Cabelo,
cabeluda, cabeleira...
e CABELOS BRANCOS
Ai, não tem jeito, é inexorável. Chega-se a
uma certa idade e os fios brancos aparecem na cabeça (aliás,
depois, em todos os pêlos do corpo). A rapidez com que se
fica grisalho vai depender fundamentalmente de fatores hereditários.
Má alimentação e estresse podem antecipar a
chegada dos brancos. E em muitos casos, situações
traumáticas (morte em família, acidentes, etc.) podem
fazer com que surjam rugas instantâneas e tornar repentinamente
todos os fios (que vão nascer) brancos.
Pesquisa inglesa mostrou que o fumo pode ocasionar cabelos grisalhos
prematuramente. E fumantes têm quatro vezes mais probabilidade
de ficar grisalhos mais cedo que os não-fumantes.
A palavra têmpora vem de tempo, porque é nesse local
da cabeça onde os fios brancos aparecem indicando que o relógio
da vida está passando. Nos homens, o grisalho é um
charme (Richard Gere, Antônio Fagundes); nas mulheres, todas
fogem. Ou melhor, nem todas.
Sueli
Tonin, 55, é uma das que nem querem saber de tintura.
“Fiz o caminho inverso. Pintei os cabelos dos 16 aos 38 anos,
e nas cores mais ousadas que existiam. Quando os brancos surgiram,
parei”, revela, acrescentando que não é contra
tinturas e que cada um deve fazer o que lhes faz sentir melhor.
Sueli é bonita e tem personalidade cativante. Mesmo assim,
algumas amigas acham que ela não deveria deixar “aparecer”
os brancos. Bobagem, cada um na sua.
Para as mulheres, além dos brancos, outro tormento: é
que os fios chegam mais grossos e quase sempre encaracolados. Mudam
completamente a estrutura de antes. Quem tem cabelo fino, ele vem
mais grosso e rebelde. Para as que já têm grossos,
eles viram um “arame” e muitas tentam arrancá-los.
Não tem jeito, nascerão outros depois.
A melanina, substância que dá pigmento aos cabelos,
vai deixando de ser produzida a partir dos 25 anos e cessa gradativamente.
Fica, então outra proteína atuando, a queratina, que
é responsável pelo novo aspecto e textura. Aos 60
ou 70 anos, nova mudança: os fios passam a nascer mais finos
devido à diminuição da secreção
sebácea.
Tintura,
grecin, henna...
A única saída para quem não é feliz
com os fios brancos ainda é a tinta. Uma boa solução
é algo suave, como os xampus tonalizantes. Não se
iluda com os chamados produtos transparentes, que prometem “devolução
da cor natural gradativamente”. Eles são tinta, sim,
mas agem de outra forma – mais perigosa.
A coloração se dá pelo depósito de metais
pesados, que vão oxidando os fios. Primeiro dão um
tom amarelado e depois escurecem o cabelo, mas podem causar intoxicações
futuras. Um dos maiores problemas do tingimento em homens é
o excesso de lavagens. O xampu diário, costume masculino,
rapidamente desbota os fios coloridos, que podem ganhar o temido
tom acaju. A henna não deve ser usada por quem tem cabelos
muito grisalhos. Os brancos ficarão com um tom vermelho-marrom
estranho. Além disso, resseca os cabelos. Mas por ser natural,
ganha a preferência de muitos. O ideal, então, é
caprichar no trato semanal.
VOCÊ
SABIA???
A velocidade de embranquecimento dos fios é
diferente nas raças. Aos 45 anos, 80% dos brancos já
têm fios brancos. Nos orientais, aos 50 anos, 80% têm
os cabelos grisalhos. Já entre os negros, 80% só tem
cabelos brancos aos 55 anos.
Cachorros
também ficam com o fuço branco à medida
que envelhecem, assim como os grandes primatas - chimpanzés,
gorilas, bonobos e orangotangos.
Maria Antonieta, a rainha francesa, teria ficado
com os cabelos brancos da noite para o dia ao saber que ia ser guilhotinada.
Deve ter tido queda violenta dos cabelos não-brancos, mais
finos e sensíveis. Restaram, então, os brancos que
já tinha, dando a impressão de que a cabeleira toda
embranqueceu.
Arrancar
um fio branco faz com que nasçam dois no lugar?
Mito. Nasce um só no mesmo lugar. E não adianta arrancar.
Eles aparecem mesmo.