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Quem
é você ao volante?
Lembra
daquele desenho animado com o Pateta dirigindo? Fora do carro ele era
um cidadão exemplar, amável, incapaz de pisar em uma formiga.
Mas ao sentar-se atrás do volante o personagem da Disney se transformava
em um louco, capaz de contorcionismos e acrobacias iradas. Pois é.
No próximo dia 25 comemora-se o Dia do Motorista (em homenagem
a São Cristóvão), e no dia 27, o do Motociclista.
O que levanta uma discussão interessante: o trânsito de
Indaiatuba.
De
acordo com o diretor do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran),
Edison Yoshida, a cidade conta hoje com 88.183 veículos.
“Some-se a este número frota de 10 mil veículos
licenciados em Campinas, Salto e São Paulo”, complementa.
Média de primeiro mundo: um carro a cada dois habitantes. As
multas contabilizadas em 2005 chegaram a 34.349, e este ano, até
o mês de abril, já foram mais 14.969.
VOCABULÁRIO
Aliado
a tudo isso existe uma espécie de “cultura popular do trânsito”,
com expressões e estereótipos bem definidos. O famoso
pé-de-chumbo pisa no acelerador e sai correndo como um louco.
Quando uma mulher provoca um acidente logo alguém dispara a máxima:
“Mulher no volante, perigo constante”, isso apesar das estatísticas
das seguradoras apontarem índices muito mais favoráveis
a elas. São ranços do machismo ou um desabafo irônico,
quando após sofrer alguma barbeiragem, a vítima indaga:
“Tirou a carta por telefone?”
O termo barbeiro teve origem em meados de 1940, quando engraçadinhos
já cortavam o trânsito, dando “navalhadas”
nos outros motoristas. Barbeiragem virou substantivo para designar todos
os que dirigem mal. Outra lenda é a famosa “rebimboca da
parafuseta”. Sempre que um carro dá pane e não se
sabe a origem do problema, um pilantra espeta: “Isso aí
não tem jeito, dona. Vai ter que trocar a rebimboca da parafuseta”.
Obviamente tal peça não existe. É lógico
que ninguém está isento de cometer uma “barbeiragenzinha”
uma vez na vida.
Todo cuidado é pouco, especialmente se você cruzar com
alguma das figuras descritas ao lado. E se você acabar se identificando
com algum deles não se desespere: é mera coincidência.
É a nossa divertida homenagem ao Dia do Motorista.

São Cristóvão,
padroeiro dos motoristas
Personagens do trânsito
de Indaiatuba
Tiozinho
de Chapéu Ele nunca escolhe uma das faixas para
andar - direita ou esquerda – prefere o meio da rua, muito mais
espaçoso. Sua habilidade em cruzar sinais fechados, placas de
pare e “fechar” ciclistas só é comparável
ao seu grande poder de deslocamento. Costuma ser o responsável
por dois ou mais acidentes quase que simultaneamente, em pontos diferentes
da cidade.
Velhinho É parente
do “Tiozinho”. Costuma derrubar motocicletas estacionadas
ao tentar fazer uma baliza. Aí, alega que ela não estava
no local. Não é raro vê-los invadindo a faixa de
pedestres, obrigando os transeuntes a passar por trás do carro
e, muitas vezes, serem surpreendidos por uma “rézinha”.
A
Galera da Brasília Lotada A incidência
é maior nos finais de semana e feriados. Na Brasília,
um monte de homens, com varas de pescar saindo pela janela, andando
em torno de 30km/h. Pode ser um Fusca, Caravan ou Variant, mas o comportamento
no trânsito é constante: entram de uma vez nas rotatórias
e param no meio dela para deixar os outros carros passarem.
A Dondoca Ela acredita
piamente que todos têm a obrigação de dar passagem,
ceder a vaga no estacionamento lotado no supermercado. Espaçosa
e bem cara-de-pau, a Dondoca está sempre com a razão,
ou seja, ela não dá passagem a ninguém, nem para
um senhor centenário em uma cadeira de rodas e, assim que o semáforo
abre, ela acelera e passa por cima de quem cruzar o caminho. No caso
de uma “raladinha” na lata do carro ela fica furiosa.
Motorista
DJ Ele adora música (quase sempre do tipo bate-estaca)
e quer mostrar pra todo mundo que consegue dirigir, chacoalhar o esqueleto,
cantar os pneus e a música ao mesmo tempo. Por isso o hábito
mais marcante deste personagem é o de manter o som pelo menos
cem vezes mais alto que o ronco do motor, o que o leva a cometer diversas
gafes no trânsito. Sempre que isso acontece ele vai acelerar bastante
o carro para fazer barulho e sair cantando pneu, reafirmando sua habilidade
ímpar.
Motoqueiro
Arquiinimigo dos motoristas e que geralmente trabalha
no trânsito. Tem reflexos e habilidades mutantes, o que lhe dá
uma confiança arriscada. Como nem todos são tão
hábeis quanto ele, é comum ver motoqueiros caídos
com fraturas. São especialistas em arrancar espelhos retrovisores
com seus guidões. |
Uma
lição aprendida

Desrespeitar
as leis de trânsito é sempre um problema.
O vigilante Rogério Santos Peixe, 24, que apesar do sobrenome
é corinthiano, passou sérios apuros. Ao todo já
gastou R$ 988 em multas e mais R$ 1.100 em sua autorização
para dirigir, que foi cassada. “A placa da minha moto estava
em todos os radares da cidade. Além disso já fui multado
por falta de retrovisor e por pilotar de chinelo. Na hora do nervoso
acabei falando o que não devia ao PM, e a situação
só piorou”, confessa.
O “recorde” de Rogério foi quando comprou uma
moto Twister às 11 horas e no mesmo dia, às 13h, ela
já estava apreendida. “Eu estava sem placas, sem habilitação,
e a viatura deu um sinal de luz para eu parar. Achei que era algum
amigo, e segui em frente, o que eles interpretaram como tentativa
de fuga”, lembra. O único consolo para o vigilante
foi que, como o veículo não tinha placas, não
foi possível registrar multas. Mesmo assim ele teve que pagar
guincho, pátio, e tudo mais.
Depois de tantos “traumas”, Rogério garante que
aprendeu a lição. “Tudo na vida tem que ter
uma história, e a minha foi esta. A maioria das pessoas reclama
da multa, mas não se toca de que foi ela quem infringiu as
leis de trânsito. Esta lição eu aprendi”,
finaliza. Os pedestres e motoristas agradecem.
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