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SILVIO FERREIRA
‘Com a cara e a coragem’

Desde menino, em Carmo do Rio Claro, MG, onde nasceu, já
vendia frutas e legumes do sítio da família.
Em 1967, os pais
e os seis filhos mudaram-se para Campinas e Silvio já foi trabalhar
como office-boy numa ótica, onde ficou por um ano. Esperto e
laborioso, foi chamado por outra ótica para exercer a mesma função.
Ficou oito anos, se tornou gerente, e “moleque”, como afirma,
abriu em 1981 seu próprio empreendimento, a Óptica Ipanema,
em Indaiatuba.
Em 2006 já são seis lojas, sendo duas megas, a de Indaiatuba
e a de Campinas, que, com 2.200m² é a maior ótica
do Brasil. Dá emprego direto a 140 pessoas.
A Revista da Tribuna mostra nesta entrevista por que
Silvio Ferreira é um empresário exemplar.
RT:
Signo?
Sou ariano (13/4) com ascendente em Peixes.
RT: Por que Indaiatuba?
Próxima de Campinas e com custos menores, Indaiatuba estava em
franca expansão e tinha condições para um crescimento
sustentável. Apostei em Indaiatuba e deu certo.
RT: E seu começo?
Uma loucura, abri a loja com uma mão na frente e outra atrás.
Acordava às 4 horas e ia para a fila do INPS entregar cartão
da ótica para quem ia fazer consulta com oftalmologista. Em pouco
tempo conquistei uma clientela boa que me acompanha até hoje.
RT: Você tem outra formação, né?
Sou arquiteto, formado em 2000, mas antes disso fiz jornalismo na PUC;
desisti do curso no último ano.
RT: É por isso que você se dá bem na TV
?
Acho que é por ser criativo e ter sempre comentários para
acontecimentos regionais, nacionais e mundiais. Sou convidado para dar
palestras e mostrar a determinação de fazer um empreendimento
dar certo.
RT: Essa determinação chega até que ponto?
Assumo que sou workaholic, não consigo parar. Tudo é um
ciclo, quando acaba um, já estou pensando no próximo.
RT: E o lazer?
É, sobra pouco tempo, mas adoro o que faço. Meu hobby
é a leitura, adoro ler. Também amo academia, vou sempre.
RT: E a política?
Assim como milhares de brasileiros, estou desiludido e, se não
houver um investimento real em educação (que a criança
passe pelo menos sete horas na escola), os brasileiros vão continuar
não sabendo votar. Não são só os políticos
que são pilantras. Quem vende seu voto por uma dentadura ou cesta
básica, não ajuda a mudar o país. A ditadura militar
alienou as pessoas, elas perderam o senso de referência e do estado
de direito. Aí, virou essa bagunça.
RT: O Brasil deveria ter pena de morte?
Não! Quem cria a bandidagem são os governantes. Eles que
arquem com os custos dos desmandos.
RT: Uma personalidade?
Como sou pouco convencional, Hilda Hilst, de quem tive o prazer de ser
amigo. Ela quebrou todos os tabus sociais e sexuais numa época
(anos 60/70) em que o mundo ainda engatinhava para isso. Seus livros
são irreverentes e inteligentes. Todo deviam ler.
RT: CD marcante?
Zooropa, do U2. Eu vivia um bom momento.
RT: Filme marcante:
Metrópoles, do visionário Fritz Lang, de 1926 e ainda
hoje moderníssimo.
RT: O que gosta de fazer?
Adoro passear em Nova York, ficar andando à toa. As pessoas de
lá são especiais, diferentes. Em Indaiatuba adoro ficar
sentado na Praça Prudente de Morais.
RT: Prato predileto?
Peixes, não como carne vermelha há 15 anos.
RT: Qualidades?
Determinação, ousadia e humildade.
RT: Defeitos?
Teimosia e trabalhar demais.
RT: Para quem tira o chapéu?
Antônio Ermírio de Morais, por sua sensatez e versatilidade.
RT: Para quem ‘enterra’ o chapéu?
Às pessoas que deixam o tempo passar em vão.
RT: Atriz e ator
Fernanda Montenegro e Tom Hanks.
RT: Vida amorosa?
Ótima, paquero e sou muito paquerado.
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