial nesses setores, além do residencial. Segundo dados
da Polícia Federal, o Brasil tem 1.900 empresas de segurança
cadastradas, empregando oficialmente 425 mil vigilantes. Na informalidade
esse número chega a triplicar, ainda mais se levarmos em conta
os vigilantes noturnos.
TECNOLOGIA
A solução, em muitos casos, tem sido apelar para os
recursos tecnológicos, como as câmeras de segurança
e cercas elétricas, o que tem despertado polêmica. É
que apesar de proporcionar mais garantias esses equipamentos também
têm seus contras. No caso das câmeras, por exemplo, elas
podem tirar a privacidade dos moradores do imóvel ou mesmo
de vizinhos, dependendo como for posicionada. As cercas elétricas
podem causar acidentes com pessoas e, mais freqüentemente, com
animais. O uso de cães como guardas é eficaz se o animal
for adestrado corretamente. Do contrário, pode se tornar uma
máquina mortífera.
Algumas empresas oferecem serviço de monitoramento eletrônico
24 horas, que disponibiliza viatura para averiguação
e aciona automaticamente a polícia. “Este sistema detecta
qualquer alteração e mensalmente é enviado ao
proprietário em um relatório”, explica Rodrigo
Gibim. Essas características fazem do monitoramento uma arma
eficaz, inclusive para supervisionar o acesso de funcionários
a salas específicas de uma empresa.
Além do acionamento por invasão, as empresas instalam
o “botão de pânico”, que pode ser acionado,
por exemplo, caso o proprietário seja trancado em um dos cômodos
da casa, mesmo que o alarme esteja desligado. Também é
possível avisar à central de maneira discreta quando
se está sendo coagido a desligar o alarme. Nesse caso ele faz
o desarme com um código especial, e alerta a central para informar
as autoridades. “São inúmeras possibilidades de
uso dos sistemas de monitoramento e alarme. É preciso estudar
cada caso para indicar a melhor solução”, finaliza
Gibim.