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A
flor de Iemanjá
Depois
de haver visitado seus pais e conversado com eles sobre a proposta
do futuro sogro, seu pai por ser mais experiente disse pro filho
desconfiar: quando a esmola é demais... o santo desconfia.
E ficou ainda mais desconfiado quando Aníbal colocou em suas
mãos um plano de assistência médica pra ele
e sua esposa.
-Filho, Deus te abençoe, mas isso não é um
pouco exagerado? Disse o velho.
Que seja pai, respondeu Aníbal; o importante é que
você e a mãe tenham uma assistência médica
adequada.
-Bem, não digo mais nada... sua mãe vai gostar ainda
mais tendo que controlar sua diabetes.
-Mas, pai, disse Aníbal o mais importante é que Vânia
e eu nos amamos, e isso ninguém pode contestar.
Depois de almoçar com os pais Aníbal voltou pro seu
barco e retornando ao porto viu Vânia o esperando. Ela estava
com lágrimas nos olhos e lhe disse que encontraram seu pai
morto no escritório com tiros no peito e na cabeça.
Aníbal ficou atônito, e quando ia se dirigindo pra
casa, foi algemado pela policia que o estava aguardando. Vânia
se afastou abraçada à mãe olhando pra ele com
os olhos rasos d´água.
Aníbal
nada entendia. Diante do delegado teve que responder as perguntas
sobre o assassinato e disse que tinha passado o dia na ilha em companhia
dos seus pais, o que podia ser imediatamente comprovado. Mas o delegado
lhe perguntou:
-Como então, disse o delegado, você explica que os
disparos foram feitos com o seu revólver?
-Meu revolver? Realmente eu guardo em minha casa, mas ninguém
sabe onde está escondido.
- O delegado então lhe mostrou a arma e Aníbal reconheceu
como sua. E não soube explicar como ela tinha aparecido no
local do crime.
- Não sei doutor o que falar: como eu lhe disse saí
cedo para ir até a ilha e não mexi na arma.
- Mas ela tem as suas digitais.
- Impossível, ou pelo menos muito estranho... mas quando
ele foi morto?
- Ainda não sabemos, pois o médico legista não
definiu o horário na autópsia.
- Eu estou com minha consciência limpa.
- Você já sacou a importância depositada por
ele em sua conta?
- Ainda não.
- Pois bem como você explica ter ele dado a você tanto
dinheiro?
- Tanto? Como assim tanto?
- Sim, mais de um milhão.
- Pera aí, doutor, ele disse que havia depositado dez mil
reais. Eu poderia falar com a Vânia?
- Sim, mas só depois que você me explicar mais alguma
coisa.
- Bem, em virtude de tanta acusação, eu quero um advogado,
é um direito que eu tenho.
- Então vou lhe prender, disse o delegado.
- Ok, me leve pra prisão, mas eu quero um advogado.
Quando iam saindo, os jornalistas queriam tirar fotos e fazer uma
entrevista, mas Aníbal foi diretamente para o xadrez. Depois
de algumas horas, ainda de pé se apoiando nas grades recebeu
a visita de um advogado. Era o dr. Aparecido Gouveia, antigo conhecido
seu que ,como pescador também, havia participado de varias
pescarias no barco de Aníbal.
Conversou com Aníbal por mais de duas horas, foi até
o fórum e conseguiu um habbeas corpus e colocou Aníbal
em liberdade. Aníbal logo procurou por Vânia, mas os
seguranças da casa não permitiram que ele entrasse.
Ligou pra ela e ela não quis responder, ficou nervoso e foi
com o advogado para sua casa.
Junto com o advogado, foram examinar onde ele costumava guardar
o revólver, estava tudo em ordem, depois foram ver se a porta
havia sido forçada, também estava tudo em ordem, foram
até a janela e nada de estranho havia.Aníbal não
desanimou e foi até o seu José, que tinha um quiosque
ali perto, e perguntou a ele se havia notado alguma movimentação
estranha perto de sua casa durante sua ausência.
José disse que duas pessoas estranhas haviam chegado bem
cedo, tomado um café, e quando o barco de Aníbal havia
se afastado e eles foram até a sua casa.
Aníbal perguntou se ele os conhecia.
- Não, respondeu José, até estranhei, pois
estavam vestidos como policiais.
- Policiais!
- Estavam com o carro da polícia, mas não vestiam
uniformes e sim terno e gravata.
- Um deles deixou um papel cair quando estavam se retirando, deve
estar lá no lixo.
- Com o advogado foram os dois até o lixo espalharam tudo
na areia, e nenhum papel comprometedor foi encontrado.
- Desanimados se retiraram, sem antes agradecer o José pela
informação.
Em casa Aníbal recebeu um telefonema... eram seus amigos,
convidando-o para ir até o bar que eles freqüentavam.
Despediu-se do advogado e foi para o bar encontrar seus amigos.
(continua...)
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